Mecanismos de defesa: conheça os que mais usamos

Você conhece os mecanismos de defesa que mais usamos?

março 7, 2017 em Psicologia 804 Compartilhados
Você conhece os mecanismos de defesa que mais usamos?

Todos, absolutamente todos os seres humanos, já usamos alguma vez pequenas capas para proteger a nossa integridade, nossa dignidade, ou nossa saúde psíquica. Estas capas, que na psicologia chamamos de mecanismos de defesa, são mágicas porque parecem nos proteger do perigo. Mas o fato é que normalmente a ameaça, e o perigo em alguns casos, não são facilmente combatidos como a princípio possa parecer. Dito de outra forma, estas estratégias não costumam ser tão eficazes como prometem.

Então, às vezes cobrimos nossos ouvidos com força porque não queremos ouvir uma verdade que suspeitamos ser dolorosa. O problema é que isto acaba se transformando em algo real. Acabamos cobrindo “os ouvidos da alma“. Não ouço o que não quero escutar. Algo me faz tanto mal que prefiro viver na ignorância. Uma ignorância muito perigosa.

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O problema é que viver na ignorância é também um castigo. Porque o que negamos nos domina. Aparecerá nas nossas vidas mil vezes até que o aceitemos. E isto… já dizia Carl Gustav Jung:

“O que você nega, o domina; o que você aceita, o transforma.”
-C. G. Jung-

Parece que a vida nunca fará ouvidos surdos à nossa existência e nos colocará o tempo todo naquelas situações que estamos evitando para poder enfrentá-las e aceitá-las.

Os mecanismos de defesa nos protegem das verdades dolorosas

Para ajudar a nos protegermos destas verdades, que tanto nos dói conhecer, existem os mecanismos de defesa. Estas verdades fazem mal ao ego, machucam o nosso amor próprio, prejudicam o conceito que temos de nós mesmos… Para poucas pessoas é agradável aceitar aquilo que está relacionado com uma parte que detestam de si mesmos e que dificilmente reconhecerão diante de um espelho.

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Por exemplo, existem pessoas que dão por certo que o seu parceiro deseja outras pessoas e isto as aborrece. De fato, não hesitam em jogar isto na cara, quando na verdade são elas mesmas que desejam outras pessoas (que não o seu parceiro). Então, é o seu próprio desejo o que projetam no seu parceiro em forma de recriminação.

Reconhecer que desejamos outras pessoas, quando somos ciumentos, é uma verdade que pode ser ao mesmo tempo causa de dor e de vergonha. Assumi-la implica reconhecer que o que nos apavora ver no outro, é o que na verdade nós mesmos estamos fazendo. Então, quem estaria fazendo alguma coisa “desprezível” – porque assim o encaro – somos nós mesmos.

Projeção, ou como colocar para fora o que é meu

Então, chega um ponto em que precisamos enxergar tudo com certa clareza e realidade para poder nos sentir de uma forma ou de outra. Se não aceitamos nem reconhecemos o que está acontecendo conosco, passaremos a vida enxergando-o com soberana nitidez na outra pessoa. O que detestamos em nós, enxergamos no outro perfeitamente. De forma tão nítida que nos transformamos em juízes severos e sem nenhum pingo de empatia para com a vítima.

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Lanço sobre você a minha culpa (projeção psicológica)

Este mecanismo de defesa, que de alguma forma protege a integridade de nosso próprio conceito, se chama “projeção” e é um dos mais usados. Através dele “projetamos” no outro aquilo que detestamos em nós mesmos. Diminuímos a ansiedade que este manto criaria em nós mesmos ao enxergá-lo no outro.

Quanto mais projetamos para fora, mais cegos nos tornamos. Quanto mais coloco o meu EU para fora, mais vou ficando difuso e mais capacidade de ação vou perdendo. Mas, se pouco a pouco formos fazendo um exercício no qual vamos recuperando e resgatando todas aquelas flechas que lançamos com crueldade para fora, com toda certeza iremos ganhando em autenticidade, honestidade e consciência.

Negação, ou como tapar tudo aquilo que não queremos ver

A projeção está intimamente ligada à negação. Por meio da negação tapamos uma coisa que não queremos ver. Colocamos barragens por cima de enxurradas de verdade que precisamos assumir. Não queremos ver a verdade, nem cheirá-la sequer.

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A negação, por exemplo, é uma das fases pelas quais passa uma pessoa que está de luto. Seja por uma ruptura sentimental, pela morte de alguém querido, por uma mudança drástica e definitiva na sua vida… A negação é uma defesa contra a angústia e a dor.

Mas a vida também é dor… e já sabemos que é passando por ela e aceitando-a que poderemos continuar caminhando. Os mecanismos de defesa estão ali para nos ajudar em muitas situações, mas precisamos nos despojar deles se quisermos viver com toda a nossa potencialidade e sendo fieis ao que somos de verdade.

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