6 diferentes formas de discriminação sexista

· julho 14, 2018

Vivemos rodeados por ela. A discriminação sexista ou de gênero, também conhecida como sexismo, é o preconceito, atitude ou desconsideração com o outro, segundo o seu sexo ou gênero. É, portanto, um comportamento através do qual alguns desvalorizam, criam estereótipos ou segregam as pessoas dependendo do fato de serem homens ou mulheres.

O maior problema é que estas formas de discriminação estão tão implantadas no nosso dia a dia que, muitas vezes, não somos conscientes nem de que elas existem. Apesar de avançarmos dando pequenos passos para a erradicação dessas práticas, ainda falta um longo caminho adiante. Explicamos aqui algumas das suas formas mais comuns.

Origem da discriminação sexista

O gênero é o sexo socialmente construído. Por isso, as atitudes sexistas promovem estereótipos baseados em crenças, afirmações e dogmas sobre os diferentes papéis de gênero. O mais importante é que eles foram se estabelecendo ao longo do tempo na sociedade e nas tradições.

Mulher servindo o jantar para o marido

Por exemplo, considerar o homem como o “chefe de família”, responsável pela vida financeira familiar, e acreditar que a mulher deve se limitar ao cuidado dos filhos em casa. Essa atitude, além de antiquada, gera um intenso e prolongado dano psicológico na vítima.

Mas, cuidado. Apesar da primeira forma de sexismo identificada ser contra as mulheres, não se deve empregar essa palavra como sinônimo de machismo. O sexismo não é exclusivo do sexo feminino, senão uma forma de discriminação que se refere a ambos os gêneros.

Este conceito não depende somente das individualidades, mas, em algumas instituições sociais, ele já está completamente integrado. Tanto é assim que várias pesquisas confirmam que o sexismo está regularizado e passa despercebido.

Não costumamos ser conscientes de que estamos apoiando indiretamente esses preconceitos sexistas, porque nem mesmo os reconhecemos quando estamos diante deles. Quais são estas formas de discriminação sexista?

A conotação da linguagem

Não se trata de mudar a base léxica de um idioma, nem de cair em palavras que, mais do que ajudar, confundem. Muitas vezes o sexismo se manifesta em algo tão banal como a linguagem que utilizamos para nos dirigir uns aos outros.

Se queremos colocar em manifesto a força ou a masculinidade usamos, “é um macho”, “esse é um homem de verdade” ou “coisa de cabra macho“. No entanto, por outro lado, os femininos desses adjetivos têm uma conotação muito mais negativa para as mulheres “é uma piranha”, “essa é uma vaca” e “parece uma vadia”. Enquanto uma mulher pode agir como “uma menina”, um garoto pode ouvir “seja homem”. Nós realmente somos conscientes disso?

Sexismo benevolente

Quando marcamos um encontro e vamos entrar em um estabelecimento, cuidado com o cavalheirismo exagerado! Uma coisa é que o homem abra a porta para que a mulher passe na frente (“as damas primeiro”). E outra é que, em qualquer outra ocasião, seja a mulher que deixe o homem passar na frente e ele se negue rotundamente a fazer isso. Aqui existe um problema. Ele é conhecido como sexismo benevolente e, infelizmente, faz parte dos nossos hábitos.

No entanto, esse comportamento de deixar passar as damas na frente também pode ser uma péssima jogada para os homens. Muitas vezes é considerado por elas como uma forma de discriminação sexista, e eles são tachados de machistas ou paternalistas. No entanto, nada mais distante da realidade. A educação não é desvalorização.

Garçom servindo casal

Elogio sexista

Alguém deveria se sentir elogiado pelo fato de um desconhecido avaliar seu físico em público? Ele tem que gostar ou se importar de receber a opinião de alguém em plena rua ou em voz alta?

Esta forma de sexismo é sofrida muito mais pelas mulheres. É comum que elas escutem elogios ou comentários abusivos em plena rua de trabalhadores da construção subidos em andaimes. E, apesar de poder parecer lisonjeiro receber esses elogios, muitas mulheres temem andar por certos lugares ou percorrer sozinhas algumas ruas.

Sexismo no trabalho

Há pouco tempo surgiu esta notícia na Espanha: “De 8 de novembro até 31 de dezembro as mulheres trabalham gratuitamente”. A disparidade salarial é tão presente que elas ganham em média quase 6.000 euros a menos que os homens por ano. Por isso, elas acabam trabalhando aproximadamente mais de 50 dias grátis para o Estado ou a sua empresa, conforme cada caso. Exemplo esclarecedor, não é?

A nível internacional, também existem muitos casos. Um dos mais chamativos foi o de Harvey Weinstein, um dos maiores empresários dos Estados Unidos. O produtor cinematográfico de filmes como Pulp Fiction e O paciente inglês foi acusado de abuso sexual por inúmeras mulheres. Muitos críticos falam desse fato como uma discriminação sexista profissional que provocou uma verdadeira mudança cultural.

Mulher com a boca tampada

Cientistas esquecidas

O número de estudantes mulheres nas áreas de ciências ainda é muito menor que o dos homens. Vocês acham que isso é genético ou cultural? As meninas têm que brincar com bonecos e os meninos montar construções? Rosa ou azul? Esta polaridade é fruto das crenças estabelecidas que mencionamos antes.

Um exemplo é o Efeito Matilda, que se refere à ausência de reconhecimento do trabalho científico das mulheres. Desde 1901, os homens obtiveram 97% dos Prêmios Nobel, e a causa disso não foi a falta de candidatas.

Desvalorização esportiva

As seções de esportes dos telejornais ocupam apenas um terço do tempo total. Alguns atribuem isso a uma falta de investimento, mas a discriminação sexista não começa nem termina por aí.

As mulheres são incluídas como decoração, por exemplo, nas competições de motos. Além dessa objetificação, já se duvidou da sua competência para dirigir homens só pelo fato de serem mulheres (Gala Léon, como capitã da Federação Espanhola de Tênis). Os comentários sobre o seu físico, idade ou estado civil recebem muito mais protagonismo do que os seus méritos. Sem dúvida, o recorde da igualdade é o único que ainda falta ser derrubado.