A história do amor

· outubro 23, 2015

Às vezes o amor não é o que pensamos. Não é um “preciso de você”, mas sim um “escolho você”. É uma força tão pessoal e própria que só tem significado para dois. Por essa razão, naquelas noites nas quais nos lembramos dele, devemos compreender que mantê-lo com vida é uma tarefa bastante difícil, que depende, em grande medida, do que exigirmos dele.

“Em qualquer relação humana na qual duas pessoas se transformam em uma, o resultado será duas meias pessoas”

– Wayne E. Dyer –

O amor idealizado, o amor que aprendemos a admirar, é o dos filmes da Disney, das novelas, de Romeu e Julieta, aquele amor do “Eu morro por você, e você por mim”. Mas, na realidade, não devemos morrer por amor, devemos viver amando, amando a nós mesmos. Amando o que somos quando sentimos amor, quando nos amamos e somos queridos, sem desculpas, sem correntes, sem algemas e, acima de tudo, sem pressa…

Aprendemos a louvar o amor do “Era uma vez…” sem nos darmos conta de que ele é desigual e não faz jus à realidade. Viver neste erro faz com que nos sintamos frustrados e com que joguemos no lixo, sem pensar duas vezes, aqueles sentimentos que foram tão difíceis de cultivar.

A história que trazemos hoje reflete fielmente isso. Não, o amor não é um mar de rosas. Também se chora por amor, também se briga e também se morre. Querer e amar também decepciona e gera marés e naufrágios em alto mar. Mas, assim como o amor não é somente uma felicidade absoluta, também não é tudo que consideramos amor.

Uma reflexão sobre o amor

“Te moldarei”, disse o machado ao pedaço de ferro enquanto batia com toda sua força sobre um de seus lados. Mas a cada batida que dava, ia perdendo seu fio de corte, até que, depois de um momento, aquela ferramenta não servia mais… havia ficado completamente cega.

“Deixe comigo”, disse o serrote enquanto cravava seus dentes no pedaço de ferro, dentes que foram desaparecendo um por um.

“Eu me encarregarei de modelá-lo”, disse com arrogância o martelo, enquanto tirava sarro de seus companheiros que haviam fracassado. Mas, depois de várias batidas, quebrou o punho e desprendeu sua cabeça.

“Vocês me permitem tentar?”, disse humildemente uma pequena chama. Os três caíram nas gargalhadas, mas permitiram, pois estavam convencidos de que ela também ia fracassar. No entanto, aquela pequena chama cobriu o pedaço de ferro; não se desprendeu dele, o abraçou e o queimou até que conseguiu dar a forma que queria. Aquela pequena chama conseguiu o que as outras três poderosas ferramentas não puderam conseguir…

Há, no mundo, corações tão duros que podem resistir às pancadas da raiva, aos dentes do rancor, às batidas do orgulho e da rejeição; mas, por mais severo que seja o coração da pessoa, não poderá resistir às investidas do amor, pois o amor é a força mais poderosa do mundo.

Às vezes, em nosso caminho, nos encontramos com corações forjados de ferro no frio ardor da batalha, que precisam da suavidade do amor para alcançar a plenitude. Nesses momentos, nosso aprendizado errôneo sobre o amor pode chegar, até mesmo, a destruí-lo.

Wayne E. O Dyer, em uma visão dependente do amor, afirmou que “Em qualquer relação humana na qual duas pessoas se transformam em uma, o resultado será duas metades”.

Mas preciso dizer que buscar sua metade da laranja é uma tarefa impossível, ou, em boa parte, complicada; pois não existem meias laranjas no mundo. Se você empreender essa busca, vai encontrar apenas frustração e dor. Pelo mundo, há laranjas inteiras, laranjas que rodam por aí sozinhas e que, de vez em quando, se chocam e começam a caminhar juntas.

O amor é uma arte que precisa ser compreendida. É uma arte e, como arte, não se mede pelo tempo, não é uma data nem dois corpos. É o ofício universal que presta seus serviços para toda a humanidade; é a criança que todos levamos dentro de nós e de quem aprendemos a cuidar e a tratar, para não destruir a parte que nos mantém vivos, inclusive quando estamos em chamas.