Mães superprotetoras: como você está criando seu filho?

Mães superprotetoras: como você está criando seu filho?

Janeiro 12, 2018 em Psicologia 135 Compartilhados
Mães superprotetoras: como você está criando seu filho?

Mãe, uma palavra muito grande. Bela para muitos, com uma grande quantidade de significados e ao redor da qual existem memórias, aromas e, é claro, filhos. O papel de mãe é, no entanto, um papel que tem limites. Porque se desempenhado de certo modo por algumas pessoas, ultrapassando esses limites, é possível colocar em perigo tanto a mãe quanto os filhos, criando dependência e insegurança. É o caso de algumas mães superprotetoras.

Não pretendo que este seja outro artigo que liste as coisas que fazemos errado, quero apenas falar das condutas e atitudes que podemos fazer para equilibrar o nosso papel como mães. A questão central é não tentar monopolizar a vida da criança, nem controlar tudo, dando um espaço para que as capacidades de nossos filhos enfrentem desafios que motivem seu desenvolvimento. Pelo bem dele e pelo seu.

As mães superprotetoras só querem o melhor para seus filhos

Esse título diz respeito ao mantra pelo qual são regidas muitas mães superprotetoras. É uma mensagem, no entanto, ambígua, já que parte do desejo dos próprios pais e não leva em consideração os filhos como pessoas com desejos e necessidades próprias. Nesse sentido há também uma frase comum de ser ouvida: “Só quero que meus filhos tenham o que não tive. Não quero que falte nada.”

Mãe com sua filha pequena

Cada filho é único e tem necessidades individuais, gostos e personalidade própria. Mas quando os pais, e sobretudo as mães, têm desejos e expectativas diferentes para seus filhos, é bastante difícil dar voz a eles, escutar o que eles têm a dizer. Que esporte eles desejam fazer, que atividade extracurricular é mais interessante para eles, o que gostam de comer, o que gostam de vestir ou o que querem estudar e fazer com sua vida.

A missão da mãe é a de ser uma auxiliadora e acompanhar o crescimento dos filhos. A missão não envolve desejar e escolher por eles: o melhor para uma mãe pode não ser o melhor para o seu filho. Quando somos pequenos os filhos são dependentes de seus pais tanto financeiramente quanto no que diz respeito ao amor e carinho. A manutenção disso acaba colocando os desejos dos pais na frente dos desejos dos filhos.

Escutar antes de direcionar

Os filhos, por menos e mais indefesos que pareçam, têm gostos e desejos desde muito cedo. Dar a eles opções e oportunidade de decisão fomenta esta característica e faz com que se sintam especiais e confiantes na hora que tiverem que conquistar pouco a pouco sua autonomia. Nós, pais, acreditamos saber sempre o que é melhor para os nossos filhos, mas se tomarmos as decisões por eles, eles nunca saberão.

Desde pequenos podemos delegar aos nossos filhos decisões, dando por exemplo duas opções para decidirem o que querem jantar. Ele pode decidir se irá comer frango ou peixe desde muito pequeno. Outro exemplo é consultá-los sobre mudanças feitas na casa, como a decoração de seu quarto. No caso de não poderem decidir, podemos ao menos informá-los para que participem das decisões familiares, como se mudar ou mudar de colégio.

Autonomia é confiança

As mães sempre verão seus filhos como pequenos indefesos e acaba ficando muito difícil fomentar a sua autonomia. Não fazer isso, no entanto, pode tornar nossos filhos dependentes e inseguros, pessoas que não sabem fazer as coisas por si mesmas.

Fomentar a autonomia pode ser feito desde muito cedo. Colocar essa pretensão em prática começa por não fazer nada que a criança poderia fazer por si mesma. Se puder começar tão cedo quanto os 8 ou 9 meses de idade, comece. Isso pode ser feito introduzindo o método de Baby-Led Weaning, ou desmame guiado pelo bebê.

Menino ajudando na mudança de casa

Outra forma de fomentar a independência de nossos filhos é torná-los parte das tarefas do lar: que nos ajudem a tirar o lixo, a arrumar a cama, a lavar a louça, que cuidem dos animais de estimação ou das plantas, ou até mesmo que nos ajudem a preparar a refeição ou na limpeza de acordo com suas capacidades. Capacidades essas que normalmente são muito superiores do que conseguimos imaginar.

Os filhos gostam de participar e se sentem úteis. Como falamos antes, podemos fomentar a autonomia inclusive quando ainda são muito pequenos. Se ainda não começamos, no entanto, antes tarde do que nunca. Sempre é tempo de começar. Desse modo, deixaremos de ser os diretores das vidas de nossos filhos, e criaremos crianças capazes de resolver seus problemas com maior autoestima e confiança em si mesmos.

Seja alguém na vida

No mundo atual sofremos de um mal que valoriza enormemente títulos em detrimento e qualquer outra coisa. Nós, pais, nos deixamos ser influenciados por isso e priorizamos os estudos e as notas de nossos filhos, esquecendo outras experiências, igualmente ou até mais enriquecedoras, mas que não melhoram o desempenho escolar da criança. A educação e os estudos se tornam a parte mais importante da vida, e às vezes a única coisa que nos importa em relação aos nosso filhos.

Centralizamos tudo nessa concepção de educação, que é muito restrita, e damos castigos ou brigamos quando não tiram as melhores notas. Fazemos com que dediquem suas tardes aos livros. Fins de semanas e férias para que estudem. Para piorar, quando nossos filhos fracassam buscamos a explicação em transtornos ou problemas cognitivos por trás do seu fracasso escolar.

Para evitar esse cenário, as mães acabam sacrificando também seu tempo livre para estudar ou fazer a lição com seus filhos. Controlam a realização dos deveres ou até mesmo acabam fazendo o dever por eles, para que tirem uma boa nota. Nosso trabalho, no entanto, não é esse. É procurar para eles o tempo e o espaço adequados, e ajudar para que se organizem de uma forma adequada. Incentivá-los, mas nunca fazer por eles. Conforme crescem, as crianças devem internalizar que as lições de casa são sua responsabilidade, que são importantes e possuem três objetivos:

  • Consolidar o que foi aprendido em sala de aula.
  • Aprofundar o aprendido em sala de aula.
  • Criar uma rotina de tarefas, trabalho ou estudo.

Criança brincando com cata-vento

É difícil crescer com nossos filhos, e pouco a pouco dar a eles um espaço que permita o crescimento e que permita tempo para desenvolver e estimular suas capacidades pessoais. É, no entanto, absolutamente necessário. Tão necessário como lhes dar um lar, alimento ou roupas. Nesse sentido, as mães superprotetoras devem ir, passo a passo, transformando-se em mães que acompanham e incentivam, que dão a opinião, mas não decidem.

Isso implica que temos que apoiar as crianças nos seus sonhos e metas, mesmo que não gostemos. Talvez não sejam as metas que nós teríamos escolhido para nós, mas não esqueçamos que não é a nossa vida, sim a deles. E que como adultos temos um grande poder de influenciá-la: seja para torná-la maravilhosa ou para frustrar todos os seus sonhos. É esse, e não qualquer outro, o verdadeiro sacrifício que a educação requer.

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