Logoterapia de Viktor Frankl: 3 princípios básicos

· julho 11, 2018

A logoterapia também é conhecida como a “terceira escola de psicologia de Viena”. A primeira escola de psicologia foi a de Sigmund Freud, a segunda foi a de Adler, e a terceira é a escola fundada por Viktor Frankl, a qual vamos comentar neste artigo.

Sigmund Freud definia o homem como um ser orientado para o “prazer”. Adler o definia como um ser dirigido para o “poder”. V. Frankl tinha a visão do homem como um ser dirigido para o “sentido”.

Os historiadores de psicologia concordam que o estudo da psicanálise permite conhecer também a vida de Freud, seu fundador. Do mesmo modo, podemos dizer que, ao estudar a logoterapia, nos aproximamos das experiências pessoais de Viktor Frankl, já que o desenvolvimento da terceira escola de psicologia dificilmente pode ser entendido sem conhecer a história de vida do seu criador.

Encontrei o significado da minha vida ajudando os outros a encontrar um significado em suas vidas.

Viktor Frankl

Viktor Emil Frankl nasceu em Viena no dia 26 de março de 1905. Sobreviveu à experiência de quatro campos de concentração, incluindo Auschwitz. Desde pequeno mostrou interesse pelo estudo da medicina e das ciências naturais, mas mantinha uma opinião muito crítica diante dos posicionamentos reducionistas.

Sua vocação surgiu muito cedo e sua busca pelo sentido se iniciou muito antes do acontecimento do Holocausto. Durante esse período, escreveu seu livro mais famoso, “Em busca de sentido”. V. Frankl estava convencido de que o que nos torna únicos é o espírito humano. Reduzir a vida e a natureza ao “nada”, como faziam muitos filósofos e psiquiatras da época, não era o pensamento mais adequado.

“O homem pode conservar um vestígio da liberdade espiritual e da independência mental, inclusive em circunstâncias terríveis de tensão psíquica e física”.

Viktor Frankl

Aos 19 anos, ele já havia desenvolvido a suas duas ideias fundamentais.Em primeiro lugar, de que devemos responder à pergunta sobre o sentido de nossas vidas, já que somos responsáveis pela nossa existência. Em segundo lugar, de que esse sentido se encontra além da nossa compreensão e assim deve permanecer. Trata-se de algo no qual devemos ter fé.

A experiência de V. Frankl nos campos de concentração lhe permitiu constatar que o ser humano tem a capacidade de encontrar um significado, um sentido para qualquer circunstância da vida, mesmo nos momentos mais absurdos e dolorosos.

O homem em busca de sentido

Em sua obra “Em busca de sentido”, V. Frankl escreveu sobre suas experiências nos campos de concentração (Türkhein, Kaufering, Theresienstad e Auschwitz). Ele descreveu os maus-tratos sofridos pelos prisioneiros, mas também escreveu sobre a beleza do espírito humano. Em definitiva, o livro trata de como transcender o horror e encontrar sentido inclusive nas circunstâncias mais terríveis.

V. Frankl morreu no dia 2 de setembro de 1997, com a idade de 92 anos, deixando um grande legado para a humanidade. Através de sua vida e do seu trabalho, ele lembra que todos podemos elaborar um sentido que nos ajude durante os momentos difíceis, e que qualquer coisa que possa ser feita, por mínima que seja, para que este fio não se rompa, terá um grande valor.

Tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas, a escolha da atitude pessoal diante de um conjunto de circunstâncias, para decidir o seu próprio caminho.

A logoterapia

Como dizíamos, a logoterapia é reconhecida como a terceira escola vienense de psicoterapia, e foi fundada por Viktor Frankl. Foi conhecida em todo o mundo durante os anos 40. A logoterapia propõe um método de superação dos conflitos humanos que geram sofrimento.

A logoterapia permite encontrar sentido nas situações difíceis e que causam dor. Desta forma, elas se transformam em oportunidades de crescimento para as pessoas que as vivenciam. Este método, concentrado nas vivências dos valores, nos permite encontrar sentido em todos os acontecimentos da vida, dando-nos a possibilidade, portanto, de viver uma vida plena.

Na logoterapia, as conquistas fazem referência ao “sentido”, ao “significado”, a algo que o ser humano busca sempre diante das circunstâncias do destino. Desta forma, a logoterapia significa terapia por meio do “sentido” ou do “significado”.

Homem com lamparina no escuro

Os três princípios básicos da logoterapia

Os três princípios ou pilares básicos da logoterapia são os seguintes:

  1. Liberdade de vontade;
  2. Vontade de sentido;
  3. Sentido de vida.

Liberdade de vontade

A liberdade de vontade é empregada por meio de uma capacidade específica humana conhecida como “autodistanciamento”. Esta capacidade humana se refere à possibilidade de ver a si mesmo, se aceitando, adaptando e visualizando. De acordo com os ensinamentos de V. Frankl, isso nos dá liberdade diante de três fontes de influência:

  • Instintos;
  • Herança;
  • Meio ambiente.

O indivíduo possui essas três fontes, mas elas não o determinam. Nós não estamos pré-determinados, nem concluídos. Somos livres diante desses três aspectos. O ser humano é livre daquilo que o condiciona e pode exercer a sua liberdade. Sempre que o ser humano se liberta de algo, é por algum motivo. Aqui está o conceito de responsabilidade. O indivíduo é livre para ser responsável e é responsável porque é livre.

A partir dessa análise existencial, expõe-se o indivíduo como responsável pela realização do sentido e dos valores. Ele está convocado à realização do sentido de sua vida e dos valores que dão significado a ela. Diante dessa convocação, ele é o único responsável.

Vontade de sentido

A vontade de sentido está bastante ligada à autotranscendência que caracteriza o ser humano. O indivíduo sempre aponta para além de si mesmo, para um sentido que, primeiramente, ele tem que descobrir e cuja plenitude deve alcançar. A vontade de prazer e a vontade de poder, de Freud e de Adler, respectivamente, levam o indivíduo à sua imanência. Estes conceitos se opõem à autotranscedência e frustrariam a nossa existência.

Para a logoterapia, o prazer e o poder são consequências de conseguir um objetivo, e não o objetivo em si mesmo. É por isso que as pessoas que perseguem o prazer e o poder chegam a um estado de frustração em que, ao mesmo tempo, se sentem imersas em um grande vazio existencial.

A vontade de sentido não procura alcançar o poder nem o prazer, nem sequer a felicidade. Seu foco é o encontro de um propósito, uma razão para ser feliz.

Homem angustiado

Sentido da vida

Os dois princípios que mencionamos anteriormente falam de uma pessoa disposta a assumir uma posição diante das circunstâncias da vida, com total liberdade, a partir de um sentido que a convoca. Este é o perfil do indivíduo em busca de sentido.

A vida contém e conserva um sentido. Esse sentido é peculiar e original para cada um de nós. Assim, nosso dever, como seres conscientes e responsáveis, é descobrir o sentido de nossas vidas.

A morte só pode causar pavor a quem não sabe ocupar o tempo que lhe é dado para viver.

Isso pode ser conseguido através de três vias fundamentais que fazem referência a três categorias de valores.

  1. Às vezes, nos direciona à realização dos valores de criação.
  2. Outras vezes, vai nos impactar com uma vivência, como quando assistimos a um pôr do sol ou alguém nos presenteia com uma carícia.
  3. Outras vezes, vamos enfrentar as limitações da própria vida (a morte, o sofrimento, etc.)

De todas as formas, a vida sempre conservará, até o final, um sentido oculto e uma convocatória indispensável e permanente para que seja descoberto e realizado. Estes são os três princípios fundamentais da logoterapia de Viktor Frankl. Como já vimos, trata-se de uma visão humanística-existencial do ser humano que pode ser difícil de compreender se não estivermos familiarizados com o existencialismo. No entanto, a verdade é que o esforço vale a pena quando pensamos na forma como isso pode contribuir para a nossa estrutura de vida.

Referências Bibliográficas

  • V. Frankl (2013). El hombre en busca de sentido. Herder.
  • V. Frankl (2003). Ante el vacío existencial: hacia una humanización de la psicoterapia. Herder.