A forma como você descreve os outros diz muito sobre você

· fevereiro 15, 2019

A forma como você descreve os outros o define. A forma como você coloca rótulos, julga e avalia quem o rodeia deixa entrever parte da sua personalidade. São pinceladas sutis, mas nem sempre evidentes da sua identidade e, inclusive, da sua autoestima. Isso é algo que nós vemos diariamente e também sofremos quando os outros nos atribuem características que não têm nada a ver conosco.

Devemos admitir que todos nós fazemos julgamentos daqueles que cruzam nossos caminhos. Fazer isso é uma necessidade do cérebro de tentar controlar o nosso entorno e saber, de alguma forma, algo sobre aquilo com o que vamos nos deparar. Estamos, portanto, diante de um processo psicológico perfeitamente normal, e até bastante lógico, de um mecanismo que é controlado pela amígdala no seu habitual propósito de garantir a nossa sobrevivência.

“A discrição nas palavras vale mais do que a eloquência”.
– Francis Bacon –

Uma pesquisa muito interessante realizada pela Universidade de Psicologia de Nova York e publicada no Journal of Neuroscience explica que esta pequena estrutura cerebral avalia, em apenas milésimos de segundos, se alguém é confiável ou não, se a pessoa é interessante para nós ou, ao contrário, se é alguém que é melhor evitar.

Poderíamos dizer, de forma quase inequívoca, que para o nosso cérebro a primeira impressão é tudo, apesar de, evidentemente, existirem pequenas e interessantes variações.

Desse modo, quando a amígdala cerebelosa faz essa rapidíssima avaliação de se alguém pode ser de confiança, quem entra em cena é o filtro da nossa personalidade. Será ele quem, apesar dessa primeira apreciação, vai escolher se aproximar (ou não) dessa pessoa para comprovar se a primeira avaliação está correta.

Ela é, essencialmente, quem articula, intercede e determina a maneira como nos relacionamos e tratamos as outras pessoas.

Comunicação eficaz

A forma como você descreve os outros o delata

Diz um provérbio chinês que, às vezes, pode-se esmagar uma pessoa só com o peso da sua língua. É uma grande verdade, e ninguém pode colocar em dúvida como os movimentos de uma língua (sem a necessidade de ter um osso) podem chegar a ferir tanto e causar tanto estrago. Isso é algo que a maioria de nós vê, diariamente, em quase qualquer contexto: no trabalho, em casa, entre os amigos, etc.

Nós mantemos a comunicação com os outros como parte dos nossos próprios processos de socialização. Dessa forma, durante essas interações, é muito comum parecermos amáveis, corretos e cuidadosos. No entanto, se existe um vírus muito extenso é o do exercício da crítica, o uso dos rótulos, do desprezo, e até da ofensa mais desprezível.

São excessivamente comuns os perfis que gostam de atribuir características negativas a outras pessoas quase de forma constante, como um exercício que é praticado diariamente, como um hábito que, mais do que um capricho pontual, é uma tradição.

“Você é aquilo que diz”. Esta afirmação não é nossa, mas do Dr. Skowronski, da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte (EUA), que realizou uma pesquisa bem minuciosa sobre os estilos de personalidade e as atribuições feitas por eles.

Nela, ficou evidente um fato que todos nós já intuíamos: a forma como você descreve os outros o define. Somos aquilo que dizemos, somos cada coisa que argumentamos e que projetamos naqueles que nos rodeiam.

Reflexos de homem no espelho

Aquele que usa rótulos depreciativos

Existe quem não queira ver. Quem sempre usa seus óculos escuros e, com o seu olhar míope, transita por um mundo embaçado do qual é melhor desconfiar. São perfis que estão convencidos dos estereótipos e não querem ver nada além disso. São os que desprezam e menosprezam, os que fazem piadas e criticam aqueles que não são, pensam e sentem as coisas como eles.

Se a forma como você descreve os outros deixa entrever a sua personalidade, aqueles que sempre utilizam os rótulos negativos e as críticas mostram um vazio interior onde reside a falta de autoestima, onde o uso da ofensa nos deixa deduzir tanto a frustração quanto a infelicidade.

Aquele que é adepto da associação

A pesquisa da Universidade de Wake Forest constatou algo muito curioso. As pessoas que emitiam menos julgamentos eram as que mostravam uma maior capacidade de associação. Desse modo, aqueles que se caracterizam por ser mais positivos, otimistas e com uma boa autoestima não se deixam convencer tanto por essas avaliações prévias e preferem, antes de tudo, ter contato e se aproximar.

Quando nos permitimos deixar de lado o uso das avaliações, dos rótulos e das conclusões com pouca ou nenhuma validade, aumentam as possibilidades de associação com aqueles que nos rodeiam, de criar novas amizades mais duradouras, de construir ambientes mais respeitosos, com muito menos preconceitos.

Quando você descreve os outros sem o peso da desconfiança, do preconceito e da gozação, você se permite, quase sem saber disso, ter a oportunidade de criar uma maior sinergia com as pessoas do seu entorno, livre dos obstáculos dos estereótipos e rótulos.

Óculos grandes em paisagem

Devemos evitar o uso exagerado dos óculos escuros. Eles vão ser muito úteis para nos proteger de alguns efeitos prejudiciais, mas sempre é melhor tirar os filtros e ampliar a visão ao máximo. Um olhar esperto, interessante e humilde sempre vai captar mais coisas que os olhos acostumados a ver a sua própria escuridão.