Ikigai: a arte que o levará a descobrir os seus propósitos de vida

· setembro 28, 2017

Ikigai é uma palavra japonesa que se traduz como “a razão de ser” ou “aqueles objetivos de vida que nos fazem levantar todas as manhãs”. Para os japoneses, todos nós carregamos o nosso próprio ikigai no nosso interior e é essencial descobri-lo, torná-lo nosso e carregá-lo como bandeira. Porque, dessa forma, conseguiremos nos comprometer com nós mesmos para enfrentar qualquer dificuldade.

Muito além do que podemos pensar, poucos princípios psicológicos e existenciais podem ser tão básicos no nosso dia a dia como esse que representa este termo, esse conceito. Encontrar um significado para a própria vida, ter uma série de propósitos é a chave para se afastar da desesperança e é, antes de tudo, um substrato terapêutico para lidar com uma das doenças atuais mais devastadoras: a depressão.

“O propósito da vida é descobrir o seu presente, tudo o que está dentro de você e como você pode utilizá-lo.”
 – William Shakespeare –

Muitos dos nossos problemas psicológicos podem ser enfrentados com a ajuda do ikigai que, às vezes, está tão escondido, reprimido e até silenciado dentro de nós. Ele nos ajuda a recuperar o ânimo, a vontade, a motivação para viver melhor. Sabe-se, por exemplo, que uma boa parte de nossos transtornos afetivos apresentam uma melhora efetiva quando a pessoa começa a se comprometer consigo mesma, fazendo simplesmente aquilo que gosta, o que a identifica.

Aos poucos, todo esse conjunto de pensamentos e crenças positivas atua como verdadeiros amortecedores das ideias suicidas, das crenças limitantes e até dos medos. No entanto, não é nada fácil comprometer-se com nosso ikigai, com os nossos propósitos de vida. Os japoneses nos lembram que devemos ser como um guerreiro leal e corajoso que cumpre um objetivo muito específico: manter a nossa integridade e essa afinidade com a nossa própria essência.

Ikigai

O ikigai só deseja uma coisa: agitar a sua passividade

Sebastian Marshall é um conhecido escritor que nos presenteou há alguns anos com um livro com um título muito simples: Ikigai. Podemos dizer que, entre todas as publicações sobre este assunto, o conteúdo que esse autor nos traz é, sem dúvida, um dos mais impactantes e talvez o que mais se afasta desses princípios doces e fáceis associados ao crescimento pessoal.

Ele nos explica em primeiro lugar que o nosso mundo está cheio de caluniadores. A sociedade nos convida desde muito pequenos para sermos felizes, no entanto, à medida que crescemos, a única coisa que encontramos é uma “rasteira” após a outra.

A primeira lição que devemos aprender é não desejar a mesma felicidade que “supostamente” os outros possuem. Na maioria das vezes, ela não é real. Se ficarmos obcecados por ter e fazer o mesmo que as pessoas que nos rodeiam, seremos como 99% da população. No entanto, se nos atrevermos a agir de acordo com os nossos sonhos, desejos e propósitos de vida, seremos únicos, seremos os 1% que aspirarão a satisfação verdadeira.

Algo assim só será alcançado de uma forma: saindo da nossa passividade e encontrando o nosso próprio ikigai. Uma vez que o encontramos e o definimos, várias coisas acontecerão. A primeira é que seremos mais contestadores, e isso é bom. O segundo é que, finalmente, estaremos cientes do nosso próprio potencial para transformá-lo em um “material explosivo”e deixar definitivamente esses ambientes áridos onde apenas uma coisa cresce: o mal-estar.

Guerreiro samurai

Como encontrar os meus objetivos de vida?

Muitos de nossos leitores podem achar que é uma pergunta irônica. Quem não sabe quais são os seus objetivos de vida? Por mais curioso que pareça, nem todos os nossos objetivos são claros. Muitas vezes temos metas, ideais e objetivos um tanto distorcidos ou impregnados por valores que não são nossos. O peso da nossa educação, o ambiente familiar e social nos definem de uma forma que nem sempre estamos plenamente conscientes.

O ikigai sempre esteve aí, embora muitas vezes deixemos de nos comprometer com ele, optemos por silenciá-lo e ignorá-lo. Acreditamos que ninguém vai nos entender, que seremos criticados ou incompreendidos pelas pessoas ao nosso redor…

Precisamos parar de adiar aqueles objetivos que acalmam a nossa alma, as necessidades, prazeres e paixões que nos identificam e que poderiam definir o nosso estilo de vida. Não é fácil, mas podemos alcançá-lo. Neste artigo, explicaremos como definir o seu Ikigai.

A explicação do Ikigai

7 chaves para moldar seu ikigai

O ikigai é moldado pela intersecção de quatro dimensões básicas: a sua paixão, a sua vocação, a sua profissão e a sua missão na vida. Para esclarecer cada um desses aspectos fundamentais, será útil realizar as seguintes estratégias:

  • Pare de atuar no piloto automático: pergunte a si mesmo diariamente se o que você faz lhe traz felicidade.
  • Não se compare a ninguém, não deseje ter o mesmo que os outros. Você é a sua própria referência.
  • Todos nós temos talento, todos nós temos algum tipo de habilidade excepcional que nos diferencia dos outros e que devemos aproveitar, nos apropriarmos dela e desfrutá-la.
  • O ikigai não é apenas um propósito de vida ou uma aspiração, é um estilo de vida que deve ser visto, percebido e sentido no aqui e agora.
  • É uma dimensão que nos dá energia todas as manhãs e que se traduz em uma série de atividades diárias nas quais desejamos continuar investindo o nosso tempo para fazer cada vez melhor.
  • Muitas vezes, viver de acordo com o nosso ikigai também significa deixar de lado uma grande parte do que nos rodeia. Devemos nos conscientizar de que é algo que exigirá de nós muita coragem.
  • O ikigai é o oposto da passividade ou do conformismo. Ele exige muito de você e o faz se sentir vivo, livre e cheio de energia, independentemente da sua idade ou do seu estado físico, porque acima de tudo, é um estado mental…

Para concluir, se ainda não encontramos o nosso ikigai, podemos dizer que não tem problema. Às vezes, ao longo da nossa vida, esse despertar ocorre de forma tão intensa e enfática que não há como voltar atrás. Será um momento onde não haverá outra escolha senão segui-lo, torná-lo nosso.