Loteria: por que um golpe de sorte pode acabar nos arruinando?

· maio 23, 2018

Todo mês acontecem sorteios na Loteria Federal, sendo o mais famoso deles a Mega-sena, e também outros como a Lotofácil, a Lotomania, etc. Eles funcionam assim: em troca de alguns poucos reais, você faz parte de um sorteio pelo qual pode receber milhões de reais.

Todo fim de ano acontecem outros jogos com uma atratividade maior, como a Mega-sena da virada. Assim, muitos esperam este golpe de sorte que pode premiá-los com os números determinados.

Neste sentido, há pessoas que jogam por toda a sua vida esperando que um dia sejam as escolhidas, mas nunca acontece. Elas confiam na boa sorte, passivamente, enquanto acreditam que não há outra forma de obter riqueza. No entanto, o que acontece com aquelas pessoas que são tocadas pela sorte de forma inesperada?

O cérebro e a loteria

Antes de esperar que a loteria nos sorteie para que possamos ser felizes, viver despreocupados e sentir que estamos com a vida resolvida, temos que refletir um pouco sobre como o nosso cérebro age diante das coisas mais banais.

Mulher pensando em dinheiro

Por exemplo, não é verdade que temos o armário cheio de roupas, mas sempre usamos as mesmas? Por que sempre desejamos ter um carro melhor do que o que já temos? Uma casa maior? Nós já não temos o suficiente em algumas áreas das nossas vidas?

O paradoxo é que se recebêssemos um milhão de reais, iríamos querer mais depois de alguns dias, por mais que não precisássemos de toda essa quantidade. Como seres humanos, nosso olhar sempre está cheio de desejo. Um desejo que em parte está muito ligado ao consumo, derivado das necessidades artificiais que a sociedade que nos rodeia gera, e da qual fazemos parte.

Nós buscamos aquele ânimo inicial que sentimos quando finalmente conseguimos possuir aquilo que não tínhamos; seja porque é melhor ou simplesmente porque é símbolo de que pertencemos a um grupo ou a uma classe social mais alta.

Uma felicidade arrebatadora, mas momentânea, que faz com que nos sintamos felizes por finalmente termos obtido o que tanto desejávamos.

E o motivo para isso encontra-se nos centros de recompensa do cérebro. O estímulo seria a loteria que, somada aos comportamentos aprendidos e às crenças, se transforma em algo desejável. No entanto, uma vez obtido o que era desejável, do que o cérebro precisa para voltar a sentir a mesma coisa? Voltar a ganhar na loteria ou ganhar mais dinheiro.

“70% das pessoas que se tornam ricas em um curto período de tempo acabam se arruinando em menos de cinco anos.”
-Francisco Isidro-

Um golpe de sorte envenenado

Vemos as pessoas que ganharam na loteria sempre sorrindo nos anúncios. Elas podem viajar e curtir seus caprichos sem nem checar o saldo no banco. Demonstram ser despreocupadas e felizes.

Essas são as nossas expectativas, e o que faz com que no fundo muitas pessoas agraciadas tendam a imitar o modelo ou a se sentir mal porque, por trás do número, não estão vivendo esta famosa e intensa sensação mencionada anteriormente.

José Manuel Calvo Vaz, funcionário municipal de um povoado de Ourense, ganhou mais de nove milhões de euros em 2003 em uma loteria da Espanha. Após montar vários negócios que fracassaram, desperdiçar o dinheiro em carros de luxo dos quais não precisava e se rodear de pessoas que se aproveitavam, à sua sombra, do luxo que seu dinheiro representava, acabou se suicidando.

Roger Griffits ganhou 2,3 milhões de dólares na Loteria Nacional do Reino Unido no ano de 2005. Sua esposa e ele, após esse golpe de sorte, deixam seus empregos e se dedicaram a uma vida de luxo.

Pensavam que o dinheiro duraria para sempre, mas assim que ele acabou, o casamento também terminou. Tudo que foi adquirido foi vendido para suprir a grande quantidade de dívidas que eles haviam contraído. Hoje em dia Roger vive em uma pequena cabana em West Yorkshire.

“Foi muito dinheiro para alguém tão jovem. E mesmo que você diga que a sua vida não vai mudar, ela vai… e não precisamente para a melhor. Estive a ponto de me destruir. Por sorte, hoje sou mais forte”.
Callie Rogers (Ganhou na loteria em 2003, com 16 anos de idade)

Mulher que ganhou na loteria

Todos nós esperamos por este golpe de sorte. Entretanto, muitas pessoas acabaram arruinadas ou prisioneiras de um vício ao qual, caso não tivessem ganhado na loteria, não teriam sucumbido.

Damos de cara com tanto dinheiro da noite para o dia que isso supõe uma verdadeira mudança radical em nossas vidas, e não necessariamente para a melhor, como os anúncios dizem. A realidade é, muitas vezes, bem diferente.

O dinheiro, em grandes quantidades, dificilmente traz felicidade. O que costuma causar felicidade é aproveitar com inteligência todos os golpes de sorte que, de uma forma ou de outra, em maior ou menor medida, todos nós vivemos.

De outra forma, esta aparente benção de fortuna pode se transformar em um abraço envenenado do qual vamos acabar sendo prisioneiros.