Não confunda sentimentos com realidades

Não confunda sentimentos com realidades

maio 12, 2016 em Psicologia 7 Compartilhados
Não confunda sentimentos com realidades

Quando falamos em realidades, estamos nos referindo a aquelas que podemos perceber objetivamente através dos nossos sentidos e que podem depender ou não da nossa interpretação subjetiva. A diferença entre o fato real e a nossa interpretação pode determinar como nos sentimos.

Portanto, podemos sentir ou pensar de formas distintas diante de uma determinada situação. Cada pessoa pode interpretar o mesmo fato de maneiras diferentes. O que você vê é na verdade um produto criado pelo seu cérebro, que filtra infinitas informações, para que você construa a sua visão sobre a situação.

A relação entre pensamento e emoção

Os pensamentos e as emoções estão relacionados de forma determinante. Nós nos sentimos de uma determinada forma, dependendo de “como pensamos e em que pensamos”. A maneira como interpretamos e processamos os fatos externos é responsável pelas mudanças fisiológicas e reações corporais que ocorrem dentro de nós. Chamamos essas reações de emoções e podemos avaliá-las como agradáveis, desagradáveis ou neutras.

Muitas vezes não conseguimos distinguir corretamente uma emoção de um pensamento e, apesar de estarem intimamente ligados, são entidades diferentes, que vale a pena saber diferenciar se queremos ter o controle sobre o nosso humor. A diferença vai além da sua definição, porque afeta a maneira como a reconhecemos e a tratamos.

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Na psicologia existem muitos vieses cognitivos ou erros de pensamentos que são muito comuns, mas não percebemos que temos que lidar com as suas consequências. Um erro de pensamento pode ser definido como uma interpretação tendenciosa do que está realmente acontecendo. Ou seja, eu estou vendo a minha construção de realidade, baseada nas minhas crenças e não nos meus sentidos. Essa interpretação pode ser completamente diferente do que está acontecendo.

Esses erros de pensamentos provocam emoções exacerbadas, comentários fantasiosos ou sem lógica. A pessoa que consegue olhar o mundo com uma visão mais realista e mantém consigo mesmo um diálogo mais racional terá emoções mais saudáveis e funcionais.
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A neve não é vermelha

Nas terapias muitas pessoas dizem “eu entendo o que você está dizendo, mas para mim a realidade é o que sinto e como me sinto”. Isto é um erro de pensamento: confundir sentimentos com realidades. Este argumento, por mais surrealista ou infantil que possa parecer, pode provocar pensamentos equivocados e comportamentos disfuncionais.

A verdade é que a realidade é o que é, nem mais nem menos. No entanto, eu posso criar uma realidade subjetiva segundo me convenha, tanto para o bem quanto para o mal, e pagar um preço muito alto por tudo isso. Muitas vezes, quando me dizem a frase ” se eu sinto, é assim”, dou o exemplo da neve vermelha ou qualquer outro exemplo que tenha a ver com alguma cor. Poucas pessoas podem argumentar sobre a cor!

Eu digo então que esse argumento usado é como se de repente eu dissesse que “percebi que a neve é vermelha e não branca, porque eu sinto que é assim; então para mim a neve é vermelha”. Evidentemente, quem ouvisse isso diria que estou louca. Portanto, por mais que eu sinta que a neve é vermelha, na realidade ela é branca.

É isso que fazemos com os fatos que acontecem na nossa vida. Às vezes, temos um olhar ingênuo ou muito duro, mas é difícil ver a realidade como ela realmente é.
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Podemos perceber claramente tudo isso na anorexia nervosa; os pacientes sentem que têm mais peso do que realmente têm. Eles se sentem assim e agem de acordo com isso. No entanto, sua altura e peso, comparados com a população em geral, estão normais.

Aproveite as realidades

Viver significa passar por momentos bons e ruins. Perceba o que está acontecendo na sua vida e obrigue-se a olhar para fora, “limpando as lentes dos seus óculos” para enxergar bem. Caso contrário, nos acostumamos a enxergar de forma tendenciosa e não vemos a diferença entre “o que é e o que pensamos ser”.

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Para isso, precisamos detectar esses erros de pensamento que aparecem de vez em quando. Hoje falamos sobre confundir pensamentos com realidades, mas há muito mais: personificar uma situação, brincar de adivinhar, generalizar um evento específico, etc.

Uma vez que tenha identificado esses erros, é preciso se esforçar para não distorcer a realidade e perceber as coisas como elas são.

Por exemplo, quando penso que “é verdade que, por causa das minhas experiências e crenças acumuladas, estou sentindo que posso cair em depressão se ele me rejeitar”, percebo que o fato de manter esse sentimento não significa que deve ser sempre assim. Na verdade, o que você faz não tem muito a ver com o que vai acontecer comigo depois. Eu reajo conforme as minhas crenças interiores.

Gradualmente, à medida que vamos praticando, nos tornamos mais realistas e nos adaptamos ao mundo como a água se adapta aos recipientes. O resultado é uma vida mais calma, mais plena e feliz, onde as realidades que você percebe são muito mais fiéis do que antes, e não uma vida cheia de emoções patológicas que acabam nos bloqueando.

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