A crueldade advinda da falta de amor: a história de Ivan, o Terrível

A crueldade advinda da falta de amor: a história de Ivan, o Terrível

março 27, 2017 em Psicologia 439 Compartilhados
A crueldade advinda da falta de amor, a história de Ivan, o Terrível

O que leva uma pessoa a torturar outras e cortá-las em pedaços? O que leva uma pessoa a essa crueldade e ficar impávida diante de suas próprias atrocidades e ainda se divertir com elas? Esta é a história de Ivan, o Terrível.

A infância de uma pessoa pode marcá-la por toda a vida. Nossas primeiras vivências, a relação que temos com os que nos rodeiam e exemplos e aprendizados que recebemos nos acompanham pelo resto vida, para o bem ou para o mal.

Por isso o amor é tão importante. Não é em vão que se diz que “o amor move o mundo”, e é certo que o amor é o motor das melhores realizações da humanidade, assim como o ódio é o responsável pelas maiores atrocidades cometidas ao longo da história.

Queremos apresentar um caso ilustrativo de como a infância pode marcar terrivelmente uma pessoa usando como exemplo Ivan, o Terrível.

A história de Ivan, o Terrível

Ivan vive no imaginário coletivo mais precisamente por seu apelido “O terrível”, algo que a princípio foi resultado de uma tradução errônea do russo “o estrito”, mas não foi em vão que permaneceu como “O terrível”. Infelizmente, o título serviu perfeitamente para ilustrar as atrocidades que esse homem cometia.

Tudo começou em sua infância. Com somente 3 anos de idade ele perdeu seu pai e se transformou em “Grande Príncipe de Moscou”. Ainda que sua mãe ostentasse o poder, ela morreria 5 anos mais tarde, provavelmente envenenada por clãs boiardos que disputavam o poder entre si.

A partir de então, os boiardos ficaram responsáveis por sua educação. Eles utilizaram todo tipo de humilhações contra ele, durante toda sua infância o maltrataram, o humilharam, o machucavam por diversão e o mantinham em reclusão, vivendo quase igual a um mendigo dentro do Kremlin.

Tudo que Ivan sofreu durante a infância se refletiu em seu primeiro ato de crueldade aos 13 anos. Ele ordenou despedaçar a um de seus inimigos lançando-lhe uma matilha de cães. Sua impotência se converteu em ira e se refletiu em maus-tratos aos outros ao seu redor. Ivan então começa a ser respeitado pela sociedade russa.

Pouco a pouco seu caráter sombrio vai sendo moldado; a infância vivida; a tristeza por ter um irmão com uma doença mental, por quem tinha muita estima, e a morte de sua amada esposa Anastácia, seguem deixando cicatrizes profundas em Ivan.

Ivan perde sua esposa

Mesmo que Ivan tenha se casado 7 vezes, amou somente a sua primeira esposa, Anastácia, que ficou doente e morreu em pouco tempo. Naquela época ninguém deu razão a Ivan, mas com o tempo e posterior investigação da causa da morte da sua esposa, a verdade acabou vindo à tona. A análise do corpo de Anastácia confirmou um envenenamento através de doses de mercúrio, até provocar sua morte.

Com a morte de sua esposa Ivan se transforma, mudando ainda mais seu comportamento e fazendo jus ao título de “terrível”. Ele estava sempre receoso diante de tudo e todos. Sua esposa foi a única pessoa em quem sempre confiou, e a mataram.

Como todos sabemos, nossa cabeça rege nossos atos, e apesar das aspirações de Ivan de conquistar o Báltico, seus sonhos nunca se tornaram possíveis. Em Ivan faltava tudo o que tinha sua rival e invejada cidade Novgorov. Era conhecida pela educação e bons modos de todos seus habitantes, qualidades que a haviam tornado famosa em toda a região.

Tinham um bom comércio e seus comerciantes construíam igrejas para pedir de forma amorosa ajuda a Deus, para que seu comércio fosse próspero. Ivan ataca e devasta a cidade, torturando, decapitando e empalando muitos de seus habitantes; as investigações modernas estimam a morte de 2000 a 3000 pessoas.

Poucas coisas podem realmente ser conquistadas pela força. A verdade é que, diante de tanta impotência. Ivan não fez nada diferente daquilo que vivenciou e experimentou durante toda a sua vida, empregando a crueldade.

Ivan, o Terrível, mata seu próprio filho

Ivan está cada vez mais sem o juízo perfeito, e seu último ato de terror é o assassinato de seu filho. Ivan presencia um dia sua nora vestida de maneira inapropriada. Seu filho encolerizado o enfrenta e Ivan, invadido pela ira que o caracteriza, o agride até matá-lo. Só a fúria, a agressividade e o ódio que envolvem uma pessoa em um dado momento podem fazer com que ela cometa atrocidades como esta, matar seu próprio filho, conforme afirmam os especialistas.

200 anos mais tarde Pedro, o Grande consegue tudo que Ivan não pôde fazer pela força e a loucura: modernizar e construir São Petersburgo.

A moral de toda história é: só se constrói com amor.

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