Isadora Duncan: a biografia da precursora da dança moderna

junho 7, 2019
A vida de Isadora Duncan foi uma mistura de talento, rebeldia e tragédia. Ela não revolucionou apenas o balé clássico, mas também se atreveu a pensar e se expressar livremente, não se importando com o que dissessem sobre isso.

A vida de Isadora Duncan foi uma mistura de talento, rebeldia e tragédia. Ela não revolucionou apenas o balé clássico, mas também se atreveu a pensar e se expressar livremente, não se importando com o que dissessem sobre isso.

Isadora Duncan foi uma daquelas mulheres que vieram ao mundo para quebrar tabus. Ela é considerada a precursora da dança moderna e uma das personalidades mais fascinantes e revolucionárias do mundo artístico. Além disso, sua vida e morte aconteceram dentro das coordenadas do insólito.

A vida de Isadora Duncan também foi marcada pela dor e pela tragédia. Aqueles que a conheceram a descreviam como uma mulher generosa e maternal. Para o público, sempre foi alguém que levou a expressão de sentimentos através do corpo ao limite. Além disso, ela era vista como uma mulher que sempre dizia o que pensava.

“Meu lema: sem limites”.
– Isadora Duncan –

O estilo de dança de Isadora Duncan era puro sentimento; ela ousou romper com a rigidez da dança clássica e oferecer movimentos mais genuínos.

Em sua autobiografia, ela disse que se apaixonou pela dança observando o movimento das ondas no mar. Por isso, os seus movimentos eram livres e fluidos, dotados da expressão emocional máxima, como se ela se deixasse envolver pelas ondas do mar.

Foto de Isadora Duncan

Primeiros anos de vida

O seu nome verdadeiro era Dora Ângela Duncan; nasceu em São Francisco (Estados Unidos) em 27 de maio de 1877. O seu pai, Joseph Charles, era banqueiro, e sua mãe, Dora Gris, professora de música. Eles tiveram quatro filhos e Isadora era a mais nova. Quando ainda era muito pequena, seu pai os abandonou.

Dessa forma, a família passou por grandes dificuldades financeiras. Por isso, a mãe de Isadora começou a dar aulas de piano para pagar as despesas da casa. Posteriormente, ela fundou uma escola de dança. Os filhos mais velhos colaboravam como professores na escola da mãe.

Com apenas 10 anos de idade, Isadora decidiu interromper os seus estudos e dar aulas para os alunos mais novos com os seus irmãos.

Mais tarde, a família se mudou para Chicago. Lá, Isadora estudou dança clássica, mas um incêndio deixou a família na rua e, como resultado, tiveram que se mudar novamente, desta vez, para Nova York.

Na cidade grande, a jovem Isadora conseguiu encontrar um lugar em uma companhia de teatro. Em 1898, o pai, ainda ausente, morreu tragicamente em um naufrágio.

Isadora Duncan na Europa

Talvez por causa da sua admiração pelos clássicos da música europeia, Isadora Duncan insistiu em viajar para a Europa. Ela convenceu a sua família a fazê-lo, apesar do fato de que, na época, o movimento migratório era o inverso: da Europa para os Estados Unidos. Os Duncans se estabeleceram em Londres e, mais tarde, em Paris.

Isadora passou muito tempo contemplando a arte grega nos grandes museus da Europa. Ela adotou várias das posturas que via nas esculturas na sua dança. As suas experiências anteriores e essas descobertas começaram a moldar o seu estilo, que mudou a história da dança para sempre.

Isadora Duncan começou a dançar descalça no palco e coberta apenas por uma túnica de estilo grego. Além disso, ela também usava o cabelo solto e dançava ao ritmo de composições que não eram feitas para a dança. Improvisava e criava em plena cena. Ficaram para trás os tutus, os véus e os movimentos rígidos da dança clássica.

Uma revolucionária

Como esperado, no início ela foi duramente criticada. No entanto, em pouco tempo, despertou a admiração de conhecedores e críticos de arte. Ela não era apenas irreverente no mundo da dança, mas também na sua vida pessoal, que estava repleta de escândalos. Assim, Isadora Duncan decidiu esquecer as imposições da época e ser mãe solteira de dois filhos.

Ela teve vários amantes e alguns deles eram muito famosos. Além disso, também houve rumores sobre sua alegada homossexualidade, mas não há evidências de que sejam verdadeiros.

Acabou sendo uma personalidade tremendamente escandalosa para a época. Em uma ocasião, ela tirou a túnica e expôs os seios desafiando o público em torno da autenticidade da sua dança.

Na Argentina, ela dançou o hino nacional do país em um bar. Ela não era cuidadosa com as suas finanças e, como consequência, precisou pagar a conta de um hotel com um casaco de pele e algumas joias de sua propriedade.

Nos Estados Unidos, a apelidaram desdenhosamente como a ‘raposa comunista’, por um discurso que fez diante do público.

Isadora Duncan dançando

Isadora Duncan: um final trágico

O momento mais difícil de sua vida, sem dúvida, ocorreu em 1913. Os seus dois filhos, que ainda eram pequenos, morreram quando o veículo em que viajavam sofreu um acidente no rio Sena, em Paris. Ela levou anos para superar essa tragédia, se é que, em algum momento de sua vida, a superou.

Isadora Duncan tornou-se uma admiradora da revolução russa e foi convidada pelo próprio Lenin para viver e dançar na Rússia. Lá, ela conheceu e se casou com o poeta Serguéi Esenin, 17 anos mais jovem que ela. No entanto, o casamento durou pouco devido ao alcoolismo de Esenin, que acabou internado em um hospital psiquiátrico onde se suicidou.

Dois anos depois, em 14 de setembro de 1927, Isadora Duncan morreu. Ela usava um lenço longo em volta do pescoço. Então, quando subiu em um carro, teve tanta má sorte que morreu estrangulada pela sua própria echarpe que ficou presa nos pneus.

Irreverente, fascinante e certamente atípica, Isadora Duncan é uma daquelas figuras inesquecíveis, que passou para os anais da história pela sua habilidade para dançar, por quebrar preconceitos e tabus: modelos sociais que eram impostos às mulheres, principalmente no mundo artístico.

  • Duncan, I. (2003). El arte de la danza y otros escritos (Vol. 19). Ediciones Akal.