Qual é a relação entre inflexibilidade psicológica e depressão?

· dezembro 26, 2018

A inflexibilidade psicológica se refere à incapacidade de mudar de opinião, mesmo quando tudo nos prova o contrário, e de observar uma situação a partir de diferentes pontos de vista. A inflexibilidade psicológica dificulta a nossa vida e é um dos fatores precipitantes ou intensificadores do sofrimento. Ela é definida por seis processos que formam o lado oposto dos processos vistos na flexibilidade psicológica: atenção inflexível, quebra dos próprios valores, inatividade ou impulsividade, identificação com um “eu” conceitual, fusão cognitiva e evitação experiencial.

A terapia racional emotiva comportamental de Albert Ellis diz que as pessoas ficam deprimidas por causa das interpretações irracionais que fazem dos eventos que as afetam. O sistema de crenças das pessoas é um fator de grande importância na explicação dos distúrbios emocionais e, portanto, é um dos principais pontos trabalhados na terapia.

As interpretações irracionais, juntamente com a inflexibilidade para mudar esse sistema de crenças, fazem com que a depressão se mantenha. O modelo cognitivo da depressão de Aaron Beck propõe que os padrões depressivos dão origem a sintomas depressivos quando aumentam a frequência de pensamentos negativos automáticos como resposta aos eventos da vida. Tanto a inflexibilidade psicológica quanto os pensamentos negativos automáticos atuam como intermediários significativos na relação entre os padrões depressivos e os sintomas depressivos.

Portanto, as crenças imperativas, inflexíveis, esmagadoras e autodestrutivas estão ligadas a padrões de comportamento, emoção e interpretação exagerados e dogmáticos que funcionam como geradores de distúrbios emocionais. Esses distúrbios emocionais podem levar a transtornos de humor.

“A verdade contada de forma inflexível sempre terá seu lado sórdido”.
-Herman Melville-

Mulher com nuvem nas mãos

A inflexibilidade psicológica é uma característica que merece atenção no tratamento da depressão

A flexibilidade psicológica tem sido relacionada a vários indicadores positivos em indivíduos com problemas de saúde mental e doenças crônicas, e tem sido identificada como um importante mecanismo de mudança psicoterapêutica. No entanto, durante a terapia, os profissionais dão pouca atenção à flexibilidade psicológica.

Inicialmente, as pessoas inflexíveis podem projetar uma sensação de segurança, mas, na realidade, se você analisar a sua recusa em ver as coisas por outra perspectiva, perceberá algo que elas tentam esconder: a sua própria insegurança. Elas se sentem confortáveis ​​fazendo, pensando e defendendo a mesma coisa repetidas vezes e em diferentes situações. É a sua zona de conforto. Tirá-las de lá faz com que se sintam desamparadas e isso lhes causa medo.

Para tentar mudar isso, a pessoa deve estar ciente das vantagens da flexibilidade mental e das desvantagens da inflexibilidade nos distúrbios psicológicos. Às vezes, será necessário ser inflexível em determinadas situações, mas na maioria dos casos, a flexibilidade nos dará uma resposta mais adequada.

A característica mais invalidante da inflexibilidade psicológica é a incapacidade das pessoas de modificarem rotinas e hábitos mentais, algo que em muitos casos as leva à depressão. Os mecanismos mentais são altamente prejudiciais na depressão, tornando-a pior e impedindo a pessoa de superá-la. O modo de pensar do deprimido está cheio de ideias negativas que se repetem, criando doses maiores de desconforto.

“A felicidade é como uma borboleta. Quanto mais você a persegue, mais ela foge. Mas, quando você se distrai, ela pousa suavemente no seu ombro. A felicidade não é uma pousada na beira da estrada, mas uma maneira de caminhar pela vida”.
-Viktor Frankl-

Homem pensando em sua vida

Flexibilidade psicológica: ferramenta para uma vida plena

A visão que temos do mundo e do nosso ambiente condiciona o nosso bem-estar e, com isso, o envolvimento, o compromisso e a atitude que temos com nós mesmos e com os outros. Portanto, ser uma pessoa com uma mente flexível traz muitas vantagens. As pessoas flexíveis nunca param de aprender, de crescer e de se relacionar. Além disso, também toleram melhor a frustração, não têm medo das mudanças, aprendem com as adversidades e têm menos níveis de estresse.

A flexibilidade psicológica é um conjunto de ideias gerais sobre a vida que moldam o próprio comportamento, pensamentos e emoções e que não permitem a utilização de regras rígidas, sobre os outros e sobre nós mesmos. Adaptar-se a diferentes situações e atuar com os valores de maneira eficaz é ser como a água, que supera tudo porque se adapta a qualquer ambiente.

“Eu acredito que é tentador tratar tudo como se fosse um prego, se a única ferramenta que temos é um martelo”.
-Abraham Maslow-