Maid, a série que emocionou a todos

A série 'Maid' é baseada em um livro autobiográfico. É o reflexo da história de superação de uma jovem que consegue sair de uma situação de abuso com sua filha para finalmente realizar os seus sonhos.
Maid, a série que emocionou a todos
Valeria Sabater

Escrito e verificado por a psicóloga Valeria Sabater em 15 Novembro, 2021.

Última atualização: 15 Novembro, 2021

Maid é um dos sucessos mais recentes da Netflix. O início desta série não poderia ser mais arquetípico para nenhuma mulher que sofreu uma experiência de abuso. Encontramos uma jovem que se levanta no meio da noite furtivamente para não acordar seu companheiro, que pega sua filha nos braços para colocá-la no banco de trás do carro e que, pouco depois, foge.

É difícil não sentir uma empatia profunda pela protagonista desta produção. A pobreza, o amor pelos filhos, a complexidade das relações baseadas no abuso e os problemas do governo para aqueles que precisam de ajuda estatal constituem uma constelação tão eficaz quanto real.

Também é interessante saber que a série é baseada no livro autobiográfico de Stephanie Land intitulado Maid: Hard Work, Low Pay, and a Mother’s Will to Survive. É uma história de vida inspiradora, na qual se combinam doenças mentais, vícios, diferenças de classe, amor em todas as suas formas e, é claro, aprimoramento pessoal.

A história desta jovem, certamente ao contrário da grande maioria, termina de forma esperançosa: tornando seu sonho realidade.

“Ninguém pode tirar sua escrita. Ninguém pode dizer que você está errado quando escreve ou que suas palavras estão equivocadas.”
-Maid-

Cena da série 'Maid'

Maid: um retrato social dos maus-tratos e da precariedade laboral

Apesar de Round 6 ter tido um maior impacto social, é importante destacar que a série Maid também foi vista por milhões de telespectadores. A história é diferente e as suas sensibilidades e até o retrato social que mostra, embora diametralmente oposto, também é um excelente exercício de reflexão.

Stephanie Land, que está por trás dessa história verdadeira, decidiu um dia escrever um blog sobre cada uma das suas experiências. Ela era uma jovem que tentava progredir na vida com sua filha, que lidava diariamente com disputas com o ex-companheiro e trabalhava como empregada doméstica. Seu testemunho conquistou milhares de seguidores todas as semanas.

Um belo dia, o The New York Times sugeriu que ele reunisse sua vida em um livro. A obra foi um sucesso de vendas e, como acontece muitas vezes nos Estados Unidos, não demorou muito para ser transformada em série. A Netflix comprou os direitos e a atriz Margot Robbie foi a produtora.

Realidades invisíveis: pobreza, solidão e burocracia

O protagonista da série é Alex, maravilhosamente interpretada por Margaret Qualley. Essa jovem de 25 anos representa uma infinidade de mulheres que, diante de uma situação de desamparo, descobrem que quem deveria ser sua rede de apoio não serve para isso. Os amigos não são realmente amigos e sua mãe (Andie MacDowell) é instável, narcisista e tem problemas mentais óbvios.

O único recurso que lhe resta é pedir ajuda ao governo, mas ela se depara com uma burocracia fria e complicada. Para conseguir uma casa subsidiada, você precisa ter um emprego, mas primeiro precisa de uma creche para deixar a sua filha. No entanto, você não pode conseguir uma vaga em uma creche se não tiver um emprego antes.

A história começa quando ela consegue seu emprego como faxineira (empregada doméstica). É aqui que vem à tona o retrato da precariedade e da diferença de classes. São mulheres que limpam casas, figuras invisíveis aos olhos dos outros, mas também são testemunhas dos dramas que se escondem nesses espaços luxuosos, onde também entram a solidão, o desgosto, a doença…

‘Maid’ é a história de perseverança de uma mãe maltratada e solitária em busca dos seus sonhos.

O abuso que não enxergamos e que destrói vidas

Em Maid existe uma realidade que é evidente: o abuso mais comum e corrosivo é aquele que não deixa marcas na pele. Boa parte dessas relações se baseiam em padrões cíclicos nos quais as vítimas nem sempre podem fugir dos seus parceiros. Elas escapam, voltam, fogem e voltam para o agressor.

Além disso, muitas vezes, como é o caso da protagonista da série, elas nem sabem que estão sendo maltratadas. Sean, companheiro de Alex, é um jovem alcoólatra que carrega consigo o peso de uma infância traumática e de empregos precários. É verdade que em nenhum momento ele agride fisicamente a protagonista ou sua filha.

No entanto, a violência também é exercida por meio de gritos, ameaças, desprezo e desejo de isolar e anular emocionalmente a parceira. Embora Alex inicialmente esteja inclinada a minimizar seu comportamento, no final ela percebe a necessidade de fugir dele e de lutar pela custódia da filha.

Cena da série 'Maid'

Maid e o apoio entre as mulheres

Na série não encontramos apenas uma jovem que luta contra a pobreza, a burocracia, o sistema legal e o trauma geracional (uma mãe com problemas mentais e um pai com um passado alcoólatra e violento). Vemos uma garota que finalmente encontra apoio ao lado de outras mulheres que passaram pela mesma coisa. Nomes diferentes, histórias iguais e um vínculo de cura que as une.

Também descobrimos nesta série que às vezes há apenas um passo da pobreza para o sucesso, e esse passo é a perseverança. Quase como nos melhores contos de fadas, a menina que limpava casas e que aspirava a ser escritora realizou os seus sonhos.

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  • Lang, Stephanie (2021) Sirvienta: Trabajo duro, poca paga, y la voluntad de una madre por sobrevivir. Capitan Swing