Homero, a biografia do grande poeta épico

· abril 26, 2019
Homero foi um grande poeta épico da Antiguidade Grega. A autoria de 'Ilíada' e 'Odisseia' é atribuída a ele. Graças a essas duas obras, ele é considerado um dos pilares da literatura ocidental moderna, seja como fonte de inspiração ou historiográfica.

Homero é conhecido por ser um dos primeiros poetas da Grécia Antiga. Ou, pelo menos, um dos primeiros de quem temos conhecimento. Devemos considerar que, quando falamos de obras da Antiguidade Clássica, a maioria foi perdida ou chegou até nós somente em fragmentos.

Na Antiguidade não existia impressão e a forma de transmissão e conservação dos textos escritos era difícil. Após a queda do Império Romano, perdeu-se grande parte dos textos escritos, ainda que, na época medieval, os monastérios tenham se encarregado de traduzir e copiar textos grecolatinos.

Acreditase que houve aproximadamente 800 autores em Roma, dos quais só conhecemos cerca de 140. Por isso, a tarefa de traçar e delimitar as obras e autores da Antiguidade é verdadeiramente difícil.

Dessa forma, é complicado saber com certeza a autoria de muitas das obras mais conhecidas. No caso de Homero, são atribuídas a ele as duas principais poesias épicas gregas: Ilíada e Odisseia, no século VIII a.C.

Para muitos historiadores e letrados, Homero abriu as portas do Ocidente para a criação literária. Além disso, apresentou a mitologia grega e, graças a ele, nós podemos ter uma ideia de como era a sociedade grega na época em que viveu.

Portanto, quando se fala em Homero, nos referimos ao nascimento da literatura ocidental, fonte histórica e etnográfica, exemplo a seguir como grande sábio de sua época.

Quem foi Homero?

Embora suas duas grandes obras tenham sido profundamente estudadas, não se sabe muito sobre a biografia de Homero. Como acontece com inúmeros autores de seu período, temos pistas e suposições, mas não podemos afirmar nada com segurança.

Existem indícios de sua origem em textos históricos posteriores a sua época, mas em alguns casos, tais textos se contradizem.

Portanto, considera-se que a maior parte das biografias de Homero que circularam na Antiguidade não contêm dados fidedignos sobre o poeta. No entanto, os historiadores atuais admitem que Homero procedia da região colonial jônica da Ásia Menor, baseando-se nos traços linguísticos de suas obras.

Realidade e ficção são muito unidas em sua figura e também em sua obra. Na Antiguidade, Ilíada e Odisseia foram consideradas como textos históricos, que narravam acontecimentos reais. Por essa razão, não é estranho que existam contradições sobre a sua biografia.

Escultura de Homero

Assim, a figura de Homero se confunde entre realidade e história. Por isso, ele é comumente caracterizado como um poeta cego que percorria o mundo helênico em algum momento do século VIII antes de Cristo.

Em suas viagens, exercia a profissão de recitar seus poemas épicos para aqueles que o escutassem. Seus espectadores iam desde os moradores de uma cidade simples que se amontoavam em uma praça à nobreza reunida em grandes teatros dentro de um palácio.

Devemos ter em conta que a transmissão literária foi, em sua grande maioria, oral. Essa oralidade impediu a conservação de muitos textos, não só da época clássica, mas também das épocas medievais.

O épico é um gênero literário no qual são narradas as façanhas do herói. A finalidade desse gênero é de valorizar os valores de um povoado, por isso, teve seu auge na Antiguidade e se manteve (apesar de certas mudanças) no período medieval.

Algumas dessas poesias nunca passaram para o meio escrito ou se perderam com o tempo. Ilíada e Odisseia, além de terem sobrevivido, foram imitadas e consideradas grandes modelos da Antiguidade durante séculos. Aí reside, definitivamente, a importância de Homero.

Dúvidas sobre a sua existência

Graças às minuciosas análises que foram feitas da Odisseia e da Ilíada, surgiu a dúvida de que, talvez, Homero não tenha existido como um único indivíduo. Há quem diga que Homero seria uma espécie de pseudônimo sob o qual se agrupavam diversos autores desconhecidos. Essas dúvidas sobre a sua existência receberam o nome de questão homérica.

No debate entre pesquisadores da literatura homérica, existem duas grandes perguntas:

  • Quem foi ou foram os autores de Ilíada e Odisseia? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores se separam em dois grupos.
    • Por um lado, encontramos aqueles que acreditam que as obras foram escritas por vários autores, dada a sua extensão, anacronismos, e os usos de diferentes técnicas literárias e variações da língua grega, presentes ao longo das duas obras.
    • Por outro, temos aqueles que consideram que seu autor foi uma pessoa que se encarregou de criar a obra ao compilar e sintetizar histórias orais.
  • Como elas foram feitas? Em resposta a essa pergunta, existe um maior consenso entre os pesquisadores.
    • Considera-se que a obra, seja ela de autoria individual ou coletiva, foi produto da compilação de composições orais populares da época. Composições que foram transmitidas através de várias gerações e que foram sintetizadas por escrito em Ilíada e Odisseia sob o nome de Homero.

O legado de Homero para a cultura ocidental

Apesar destes debates, é inegável que Homero e suas obras são os pilares da literatura ocidental. Qualquer um que estude literatura ou história da arte sabe que Homero é o primeiro nome que aparece na cena literária.

Homero foi imitado ainda na Antiguidade: a Eneida, a grande epopeia do Império Romano, é uma espécie de releitura das obras de Homero.

Poucas disciplinas humanas podem escapar da obra de Homero. Da literatura à filosofia, passando pela arqueologia e a história, todas citam constantemente Homero, seja como fonte de inspiração ou como fonte histórica para estudar a Grécia Antiga.

Pintura grega antiga

Reduzir a obra de Homero a apenas Ilíada e Odisseia seria simplificar demais sua produção. Na atualidade, outras obras são atribuídas a ele. Por exemplo, a paródia cômica que leva o nome de Batracomiomaquia –  A Batalha dos Sapos e Ratos. Também considera-se que escreveu os hinos homéricos e outras obras fragmentadas, como Margites.

Pode-se dizer que, em toda a sua obra, Homero plasmou a sociedade grega do fim da época arcaica (século VIII a.C.). Uma sociedade baseada no caudilhismo, na qual a escravidão e os sacrifícios aos deuses existiam. Também descreve tribunais de justiça e uma sociedade com certos valores éticos fundamentados no respeito às mulheres, idosos, mendigos e aos cadáveres dos inimigos.

Definitivamente, estamos diante de um autor que conseguiu sobreviver ao passar do tempo. Um autor cuja leitura continua sendo fundamental na atualidade, seja nas salas de aula ou fora delas. Homero, seja qual for sua identidade, será mantido como o grande poeta épico da Antiguidade.

  • Carlier, Pierre (2005). Homero. Madrid: Ediciones Akal.