Habilidades terapêuticas relevantes na psicoterapia

setembro 25, 2019
As habilidades terapêuticas definem em grande parte a qualidade de um profissional. Por isso, neste artigo, queremos contar as mais importantes, juntamente com o envolvimento delas na estrutura da terapia.

As habilidades terapêuticas são uma ferramenta essencial e imprescindível para o trabalho na terapia. Os psicólogos ou psicoterapeutas, portanto, precisam aprender tais habilidades e colocá-las em prática nas sessões, assim como fazem com as técnicas psicológicas endossadas.

O conceito de aliança terapêutica, originado no modelo psicodinâmico, foi introduzido por Bordin há várias décadas. Pode ser conceituado como um ingrediente de mudança essencial em qualquer modelo terapêutico. Ou seja, é um ingrediente que deve estar presente durante todo o tratamento se quisermos que ele realmente funcione.

Os componentes dessa aliança terapêutica são três: o vínculo entre cliente e terapeuta, determinado pelo tom emocional e pela colaboração; o acordo sobre os objetivos a serem alcançados e o acordo sobre as tarefas para atingir esses objetivos.

Outros autores, como Rogers, da terapia humanista, sugerem que os ingredientes que devem estar presentes em todas as terapias são a autenticidade ou congruência do terapeuta, a aceitação incondicional do cliente e a empatia.

De fato, Rogers pensava que esses componentes eram necessários e suficientes para que a mudança ocorresse. Além da aliança essencial, também são necessários outros tipos de habilidades que favorecem a criação da aliança.

Uma das habilidades terapêuticas mais importantes é a capacidade do psicólogo de estabelecer uma boa aliança ou “relacionamento” com o seu paciente.

Habilidades terapêuticas relevantes na psicoterapia

Habilidades terapêuticas importantes em um terapeuta

Para estudar as variáveis ​​a serem consideradas no uso das habilidades terapêuticas, é obrigatório o estudo de Sloane et al. (1975) sobre a importância que os pacientes atribuem a essas variáveis ​​e que consideram a razão do sucesso. Elas foram agrupadas em cinco:

  • A personalidade do terapeuta.
  • Sua capacidade de ouvir.
  • A maneira do terapeuta de encorajá-lo gradualmente a praticar o que o incomodava.
  • A capacidade do terapeuta para falar de uma maneira que seja entendida.
  • A ajuda oferecida pelo terapeuta para entender a si mesmo.

Outros autores, como Ackerman e Hilseroth (2003), realizaram uma revisão das publicações sobre esse assunto e descobriram que as características do terapeuta que favorecem a aliança são:

  • Flexibilidade: aceita e adapta sua forma de se comunicar à situação e ao paciente à sua frente.
  • Experiência: mostra ter experiência clínica.
  • Honestidade: o paciente o percebe sendo sincero.
  • Respeito: respeita os valores e a forma de se expressar e se comunicar do paciente.
  • Lealdade: é confiável.
  • Autoconfiança: o paciente percebe que o terapeuta sabe o que está fazendo.
  • Interesse pelo paciente e pelo seu problema.
  • Atenção: observa o que acontece na sessão. Ou seja, as manifestações verbais e não verbais do paciente.
  • Proximidade: o paciente o percebe próximo.
  • Calor: carinhoso, afetuoso.
  • Mente aberta: compreensivo com outros pontos de vista.

Atualmente, pode-se concluir que há muitas informações sobre a importância das características do terapeuta nos resultados do tratamento.

Estudos indicam que a eficácia do tratamento e a redução das sessões são significativamente maiores quando essas estratégias são usadas do que quando não são realizadas.

O que acontece nas sessões?

Aproximadamente metade dos pacientes que recorrem ao tratamento o abandonam na primeira sessão. Portanto, as primeiras sessões são cruciais para decidir se haverá ou não continuidade.

Alguns estudos revelam que a primeira entrevista em que o paciente e o terapeuta se veem pela primeira vez é decisiva na maioria dos casos.

Assim, os terapeutas que “ganham” os pacientes para continuar o tratamento mostram uma maior facilidade verbal e habilidade de diagnóstico.

Se isolarmos os fatores alheios ao tratamento, como as possibilidades financeiras dos pacientes ou os deslocamentos para participar da sessão, os autores concordam em apresentar duas razões fundamentais que explicam os abandonos.

Essas são, por um lado, as características pessoais do terapeuta e sua falta de interesse na abordagem de intervenção proposta. Por outro lado, que o paciente acredite ter melhorado de forma suficientemente significativa para decidir não continuar.

O momento oportuno para estabelecer uma boa aliança com o paciente é entre a terceira e a quinta sessão de terapia. No entanto, a possibilidade de abandono surge antes que esse vínculo possa ser estabelecido. Nesse sentido, a personalidade do terapeuta pode contribuir muito para evitar que o paciente o abandone.

Em relação ao abandono precoce, estudos sugerem que são as habilidades verbais dos terapeutas que influenciam o sucesso final do tratamento, a ponto de o número de desistências ser significativamente menor nos terapeutas que possuem essas habilidades.

Portanto, à luz dos estudos, é importante que os terapeutas aprendam habilidades úteis para a terapia. Não basta ter um conhecimento bom ou amplo, é preciso saber quando colocá-lo em prática, como apresentá-lo e para que tipo de paciente. Nesta tarefa tão precisa, treinar ajuda muito.

  • Vallejo, P, M.A. (2016). Manual de Terapia de Conducta. Editorial Dykinson-Psicología. Tomo I.