Aristóteles e sua influência na psicologia positiva

· novembro 18, 2018

Muitos livros atuais giram em torno ou falam de um conceito que está “na moda’: a psicologia positiva. No entanto, não se trata de algo completamente novo, já que podemos inclusive encontrar indícios da influência de Aristóteles na psicologia positiva.

Em muitos casos este tipo de literatura não é bem conceituada, já que alguns autores, ao defendê-la, não hesitam em exagerar o seu poder, projetando a ideia de que após abraçar os axiomas desse tipo de psicologia um mundo de rosas sem espinhos se abrirá.

O que se pretende com essa literatura é infundir o positivismo e fazer os leitores se sentirem mais felizes. No entanto, esses livros não substituem em nenhum caso a grande ajuda oferecida pelos psicólogos em suas consultas.

Embora a psicologia positiva tenha deixado uma lacuna nas estantes, a sua ideia principal tem muito pouco de “moderna”. Ao longo deste artigo, vamos descobrir qual foi a influência de Aristóteles na psicologia positiva, como ele a entendia e como este conceito evoluiu até os dias atuais.

Ética a Nicômaco: o início da influência de Aristóteles na psicologia positiva

Ética a Nicômaco foi uma obra que Aristóteles escreveu no século IV, onde já podemos ver alguns vestígios do que hoje conhecemos como psicologia positiva. Neste trabalho, Aristóteles fala de felicidade, virtude, razão prática e emoções como os pilares do que ele chamava de “boa vida”, algo que ele acreditava que todas as pessoas buscavam. Para alcançar essa boa vida, ele dizia que era necessário desenvolver virtudes (bons hábitos) e contar com determinadas forças.

Os pontos fortes, para Aristóteles, seriam os traços de personalidade que cada pessoa tem de maneira inata e que lhe permitem alcançar o bem-estar e a felicidade. No entanto, nem todo mundo nasce com essas forças indispensáveis para alcançar a “boa vida”.

Por exemplo, alguém inseguro tem muito mais dificuldade do que alguém que, por natureza, tende a assumir riscos e a deixar a sua zona de conforto. No entanto, Aristóteles dizia que, através do autocontrole e da autorregulação, essas forças podem ser adquiridas, embora, em contrapartida, seja necessário um exercício de vontade.

“Isso prova que a finalidade das ações humanas é a felicidade, e que a verdadeira felicidade consiste em fazer as coisas de acordo com a razão correta, ou seja, pautar suas ações na prática de ações virtuosas.”
-Aristóteles-

A influência de Aristóteles na psicologia positiva

É importante considerar o conceito aristotélico de “sabedoria prática”, mais conhecido como frônese, em relação ao que hoje conhecemos como psicologia positiva. Para Aristóteles, esse conceito era a principal virtude do ser humano: nos permitiria tomar melhores decisões.

A psicologia positiva para alcançar o bem-estar

O psicólogo e escritor americano Seligman e seus colaboradores publicaram no artigo ‘Positive Psychology Progress Empirical Validation of Interventions‘ algumas propostas sobre ações que permitiriam às pessoas alcançar o bem-estar por meio da “sabedoria prática”. Estas ideias foram expostas por Carnicer e Gómez em seu artigo ‘Contribuições da Psicologia Positiva aplicada à formação de professores’ da seguinte forma:

  • Escrever uma vez por dia durante uma semana três coisas pelas quais nos sentimos gratos.
  • Escrever uma carta de agradecimento a uma pessoa que seja importante para nós. Podemos entregá-la ao nosso destinatário ou não.
  • Escrever em um caderno todas as lembranças importantes que foram muito positivas e emocionantes para nós. Este exercício pode durar mais de um dia, pois poderemos nos lembrar de mais algumas coisas depois de alguns dias.
  • Responder o questionário de pontos fortes, como o que está disponível no site www.viacharacter.org. Você precisa somente se registrar e escolher o idioma em que deseja responder às 120 perguntas. É importante ser honesto para que o resultado também seja verdadeiro.

Esse tipo de ação nos aproxima da sabedoria de que Aristóteles falava: ele considerava que a virtude deveria ser sempre aprendida através da experiência. Este é um pensamento compartilhado pelos psicólogos Schwartz e Sharpe.

“A vida inflige os mesmos contratempos e tragédias tanto para o otimista quanto para o pessimista, só que o otimista resiste melhor”.
-Seligman-

Mulher escrevendo diário na praia

O exercício ativo da felicidade

Há uma ideia presente na psicologia positiva e também em Aristóteles: somente com novos hábitos e mudando determinadas atitudes é possível alcançar a “boa vida”. Além disso, na prática e na perseverança se encontra o verdadeiro sucesso: alcançar esse merecido bem-estar.

Agora que sabemos mais sobre esse conceito, é importante conhecer alguns livros interessantes com os quais poderemos começar a absorver essa ideia. Além disso, vale ressaltar que a psicologia positiva não deve ser usada para disfarçar o desconforto ou camuflar os problemas, fazendo com que tudo pareça fantástico e maravilhoso. Podemos usá-la a nosso favor, desde que fujamos das mentiras que, muitas vezes, assombram essa área da psicologia.