Lágrimas que cicatrizam feridas

· junho 14, 2016

As lágrimas têm uma importante função biológica: limpam os nossos olhos. Elas nos permitem dispor de uma visão mais clara e são as encarregadas de oxigenar a córnea. Adicionalmente, operam como um lubrificante natural e têm compostos antibacterianos que nos protegem das infecções.

As lágrimas também funcionam como indicadores de feridas em nosso organismo. Ativam mecanismos para que as células especializadas em processos de defesa e cicatrização se encaminham à área para repará-la: isto quer dizer que possuem uma relação direta com nosso sistema imunológico.

“Se em alguma circunstância a vida lhe deixou feridas, espere que elas se curem e não se abram mais…”

-Alessandro Mazariegos-

Mas as lágrimas não têm apenas uma ação fisiológica. De fato, a maioria de nós as vemos como expressão de um conteúdo emocional. A pessoa chora por uma grande tristeza, por um medo gigantesco ou por uma felicidade. A pessoa chora porque sente.

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As lágrimas, às vezes, atenuam a tempestade

Chorar é uma manifestação subjetiva que tem, por um lado, uma função comunicativa: a de expressar aos outros como nos sentimos, procurando despertar neles um sentimento solidário. Por outro lado, as lágrimas têm um objetivo terapêutico porque aliviam as tensões acumuladas no dia a dia.

O choro é um trâmite emocional que pode ter diversas origens. O ato de chorar supera a nossa necessidade de controle e, portanto, por mais que queiramos evitá-lo, às vezes acabamos chorando. O pranto indica falta de controle, mas ao mesmo tempo quebra uma barreira de expressão.

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Isto acontece porque existem no cérebro duas zonas diferenciadas: uma área pré-frontal, encarregada das tarefas executivas como raciocínio, tomada de decisões e onde se encontra a vontade, e outra zona cuja função é a de cultivar os atos-reflexo, que são justamente automáticos e involuntários. As emoções têm origem nesta última zona, que por sua vez é a zona mais primitiva do cérebro.

O que opinam os cientistas sobre o pranto

Podemos chorar como resultado de picar uma cebola, o que simplesmente constata o estado de normalidade do sentido do olfato associado às glândulas lacrimais. Também choramos em ocasiões peculiares, nas quais as causas obedecem a doenças. Este tipo de condição é conhecida pelo nome de “choro patológico”.

Pesquisas avançadas de diversos cientistas revelam que, ao chorar, substâncias como endorfinas, adrenocorticotrofina, prolactina e sais de magnésio e potássio são liberadas e são responsáveis pelos elevados níveis de angústia e excitação em nosso organismo. Logo em seguida, experimentamos um estado de relaxamento e de paz. De forma complementar, ao chorar as lágrimas agem como um analgésico que reduz a dor.

O pranto é disparado por estados de ânimo negativos de intensidade elevada, como tensão, raiva ou angústia, mas também por emoções positivas muito fortes, como por exemplo uma alegria intensa. Em qualquer caso, o que se experimenta é uma sensação de que o fato diante de nós é muito grande.

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É bom reprimir o pranto?

Reprimir o pranto é prejudicial à saúde. Na maioria das culturas, ver os homens chorarem não tem uma boa aceitação, pois este gesto é assumido como uma fraqueza. Como resultado, especialmente os homens tendem a reprimir as suas emoções, em oposição às mulheres a quem se associa o pranto fácil.

A origem de tal percepção obedece a modelos errôneos de educação com “critérios” machistas. Conter as lágrimas aumenta a frustração, a agressividade e provoca bloqueios.

Diante de uma perda de um ente querido, por exemplo, surge uma tristeza profunda: um processo de luto no qual a melhor ajuda é chorar. Isto faz parte da vida. Quando não se soluciona e se reprime, traz como conseqüência a aparição de doenças, já que acontece um processo de somatização pela repressão da dor emocional. Portanto, chorar é saudável quando é proporcional à razão que desencadeia o choro.

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Por outro lado, o pranto é insano quando as causas que o provocam são desconhecidas, e está acompanhado pela falta de sono ou de apetite, diminuição de peso, estar desmotivado e inclusive querer morrer. Estas situações desproporcionais podem nos fazer suspeitar da existência de um transtorno emocional ao qual deve-se prestar especial atenção, já que requer um tratamento profissional.

Aspectos adicionais

Embora os processos fisiológicos que intervêm no mecanismo do pranto e os elementos psicológicos que participam deste sejam conhecidos, existem aspectos que são desconhecidos e que, portanto, continuam sendo um mistério. Chorar parece ser uma característica exclusivamente humana; nenhuma outra espécie chora as suas emoções.

Algumas teorias indicam que o fato de chorar mais básico é o resultado da dor física, enquanto as mais complexas afirmam que é o resultado evolutivo de um tipo de comunicação não verbal que tem por objetivo obter ajuda de outras pessoas. Isto se verifica, por exemplo, no pranto de um bebê que procura a atenção de sua mãe.

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Seja como for, o certo é que o pranto, em condições normais, é um ato libertador. E é assim porque permite expressar os sentimentos e as emoções mais além das palavras. Existem formas de dor que não admitem um discurso, e sim demandam um gesto físico. Isso é o pranto: um gesto corporal que conduz a um estado de paz quando é espontâneo.