A lei de Hick e a tomada de decisões 

· julho 5, 2018

A tomada de decisões é um processo complexo no qual a experiência, as emoções e a vontade intervêm. Por essa razão, a ciência vem estudando há muitas décadas os mecanismos que entram em jogo na hora de tomar uma decisão. A lei de Hick explica este processo em termos de tempo.

A lei de Hick é um princípio descoberto por William Edmund Hyman e Ray Hyman. Permite medir o tempo que uma pessoa demora para tomar uma decisão. Esclarece que quanto maior o número de alternativas e maior a complexidade ou divergência nestas, obviamente aumentará o tempo necessário para chegar a uma decisão. Este tempo segue uma regra logarítmica.

Em sentido literal, a Lei de Hick diz o seguinte: “O tempo que uma pessoa leva para tomar uma decisão é proporcional à ‘entropia de decisão’, ou seja, à quantidade e complexidade de alternativas que existem.” A entropia de decisão se refere às dificuldades introduzidas pelas opções possíveis. 

“Eu não sou produto das minhas circunstâncias, sou produto das minhas decisões”.
-Steven Covey-

Ampulheta marcando o passar do tempo

O surgimento da Lei de Hick e suas aplicações

Os antecedentes da Lei de Hick surgiram no final do século XIX. J. Merkel havia descoberto que quando um estímulo pertence a um grupo maior de estímulos, as pessoas levam mais tempo para dar uma resposta. 

Hick e Hyman realizaram uma série de experimentos. Assim, conseguiram determinar que era possível calcular o tempo que alguém levava para tomar uma decisão, em função do número de alternativas sérias com as quais a pessoa contava. Tudo isso foi expressado em uma fórmula matemática.

Surpreendentemente, sua principal aplicação ocorreu no campo dos videogames. Os criadores de videogames diminuem o tempo necessário para tomar decisões em um jogo para criar tensão. Eles também estendem o tempo disponível para relaxar tal tensão.

Mulher em encruzilhada

O tempo e o sucesso

Algumas pessoas pensam que quanto mais tempo dedicarem à tomada de uma decisão, maior é a probabilidade de fazerem a escolha certa. Porém, isso não é 100% verdade. Às vezes as decisões são muito estudadas e, mesmo assim, podem ser incorretas. Também acontece o oposto.

A Lei de Hick simplesmente permite calcular o tempo levado para se chegar a uma decisão através de uma fórmula matemática universal. Ou seja, é aplicável a todos os seres humanos. No entanto, para que a decisão seja correta, entram em jogo quatro fatores:

  • Experiência. A experiência é conhecimento empírico. No geral, tem um peso superior ao do conhecimento teórico, pois o envolve, mas inclui aspectos de sua aplicação. A experiência é, talvez, o fator mais relevante para se tomar uma decisão correta.
  • Bom julgamento. Entende-se bom julgamento como uma mistura de senso comum e capacidade de raciocínio, junto com maturidade intelectual. Corresponde a pessoas que sabem pesar as situações e fazer equilíbrios realistas delas.
  • Criatividade. A criatividade permite usar os conhecimentos do passado e associá-los com a situação concreta para produzir um novo enfoque. Uma decisão criativa é aquela que inova em uma certa medida.
  • Habilidades quantitativas. Tem a ver com a capacidade de processar os dados quantitativos envolvidos na situação sobre a qual deve ser tomada uma decisão. Em outras palavras, é a incorporação da evidência estatística.

Aspectos práticos da Lei de Hick

A Lei de Hick proporciona, acima de tudo, um valioso critério para tomar decisões. Como indica, quanto maior for o número de opções, mais tempo a pessoa leva para decidir. Portanto, uma estratégia inteligente seria reduzir ao mínimo as alternativas a considerar.

Uma boa forma de fazer isso é criando uma lista de todas as opções possíveis. Então, ordená-las pela ordem de risco que implicam ou pela dificuldade que eventualmente podem gerar, especificando qual opção pode trazer um maior benefício. Esta análise básica de riscos é muito útil para sair de um bloqueio.

Mulher sem saber qual decisão tomar

O que acontece a seguir é a escolha de uma opção que apresente um maior equilíbrio entre os riscos e benefícios. Dessa forma, pode-se evitar cair em um círculo vicioso no qual qualquer decisão parece possível ou viável. É uma forma rápida e eficaz de abordar decisões com algum grau de complexidade.