Fusão da identidade: relação entre a identidade pessoal e a identidade social

Fusão da identidade: relação entre a identidade pessoal e a identidade social

agosto 12, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
A fusão da identidade

A fusão da identidade é um tipo de identidade que relaciona outros tipos de identidades. Para entender melhor, devemos pensar que todos nós temos, pelo menos, duas identidades: uma identidade pessoal e uma, ou várias, sociais. Nossa identidade pessoal está relacionada diretamente com a nossa personalidade: podemos ser mais extrovertidos, mais amáveis, menos neuróticos, etc.

Enfim, nossa identidade pessoal vai ser formada por diferentes características que nos definem. Por outro lado, as identidades sociais correspondem aos grupos aos quais nós pertencemos. Por exemplo, a família, o país, a religião, a etnia, o time esportivo, etc. Estas identidades têm normas, valores e papéis.

Como nós nos comportamos? Atendendo às características da personalidade ou às normas do nosso grupo? Entende-se que isso vai depender de qual das identidades estiver ativa. Normalmente, vai ser a nossa identidade pessoal, por isso vamos nos comportar conforme for a nossa personalidade. Porém, em algumas ocasiões, o grupo é mais importante, e vamos agir segundo o papel que tivermos no grupo e as suas normas. Por exemplo, quando o nosso grupo se sentir ameaçado.

A fusão da identidade no grupo

Problema de integração das identidades

A relação entre a identidade pessoal e social, que já explicamos anteriormente, gera alguns problemas:

  • A motivação é o que induz os nossos comportamentos. Por um lado, se a motivação deriva do “eu pessoal”, o comportamento atenderá à nossa personalidade. Por outro lado, se a motivação provém do grupo “eu social”, o comportamento estará determinado pelas normas e os papéis do grupo.
  • Os membros de um grupo definem a si mesmos em função de sua identidade social. Portanto, os membros do grupo são considerados equivalentes. Por exemplo, em muitos grupos, uma pessoa ocupa o papel de engraçado e, como membro do grupo, não importa que essa função seja dessa pessoa ou de outra. O importante é que alguém, independentemente de quem for, ocupe o papel de engraçado.
  • O grau com o qual nos identificamos com o grupo vai depender do contexto, e as mudanças farão com que nos adaptemos mais ou menos a ele. Por exemplo, se nosso time esportivo ganha uma competição importante, a identidade social (com esse time) será bem forte. No entanto, com o passar do tempo, essa identidade vai ficando mais fraca.

A fusão da identidade

A relação entre ambos os tipos de identidade, como foi demonstrado, tem limitações que não podem ser explicadas sem apelar para a outra identidade. Esta é a fusão da identidade que se define como um sentimento visceral de unidade com um grupo. Nas pessoas com identidade fundida, a união com o grupo é tão forte, que os limites entre a identidade pessoal e a social se tornam muito permeáveis. O que isso significa? Que, apesar de estar ativa como uma das identidades, a primeira pode afetar a segunda. Por exemplo, ao questionarem a nossa personalidade, isso vai levar as pessoas que têm a identidade fundida a defender o seu grupo.

Esta nova relação entre as duas identidades leva à formação de um forte senso de conexão com o grupo. Ele, por sua vez, alimenta a motivação das pessoas com a identidade fundida a fazer pelo grupo o mesmo que elas fariam por si mesmas. Ao mesmo tempo, as relações pessoais com os membros do grupo também são fortalecidas.

A fusão da identidade

Princípios da fusão da identidade

As principais características ou princípios da fusão de identidade são quatro:

  • O primeiro princípio é o da agência pessoal, e ele propõe que as ações das pessoas fundidas reflitam tanto a sua identidade pessoal quanto a social. Neste caso, os membros do grupo não serão substituíveis, porque eles são valorizados tanto na sua personalidade quanto no seu papel dentro do grupo.
  • O segundo princípio é o de sinergia da identidade. Este princípio sugere que a identidade pessoal e a social podem chegar a se combinar, sendo substituídas por uma alta motivação para fazer coisas em benefício do grupo. Estas pessoas vão ser as primeiras a colaborar, e qualquer elogio vai fazer com que elas contribuam mais, tanto no nível pessoal como no grupal.
  • O terceiro principio é o dos laços de relacionamento. Segundo este princípio, as pessoas fundidas que têm as identidades pessoais e sociais muito fortes pensam que os outros membros do grupo também as possuem. Assim, elas irão valorizar os membros do grupo pela sua personalidade e identidade social, por isso criarão relações muito fortes.
  • Por último, nos deparamos com o princípio da irrevocabilidade. De acordo com a irrevocabilidade, a fusão de identidade vai se manter independentemente do seu contexto. Os laços que nós tivermos formado com os outros membros do grupo vão reforçar o sentimento de fusão, fazendo com que eles se tornem permanentes. Além disso, apesar de possuirmos várias identidades sociais, a fusão só acontece com um grupo. Esta exclusividade nos faz renunciar a desenvolver fortes identidades com outros grupos e, assim, a fusão se mantém.

Resumindo, as relações entre a identidade pessoal e a social costumam ser excludentes, uma ou outra se mantém ativa. No entanto, em algumas pessoas, estas identidades se fundem e se retroalimentam, fazendo com que estas pessoas façam mais coisas em favor do grupo. Portanto, os comportamentos dependerão, em grande medida, da condição de que a nossa identidade esteja fundida ou não.

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