Kama muta, a emoção mais intensa e comovente do ser humano

julho 3, 2019
Comover-se até sentir as lágrimas escorrendo, emocionar-se ao ver alguém, admirar, amar, sentir-se orgulhoso de algo, sentir borboletas no estômago... Tudo isso define o kama muta, uma emoção universal cujo termo provém do sânscrito.

Kama muta é um termo proveniente do sânscrito que significa, literalmente, “comover-se, encher-se de amor ou admiração”.

Os especialistas afirmam que se trata da emoção universal mais intensa, porque define aquele momento em que nos sentimos tão cheios de afeto, surpresa ou admiração por algo ou alguém que não demora a aparecer o brilho das lágrimas.

Não é fácil definir essa emoção com palavras exatas. No entanto, há muitos estudos que se interessaram por ela a fim de descobrir, entre outras coisas, se aparece em todas as culturas, como a experimentam e que termos são utilizados para descrevê-la.

Em nosso idioma, kama muta poderia ser traduzido como “sentir-se comovido”. No entanto, vale destacar que definir o termo desta forma é insuficiente, porque ele se conecta com algo mais profundo no ser humano, positivo e revulsivo ao mesmo tempo.

Não podemos reduzi-lo, por exemplo, à simples paixão, porque transcende nossas próprias relações afetivas.

É aquele momento em que, de repente, algo nos desperta por dentro e nos abraça ao mesmo tempo. É uma sensação breve, mas tão intensa que permanece em nossa memória.

Alan Fiske, professor de antropologia da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), aponta que esta é uma emoção social. Ou seja, o kama muta não surge na solidão.

Aparece em relação a um evento, a uma pessoa ou grupo de pessoas que, de repente, nos inspiram, nos comovem a ponto de sentirmos arrepios, um nó no estômago e a coceira tímida das lágrimas prestes a escorrerem.

Vejamos, portanto, mais detalhes sobre o assunto.

“O kama muta poderia motivar as pessoas a se unirem para servir aos pobres e aos desfavorecidos. É um tipo de emoção que pode nos levar a algo além do amor: à compaixão”.
-Alan Fiske-

Kama muta, a emoção da conexão humana

Uma experiência intensa e reconfortante

Ver como um amigo faz algo incrível por nós. Acompanhar o nascimento de uma criança ou assistir a um casamento. Encontrar pessoas que apreciamos e não víamos há muito tempo. Sentir-nos orgulhosos de alguém. Assistir a uma palestra, uma peça ou um concerto e nos sentirmos altamente inspirados… Todos esses são apenas alguns exemplos do que define essa emoção, o kama muta.

Recentemente, diversas universidades publicaram um estudo detalhado e amplo para demonstrar algo interessante sobre essa emoção que recebeu o nome de kama muta.

Nos 19 países analisados, ela é expressada e vivida da mesma maneira. Nas cinco culturas analisadas, essa emoção é vivenciada fisiologicamente de uma maneira exatamente igual:

  • Euforia.
  • Calor no peito.
  • Olhos marejados ou lágrimas.
  • Calafrios ou arrepios.
  • Sensação de sufocamento (ou nó na garganta).
  • Borboletas no estômago.
  • Sensação de estar “flutuando”.

Todos estes são sintomas claramente fisiológicos. No entanto, os cientistas se interessam cada vez mais por esse tipo de emoção porque, de certa forma, nunca pararam para estudá-la.

O que comove o ser humano? Todos nós ficamos comovidos com as mesmas coisas? kama muta é, portanto, uma experiência universal? A resposta parece ser positiva.

Kama muta, a emoção da conexão humana

As pesquisas a respeito do kama muta se popularizaram há dois anos. Organismos como Kama Muta Lab, por exemplo, fornecem de forma periódica informações tão interessantes quanto reveladoras.

Assim, um aspecto que deve ser lembrado antes de qualquer outra coisa é o papel que as emoções têm no ser humano.

A própria palavra “emoção” vem do latim e significa movimento. Todas elas, seja a felicidade, a alegria, a tristeza, o medo ou a raiva, procuram criar mudanças em nós. Elas querem nos dar informações sobre uma realidade interna para moldar um comportamento, uma reação.

kama muta também espera uma reação de nós, mas essa reação parte de uma dimensão tão poderosa quanto determinante: o amor.

Kama muta é bem-estar e inspiração ao mesmo tempo

Todos nós podemos nos sentir comovidos por algo ou alguém; às vezes, é pelo nosso animal de estimação, outras por nosso parceiro, e até por um filme ou uma peça de teatro. O que nos comove cria uma marca emocional que causa mudanças.

Essas mudanças podem ser simplesmente sentir compaixão e carinho por esse animal de estimação para cuidar dele, paixão por nosso parceiro ou inspiração após aquele filme ou aquela peça de teatro.

Estamos, além disso, diante de uma experiência universal, independentemente do gênero, cultura, idioma ou país em que vivemos. Todos nós nos sentimos comovidos por algo ou alguém de forma frequente.

Sentir isso não é apenas algo positivo. Poderíamos dizer inclusive que é necessário, porque poucas emoções facilitam tanto o desejo de se conectar, de se animar a começar coisas novas ao sentir essa mistura excitante de admiração, esperança, amor e alegria.

Kama muta é bem-estar e inspiração ao mesmo tempo; poucos impulsos emocionais são mais reveladores no ser humano. De repente ficamos comovidos por algo a ponto de encontrar uma felicidade intensa, repentina e quase perfeita. Um breve momento que cura e motiva ao mesmo tempo.

  • Fiske, AP, Seibt, B. y Schubert, T. (2019). La emoción de devoción repentina: Kama Muta y las prácticas culturales cuya función es evocarla. Revisión de la emoción , 11 (1), 74–86. https://doi.org/10.1177/1754073917723167
  • Seibt, B., Schubert, T. W., Zickfeld, J. H., Zhu, L., Arriaga, P., Simão, C., … Fiske, A. P. (2018). Kama Muta: Similar Emotional Responses to Touching Videos Across the United States, Norway, China, Israel, and Portugal. Journal of Cross-Cultural Psychology49(3), 418–435. https://doi.org/10.1177/002202211774624