A importância de ensinar as crianças a comer bem

· novembro 3, 2018

Ensinar as crianças a comer bem deve ser algo feito logo nos primeiros anos de vida. Não resta dúvida de que isso pode ser difícil, mas se podemos ensinar uma criança a amarrar os sapatos e a escovar os dentes após as refeições, também podemos ensiná-las a se alimentar de forma saudável.

Tradicionalmente a alimentação das crianças em nossa sociedade é permeada por um conflito constante. De um lado, a preocupação dos adultos em conseguir fazer com que as crianças comam o que corresponde a cada momento, como o almoço ou o lanche.  Do outro, crianças querendo comer o que não é devido para aquela hora.

Podemos ver que a verdadeira dificuldade não está no fato de comer, mas no de comer corretamente e de uma forma que seja boa para a saúde.

A variedade de sabores para uma criança

Os bebês começam a experimentar os diferentes sabores após os primeiros 6 meses de vida. É nesse momento que costumam ser introduzidos os purês e as papinhas de frutas e verduras. Nesse fase ainda não há um problema muito grande na tentativa de ensinar as crianças a comer bem.

Cores chamativas e novos sabores doces ajudam muito para que as crianças aceitem as novas opções de alimento. O problema começa quando começamos a oferecer alguns sabores menos atraentes e mais variados. É aí que os pais devem fazer um esforço maior.

A melhor maneira de agir nesses momentos costuma ser sempre a mesma: apresentar a comida de uma forma positiva, insistindo mas sem chegar ao ponto de obrigar a criança a comer. Não é necessário que o pequeno permaneça durante horas com um prato a sua frente até que decida comê-lo.

A verdadeira chave está em ir provando os diferentes sabores aos poucos. É mais fácil para as crianças provarem pequenas colheradas do que comerem um prato inteiro de um alimento novo. Pouco a pouco, os alimentos vão se tornando mais familiares para eles.

Podemos inclusive misturar alimentos novos ou que ainda não foram aceitos com outros que já são aceitos, o que pode ajudar a criança a conhecer novos sabores.  Esses são os primeiros passos para ensinar uma criança a comer bem.

Mãe alimentando seu filho

A imitação como ferramenta para ensinar uma criança a comer bem

Normalmente, as crianças costumam colocar seus pais e irmãos em uma posição de exemplo, de guia de como se comportar. Por isso, é altamente recomendável que a criança veja seus pais comendo frutas, verduras, provando novos alimentos que eles não conhecem.

Esse é um grande método para despertar a curiosidade na criança. Também é importante que vejam seus pais decidindo não comer aqueles alimentos que são ruins para a saúde, como produtos com elevado teor de açúcar refinado.

Para ensinar a criança a comer bem, temos que começar ensinando o que seria o comer mal, ou o que não devemos comer.

O problema do açúcar

Os doces e a composição dos produtos açucarados têm poderosos efeitos sobre as crianças, e também sobre os adultos.

  • Diante de sabores tão doces e tão artificiais, é bastante normal que acabemos mostrando rejeição por aqueles alimentos que possuem apenas os açúcares naturais.
  • O açúcar ativa o circuito de recompensa cerebral da mesma maneira que algumas drogas, e por isso tem um efeito viciante. Além disso, há estudos que demonstram que as crianças que são viciadas em açúcar têm mais facilidade para criar outros vícios na vida adulta.
  • A sensação falsa de energia que os açúcares refinados geram aumenta a hiperatividade nas crianças, potencializando as mudanças de humor.
  • Há diversas doenças e transtornos vinculados ao açúcar, como a diabetes, a obesidade, doenças cardiovasculares, etc.

Mesmo que nós saibamos de todos esses problemas, o consumo de açúcar da população global é muito mais alto do que o recomendável. Não estamos falando apenas de um risco para a saúde infantil, estamos falando também de um risco para a população adulta.

Criança comendo doce rico em açúcar

O sobrepeso, o principal risco de um má alimentação

A natureza dotou os seres humanos de um corpo incrível, com mecanismos sofisticados de utilização dos nutrientes que consumimos e, portanto, fornecemos ao nosso organismo. Mas o que acontece se o aporte de alimentos, e portanto calórico, é superior ao gasto?

Acontece algo muito simples: nosso corpo armazena o excedente. Um grande inconveniente porque essa energia extra não é armazenada em um banco, em uma caixa fora do corpo ou em um aplicativo. Ela é armazenada em forma de gordura.

Quando acumulamos uma quantidade muito grande de gordura, acontece o que chamamos de sobrepeso. Se acumulamos mais ainda, chegamos à obesidade.

Por que o nosso corpo faz isso? Por que durante a evolução da espécie humana era benéfico guardar o excedente calórico para o dia seguinte, afinal talvez não encontrássemos comida no dia seguinte quando ainda éramos homens das cavernas.

Hoje, a disponibilidade de comida é infinita e esse mecanismo do nosso corpo acaba funcionando contra a saúde.

O sobrepeso está ligado a um acumulo visível de gordura, e isso acontece principalmente em áreas como o abdômen, que aumentam muito de volume e peso. Ainda que haja diferentes tipos de obesidade dependendo da relação entre a nossa altura e o nosso peso total, nenhum deles é considerado benéfico ou adequado para a saúde.

As crianças e o sobrepeso

Atualmente é muito comum que vejamos por aí crianças com sobrepeso. Parece algo muito banal, tão normal quanto ser loiro ou ter olhos castanhos. Longe de ser algo normal, porém, o sobrepeso é um grande problema para o desenvolvimento das crianças. Essa condição apresenta os seguintes riscos:

  • Um risco para a saúde física. Por exemplo, as articulações das pessoas com sobrepeso sofrem com mais problemas do que as pessoas que não possuem essa condição. O sobrepeso pode agir como o precursor de doenças cardiovasculares, renais e pulmonares.
  • Um risco para a saúde psicológica. As crianças com sobrepeso costumam sofrer duas vezes mais bullying e rejeição por parte de seus colegas e inclusive de seus próprios professores durante a vida escolar do que aqueles que não possuem a condição. Isso pode minar consideravelmente a autoestima da criança e afetar a sua vida adulta.
  • Um risco para as finanças da família. O sobrepeso e a obesidade requerem um maior número de cuidados para as pessoas que sofrem com estes problemas, assim como um maior consumo de medicamentos pelas doenças que estão vinculadas ao acúmulo excessivo de gordura.

Prevenir sempre será melhor do que curar

Investir recursos e estratégias para fomentar uma alimentação saudável e atividades esportivas funciona como um seguro contra uma vida sedentária e riscos maiores de desenvolver sobrepeso.

No entanto, a melhor hora para fomentar uma alimentação correta não começa só depois de virarmos adultos. As crianças já podem participar dessa aprendizagem. Os pais e professores devem explicar as vantagens e utilidades que uma boa alimentação traz.

Ensinar as crianças a comer bem é totalmente preferível tanto para a questão econômica quanto para o desgaste da saúde. Isso porque, dessa forma, evitamos chegar ao sobrepeso. Quando falamos de saúde infantil, prevenir é a certeza de estar apostando na saúde futura.