Instabilidade emocional: agora branco, agora preto

Instabilidade emocional: agora branco, agora preto

8, dezembro 2016 em Psicologia 541 Compartilhados
Instabilidade emocional: agora branco, agora preto

É normal que, às vezes, nós estejamos mais alegres ou animados do que as outras pessoas. Também é normal se sentir chateado quando as coisas não saem como gostaríamos que saíssem.

Definitivamente as emoções existem por um motivo – para conseguirmos alcançar nossos objetivos, para nos comunicarmos e sobrevivermos.

O problema surge quando essas emoções deixam de se adaptar e as pessoas que as sentem se deixam levar de maneira excessiva por elas, chegando a se comportar de uma forma que interfere em seu funcionamento e em sua adaptação. Ou seja, em vez de solucionar, criam mais problemas.

A instabilidade emocional

Na psicologia, este comportamento é chamado de instabilidade emocional. A instabilidade emocional é uma característica da personalidade, e quem sofre com ela muda constantemente seu estado de ânimo sem causa aparente ou razoável.

Não tolera as frustrações, ou seja, se algo não sair como a pessoa quer, ela solta uma série de respostas emocionais e comportamentais muito intensas e extremas, como a raiva, a agressividade, seja consigo mesma ou com os demais… além do consumo de drogas, da promiscuidade, etc.

São pessoas com baixa autoestima, pensamento extremista (é 8 ou 80), problemas de comunicação e poucos recursos para confrontar as situações difíceis da vida.

Além disso, são pessoas muito impulsivas e viscerais, não pensam nas consequências antes de agir e, então, encontram mais problemas do que tinham antes… problemas com os quais não sabem lidar.

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Por outro lado, são muito apaixonadas, idealizam as pessoas com quem convivem, o que as leva a ser emocionalmente dependentes, mudando de relacionamento com relativa frequência, pois é muito difícil para elas ficar sozinhas. Comentam estar constantemente com  um sentimento de vazio interior.

Tudo isso acarreta muitos problemas na área social, familiar e também no trabalho.

A instabilidade emocional tem tratamento, embora seja muito importante que a pessoa instável esteja muito motivada a mudar e melhorar.

As pessoas instáveis não mudam de um dia para o outro, pois os comportamentos dos quais falamos anteriormente estão muito cravados e automáticos para elas. Porém, a prática e a vontade podem modelar muito a sua personalidade.

Algumas técnicas que são usadas na terapia para ajudar a superar a instabilidade são:

Esfriar a mente

As pessoas com instabilidade emocional se estressam e reagem de forma visceral e explosiva, sem pensar. É necessário, então, aprender a ver os problemas de uma determinada distância emocional para poder analisá-los e geri-los melhor.

Uma forma de fazer isso pode ser se distanciando da situação, se ocupando com qualquer outra atividade que produza prazer e que seja saudável (não vale beber para esquecer).

Sair para passear com o cachorro, andar de bicicleta, escutar música, assistir um filme… estas coisas nos entretêm, ocupam nossa mente e fazem, também, com que o nosso nível de raiva diminua consideravelmente com o passar do tempo.  

Solução de problemas

Ausentar-se da situação e acalmar a raiva faz muito bem, faz com que vejamos as coisas de outro ângulo, mas isso não pode ficar assim. Agora é a hora de enfrentar a situação problemática.

A técnica de solução de problemas é muito fácil de realizar e pode nos ajudar muito. Trata-se de gerar muitas alternativas de solução que não incluam nem a autoagressão, nem a agressão aos demais, nem outros comportamentos não adaptativos.

Precisamos deixar claro e entender que nenhuma das soluções é 100% vantajosa, pois todas terão vantagens e desvantagens. Uma vez que nós temos todas as alternativas que vieram a nossa mente, nós avaliamos cada delas com uma pontuação.

Escolhemos uma única solução, a que tiver mais vantagens e menos desvantagens, e então a colocamos em prática.

Ao escolhê-la, criamos um planejamento para enfrentar aqueles inconvenientes que podem ser gerados pela solução escolhida, para que ela não nos coloque para fora do jogo e para que não reajamos mal diante das frustrações que podem surgir. O importante é saber tomar uma decisão e não adiá-la, aceitando aquilo que não sair como gostaríamos.

Diálogo socrático com nós mesmos

O diálogo socrático é uma técnica que consiste em questionar a nós mesmos sobre a nossa forma de pensar que, em pessoas instáveis, costuma ser errônea, provocando nelas um alto grau de mal-estar.

Para realizar essa técnica, antes precisamos identificar a situação ou problema que está produzindo emoções intensas e mal-estar.

Uma vez que tenhamos identificado o problema, nos perguntamos o que pensamos sobre ele. Os pensamentos típicos das pessoas instáveis são: “Tenho certeza de que se ele não me ligou é porque me esqueceu, não me ama”.

Após identificar esses pensamentos ruins, começamos a questioná-los. Escrever nossas perguntas e nossas respostas em uma folha de papel ajuda muito.

Um exemplo do questionamento sobre o pensamento acima pode ser: “Como tenho tanta certeza de que essa pessoa não me ama?”,  “Que outras alternativas podem existir além do que eu penso?” e “Eu estou tirando conclusões precipitadas”?

Quando as pessoas fazem esse questionamento e respondem a si mesmas conforme a realidade, suas emoções mudam por completo, sendo mais adaptativas e calmas.

Treinar a assertividade

Essas pessoas perdem a razão com seus comportamentos e sua forma de dizer as coisas. É necessário um treinamento de assertividade que ajudará muito em seus problemas de autoestima e de relacionamentos.

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Uma das técnicas de assertividade é a de fazer acordos.

Essa técnica é empregada quando a pessoa vê seus direitos violados ou está frustrada por algo e precisa expressar seu mal-estar de forma adequada.

Os passos são os seguintes: em primeiro lugar, valorizamos o outro como pessoa e nos colocamos em seu lugar –  “Eu entendo que esta não foi a sua intenção”. Expressamos, então, a verdadeira causa do nosso mal-estar, mas sem julgar a pessoa, pois as pessoas erram e é preciso diferenciar as pessoas de seus comportamentos – “Eu me senti mal porque, mesmo que você tenha feito isto sem querer…”.

Após expressar seu mal-estar, propõe-se uma solução para que aquilo não volte a acontecer, tendo em conta, também, as propostas do outro e suas opiniões, dessa maneira ocorre uma negociação e chega-se a um acordo. Não é necessário gritar, brigar ou insultar… isso geraria mais problemas e nunca seria possível chegar a uma solução.

Simples, mas difícil. Aqui a prática joga um papel importantíssimo se você quiser sair da prisão emocional na qual se encontra. Permita-se ser livre e não deixe as emoções controlarem a sua vida.