Karen Horney e sua interpretação da psicanálise

· julho 29, 2018

Karen Horney é um dos poucos nomes femininos que aparecem na história da psicanálise e da psiquiatria durante a primeira metade do século XX. Foi, sem dúvida, uma mulher admirável. Não teve medo de confrontar o pai da psicanálise, Sigmund Freud, propondo sua própria teoria.

Essa psicanalista não concordava com a visão de Freud sobre o quanto o sexo era determinante na formação da estrutura psíquica. Karen Horney pensava que, além da biologia, a cultura influenciava decisivamente a formação da personalidade. Suas teorias alcançaram um impacto importante, e é por isso que ela brilhou com sua própria luz.

A teoria que ela criou leva seu nome. Sofreu a rejeição de muitos dos psicanalistas de seu tempo. Apesar disso, foi a fundadora da Associação para o Avanço da Psicanálise nos Estados Unidos. Esta organização era frequentada por figuras importantes como Erich Fromm, Harry Sullivan e Margaret Mead, entre outros.

“Felizmente, a análise não é a única maneira de resolver conflitos internos. A vida em si continua sendo um terapeuta muito eficaz”.
-Karen Horney-

Os primórdios de Karen Horney

Karen Horney nasceu em Hamburgo (Alemanha) em 16 de setembro de 1885. Era filha de um casal muito conservador, formado por seu pai, capitão da Marinha, sua mãe, uma dona de casa, e cinco irmãos. Quatro deles eram filhos do primeiro casamento de seu pai.

Karen Horney e seus pais

A mãe de Karen não amava o seu marido. Isso parece ter afetado muito Horney quando criança. O desprezo da mãe pelo casamento levou-a a educar a filha para que ela estivesse acima do destino clássico das mulheres naqueles tempos. Ela a encorajou a estudar medicina e a apoiou para que alcançasse isso, fazendo grandes sacrifícios.

Apesar de tudo, Karen casou-se com Oskar Horney e depois concluiu seus estudos. Ela ingressou na clínica neuropsiquiátrica da Universidade de Berlim e lá conheceu um dos mais brilhantes psicanalistas de seu tempo: Karl Abraham. Ela fez análise com ele e, ao mesmo tempo, começou se formar como psicanalista.

Uma virada conceitual

Karen Horney teve alguns problemas emocionais. Não conseguia ter uma vida sexual plena e também sofria de episódios depressivos. Durante sua psicanálise, Abraham afirmou que isso se devia a um desejo incestuoso por seu pai. Karen rejeitou essa interpretação e, desde então, teve uma posição crítica em relação à psicanálise clássica.

O casamento de Karen Horney começou a naufragar quando o marido sofreu uma falência financeira e adoeceu com meningite. Mais tarde, devido à chegada da Segunda Guerra Mundial, Karen decidiu se estabelecer nos Estados Unidos. Lá, desenvolveria a maior parte de seu trabalho.

As contribuições de Karen Horney

Karen Horney rejeitou decisivamente o conceito de “inveja do pênis” proposto por Freud. Ela argumentou que os sentimentos de inferioridade e as inibições sexuais presentes em muitas mulheres não se deviam a determinações anatômicas. Pelo contrário, eram o resultado de uma educação restritiva, que negava e rebaixava o feminino.

Clínica Karen Horney

Embora Karen Horney tenha mantido o postulado psicanalítico segundo o qual a infância é o estágio decisivo na formação da neurose, ela também deu sua própria interpretação a isso. Segundo ela, não são os conflitos sexuais que acabam gerando angústia e neurose. Pelo contrário, o afeto e a insatisfação dos pais determinam a saúde mental.

Para Horney, se os pais não satisfazem as necessidades afetivas de seus filhos, dão lugar a sentimentos de hostilidade, frustração e inibição. Se a expressão dessa hostilidade é restrita, a pessoa pode ter fantasias autodestrutivas e dificuldades nas relações sociais. Tudo isso leva à angústia.

Da psicanálise ao humanismo

Karen Horney se relacionou emocionalmente com Erich Fromm, e seu pensamento humanista teve um grande impacto nela. Sua união foi intelectualmente muito produtiva. No entanto, o ciúme profissional e os conflitos entre casais também apareceram. Isso fez com que eles rompessem o relacionamento e, ao mesmo tempo, desfizessem a Associação para o Avanço da Psicanálise, da qual ambos faziam parte.

Considera-se que Karen Horney foi a primeira a dar um lugar absolutamente decisivo ao afeto durante a infância. Toda a sua teoria sustenta que o sentimento de desamparo durante os primeiros anos marca completamente a mente humana.

Os labirintos do cérebro humano

Os trabalhos mais notáveis ​​de Horney foram ‘A personalidade neurótica do nosso tempo’ e ‘Neurose e maturidade’. Apenas dez anos depois de sua morte ela conseguiu um lugar verdadeiramente notável na história das ciências da mente. Hoje, é considerada uma das fundadoras da corrente humanista.