Hipófise, nossa fascinante glândula mestra

· junho 16, 2018

A hipófise possui quase o tamanho de uma ervilha, mas a importância que possui em nosso corpo é imensa. É a “glândula mestra”, nosso centro de comunicações hormonais, e o terceiro olho capaz de orquestrar processos endócrinos tão relevantes quanto os relacionados à tireóide, às glândulas suprarrenais e aos nossos órgãos reprodutivos.

Não erramos se dissermos que tudo que envolve esta pequena estrutura é fascinante. Está localizada na base do cérebro, em um espaço ósseo conhecido como “cadeira turca”. Pesa pouco mais de 500 miligramas e, no caso das mulheres que deram à luz várias vezes, seu peso pode chegar a 700 miligramas.

A hipófise, ou glândula pituitária, é uma pequena estrutura de nosso encéfalo que regula grande parte de nossos processos hormonais.

Sua relevância químico-hormonal é indiscutível. A hipófise mantém a homeostase endócrina graças a uma interação constante com o hipotálamo. Sua função em nosso organismo é tão decisiva que até mesmo o mundo espiritual sempre deu grande importância a essa glândula. Dentro deste contexto (não-científico) é considerada o chakra frontal, o terceiro olho que concentra nossa energia, sabedoria e paz interior.

Os enigmas do cérebro

Hipófise ou glândula pituitária, qual a sua finalidade?

Coordenação, equilíbrio e harmonia. Estas são as três principais palavras que definem a hipófise ou glândula pituitária. Estamos diante de uma pequena estrutura que funciona em perfeita coalizão com o cérebro e, em particular, com todos os sentidos que interagem com o nosso entorno. Analisemos um exemplo. Estamos no trabalho e nosso chefe nos pede de repente para entregar uma tarefa que ainda não concluímos.

Depois dessa mensagem, o tálamo envia um sinal de “alarme” à nossa hipófise. Em seguida, esta iniciará uma sofisticada concatenação de processos para nos motivar, conferir força, ativação e capacidade de reação para concluir a tarefa e cumprir o objetivo o quanto antes. Assim, o que a hipófise fará é secretar uma série de hormônios na corrente sanguínea para facilitar essa resposta durante um certo tempo.

Como podemos ver e intuir, esta glândula tem uma relação próxima com o nosso mundo emocional. De fato, foi Descartes quem, admirado por sua localização no cérebro (bem no centro), disse na época que essa pequena glândula devia ser a sede de nossa alma. É claro que tal afirmação tem pouca importância científica. No entanto, dada a grande relevância que as emoções têm em nossas vidas, não podemos subestimar sua transcendência inegável.

As duas partes da hipófise

Talvez até agora tenhamos imaginado a hipófise como uma glândula de estrutura única, semelhante a uma ervilha. A realidade é diferente: é formada por dois lobos muito específicos. Vejamos em detalhes para entender suas funções.

Adeno-hipófise

É o lobo anterior da hipófise e forma o que é conhecido como a bolsa de Rathke. Sua função é secretar vários hormônios através de um conjunto de células:

  • Células somatotrópicas que secretam GH (estimulante do crescimento).
  • Células lactotróficas que secretam PRL (estimulante da produção de leite nas glândulas mamárias e progesterona no corpo lúteo).
  • Células corticais que secretam ACTH (relacionadas às glândulas suprarrenais).
  • Células gonadotrópicas que secretam LH e FSH (relacionadas à nossa reprodução).
  • Células tireotróficas que secretam TSH (relacionadas à tireóide).

Hipotálamo e hipófise

Neuro-hipófise

A outra parte da hipófise é a neuro-hipófise. Sua função é tão complexa e relevante quanto sua outra metade. A neuro-hipófise regula um dos hormônios mais importantes que possuímos: a oxitocina. Da mesma forma, também é responsável pela regulação de outro hormônio: o antidiurético (ADH) ou vasopressina.

Patologias associadas à glândula pituitária

Conhecemos a relação existente entre a hipófise, nossas emoções e o equilíbrio endócrino que essa glândula regula e favorece de maneira tão eficaz. Agora, esta pequena estrutura está localizada em uma formação óssea muito pequena. Às vezes, por estar cercada por várias estruturas vasculares e nervosas, é comum que seja pressionada e alguns problemas apareçam. Também são comuns tumores localizados nessa parte do cérebro.

Assim, os principais distúrbios associados à hipófise são baseados em se ela produz um excesso de hormônios ou, ao contrário, um déficit. Em caso de superprodução, as seguintes doenças podem se desenvolver:

  • Acromegalia.
  • Gigantismo.
  • Síndrome de secreção inadequada do hormônio antidiurético (SIADH).

Se houver uma baixa funcionalidade da hipófise, outros distúrbios hormonais geralmente aparecem.

  • Problemas no hormônio do crescimento.
  • Diabetes insípidus.
  • Síndrome de Sheehan.
  • Hipopituitarismo.

Para concluir, a hipófise é mais do que apenas a glândula mestra. Muitos a consideram a rainha de nossos processos hormonais, a encarregada de dirigir a orquestra endócrina onde qualquer pequena alteração, como já sabemos, traz algumas consequências. No entanto, geralmente esta glândula pituitária funciona de forma eficaz ao longo de nossa vida, regulando nosso equilíbrio interno necessário.