A inteligência entre homens e mulheres é diferente?

· agosto 14, 2015

Inúmeros estudos concordam que a inteligência geral dos homens e das mulheres é muito similar. No entanto, algo diferente acontece quando falamos de aptidões específicas: os dados indicam diferenças relevantes e sistemáticas na capacidade verbal, na aptidão numérica e na aptidão viso-espacial. As mulheres têm pontuações superiores aos homens na aptidão verbal e naqueles testes nos quais a linguagem é importante. Já os homens se destacam especialmente em aptidão numérica e em aptidão espacial (avaliada incluindo tarefas de visualização e rotação mental).

Em qualquer caso, sobre a capacidade de manipulação da informação, há inúmeros estudos que não refletem diferenças. Deary et al (2007) realizou um estudo no qual comparou homens e mulheres que são irmãos e seus resultados demonstram que as mulheres se destacam em testes de associação de palavras, de compreensão e de velocidade de codificação. Os homens, no por outro lado, apresentam pontuações superiores em testes de ciência, aritmética, em compreensão mecânica e em inteligência eletrônica.

Podemos nos perguntar sobre a possibilidade de que estas diferenças se devam a fatores culturais ou de educação. A respeito disso, Feingold (1988) analisa se as diferenças entre homens e mulheres são constantes com o passar das gerações ou não. Os resultados mostram que as diferenças tendem a diminuir com o passar das gerações, e supomos que podemos interferir, assim como também na educação.

Além disso, em concordância com a hipótese da variabilidade, é necessário dizer que existem diferenças entre os grupos. Ou seja, não se pode afirmar que o pertencimento a um gênero ou outro nos torne mais aptos a determinadas tarefas, senão que a norma é a variabilidade. A maior parte dos indivíduos encontra-se na média, e a média dos homens e das mulheres é a mesma; as diferenças ocorrem na dispersão. Os dados atuais em inteligência mostram que existe uma porcentagem maior de homens que se encontram no extremo superior da distribuição da inteligência, mas que também existe uma porcentagem maior no extremo inferior. No entanto, no sexo feminino há uma maior homogeneidade.

Outra questão a adicionar à consideração contextual desses dados é chamado de efeito Flynn, fenômeno que se define por um constante aumento nas pontuações de inteligência geral com o passar das gerações. Este efeito é observado a nível mundial, e foi constatado pela primeira vez nos Estados Unidos entre os anos 1930 e 1980. Mais tarde foi feita uma análise sistemática deste fenômeno em outros países, e pôde-se comprovar que, independentemente da origem, uma pessoa de 50 anos que em 1942 obtinha uma pontuação acima dos 95% da população, no ano 2000 se situava somente acima dos 25%.

Como comentamos anteriormente, poderíamos explicar estes resultados por uma melhora na nutrição, educação e/ou na estimulação cognitiva? Aparentemente, como comentamos anteriormente a respeito das diferenças de gênero, Feingold destacou que estas se mantiveram ao longo das gerações. No entanto, em concordância com o efeito Flynn, os dados obtidos em estudos como Teasdale e Owen (1989), mostram que a hipótese da educação não justificava todas as situações, mas que inclusive produzia-se um incremento de inteligência, até mesmo em níveis educativos mais baixos.

Já sobre a justificação do efeito Flynn, foi analisado se a nutrição pode ter algo a ver com a evolução geracional e os resultados obtidos parecem conclusivos, ainda que com certas reticências. Vários autores, como Eysenck e Schoentale, analisaram esta questão e determinam que:

– Os níveis de vitaminas, minerais e proteínas nas crianças são indispensáveis. Os níveis baixos em vitaminas e minerais reduzem o nível de inteligência nos jovens.

– Os suplementos de vitaminas e minerais parecem aumentar de maneira significativa a inteligência não verbal nas pessoas jovens.

– Quanto menor é a idade em que as crianças recebem suplementos alimentares, maiores são os efeitos observados.

– Estes suplementos não têm efeito em crianças com níveis adequados e vitaminas e minerais. Este efeito é observado após mais de um ano.

– Os déficits em vitaminas são igualmente importantes para o rendimento intelectual, assim como os déficits em minerais.

No entanto, não podemos deixar de nos perguntar o que estes dados querem dizer, e devemos levá-los em conta com uma postura crítica. A abordagem principal é: estamos medindo corretamente a inteligência? A inteligência é um conceito artificial? Pelo que parece, atualmente os dados apontam que a inteligência geral, como tradicionalmente é compreendida pelo inconsciente coletivo, não tem muito sentido, e que devemos concebê-la como inteligências múltiplas, que permitem a nossa adaptação e evolução na vida. Apesar disso, cada enfoque é complementar e não devemos desvalorizá-los.

Ou seja, é importante ter uma inteligência analítica e lógico-matemática para desenvolver nossas habilidades acadêmicas, por exemplo, mas a inteligência criativa, musical, verbal, artística e várias outras, são consideradas igualmente indispensáveis para a evolução pessoal e humana. De fato, o normal é que uma pessoa se destaque em um ou outro âmbito, não a nível global.

Em suma, está claro que a inteligência não é algo estático e estrutural. Podemos e devemos descobrir nosso potencial e favorecer o crescimento e desenvolvimento de nossas habilidades e destrezas, independentemente do nosso gênero e condição social.