O machismo nem sempre beneficia os homens

· agosto 22, 2017

O machismo é uma forma de pensamento que sustenta que o homem é diferente e, nessa diferença, ele é superior à mulher. Apesar de parecer uma forma exagerada de pensamento, é uma das crenças mais compartilhadas na atualidade, chegando ao ponto de estar inserida em muitas instituições e tradições. Essa forma de pensamento não para por aí. Ela, na verdade, é a origem de muitos comportamentos machistas ou sexistas.

As pessoas que interiorizaram esse tipo de crença, mesmo que não percebam, agem de forma diferente em relação a uma mulher comparado com como agem em relação a um homem. Elas tendem a ser mais protecionistas ou paternalistas com as mulheres. Mas as deixam de fora de tarefas que pressupõem características que são consideradas masculinas, assim como daquelas que exigem força ou que não se encaixam nos típicos e tradicionais papéis femininos.

Manual para as mulheres

As desvantagens que o machismo implica para as mulheres são inúmeras e atingem todos os aspectos da vida. No âmbito profissional, as mulheres têm menos chances de conseguir trabalhos que não se adequam ao que o “subconsciente e consciente coletivo” esperam delas, têm menos oportunidades de chegar a um cargo de grande responsabilidade e seus salários são menores que o dos homens para cargos que exigem as mesmas competências e demandam as mesmas responsabilidades. Isso sem falar sobre os casos de assédio no ambiente de trabalho…

O machismo nem sempre beneficia os homens

Em um âmbito mais pessoal, as mulheres precisam cumprir com uma grande quantidade de requisitos para projetar uma imagem aceitável. Elas devem ser magras, mas não sem curvas. Precisam ir ao trabalho maquiadas, mas sem exageros. As mulheres devem vestir modelos de roupa únicos e sempre estar combinando. Elas devem se vestir com ousadia, mas sem parecer muito extravagante. E de preferência, maquiadas.

Na esfera sexual, pressupõe-se que as mulheres devam ser submissas. A imagem clássica da princesa que espera seu príncipe e a da estudante submissa que fica apaixonada pelo garoto rebelde ao qual tenta mudar fazem parte do imaginário coletivo. As meninas devem esperar ser conquistadas pelos meninos. Mas, por mais que desejem, não podem aceitar de primeira, pois senão podem parecer “fáceis” demais.

Manual para os homens

Apesar de parecer contraditório, o machismo pode chegar a ser tóxico para os homens. Essa forma de pensamento e as ações a que estão associadas costumam ter consequências negativas para os homens. Essas consequências podem passar facilmente despercebidas. Falaremos sobre elas a seguir.

No âmbito profissional, mesmo que frequentemente os homens ganhem mais e existam mais profissões nas quais têm preferência pelo simples fato de serem homens, há trabalhos em que não se encaixam ou para os quais simplesmente não são considerados. Os trabalhos que são tipicamente considerados trabalhos femininos (enfermeira, comissária de voo, secrátaria) são mais difíceis de serem alcançados pelos homens. Além disso, eles acabam sendo direcionados a trabalhos que exigem mais força e resistência física (mineração, por exemplo) devido ao maior desgaste físico que se supõe.

O machismo nem sempre beneficia os homens

No âmbito pessoal, também há um nível de exigência alto para os homens. Mesmo que não seja tão alto quanto o que se espera das mulheres, a imagem também é uma exigência social e uma preocupação para os homens. Eles precisam inspirar segurança e uma das formas de fazer isso é por meio de um corpo forte e se exercitando horas seguidas na academia. Mesmo assim, o machismo aparece, por exemplo, no novo termo “dad body”, que quer dizer algo como “corpinho de pai de família” e se aplica majoritariamente aos homens.

Em relação ao sexo, o papel do homem é o de quem tradicionalmente domina e faz sugestões. O príncipe encantado ou o rebelde sem causa. O homem é quem toma a iniciativa, quem idealiza e materializa loucuras pela mulher que ama. Naturalmente, eles devem defender sua honra até a morte e defendê-la em qualquer momento. Por sua vez, os homens devem se destacar entre seus pares, ser os líderes do grupo.

A realidade do machismo para os homens

Como já dissemos anteriormente, os homens devem ser os líderes, ser os mais “machos”, algo que provoca comportamentos de risco. Para conquistar – e manter – a liderança podem participar de brigas, revanches cruéis ou atividades que coloquem em perigo sua saúde para demonstrar seu valor. Outros tipos de comportamento de risco estão associados ao consumo de drogas e aos jogos de azar. Os homens sofrem mais pressão dos grupos para consumir drogas e se exige que sejam mais resistentes que as mulheres. De fato, o homem que não demonstra ser resistente já recebe um rótulo pronto, o de “fracote”.

O machismo nem sempre beneficia os homens

Um dos melhores contextos para perceber o perigo desses comportamentos de risco é o da guerra. Quando um Estado declara guerra, a maioria dos soldados que se apresentam são homens. O serviço militar também costuma ser mais desfavorável para os homens.

Todas essas situações descritas dão lugar à última e mais trágica consequência do machismo, a morte. Os homens morrem, em média, pelo menos seis anos antes que as mulheres. O machismo, que em teoria coloca os homens em uma posição de privilégio, mata não somente as mulheres. Muitos dos comportamentos de risco, os quais o machismo incita, desgastam a saúde dos homens que, com o passar do tempo, sofrem as consequências, mesmo quando não são capazes de determinar a origem delas.