Meia-Noite em Paris: viver sonhando

· novembro 2, 2018

Meia-Noite em Paris é um filme belamente produzido que cativou o coração de muitos espectadores. Dirigido pelo famoso Woody Allen, ganhou o Oscar de melhor roteiro e foi indicado a diversos prêmios. É uma oportunidade única para ver grandes atores reunidos.

Desde Tom Hiddleston a Kathy Bates e Marion Cotillard, os amantes do cinema encontram nesse filme muitas de suas personalidades preferidas. Além disso, os fanáticos das artes e da literatura podem encontrar diversos detalhes sobre as obras e vidas de grandes representantes da cultura.

Filmado em Paris, a cidade luz, Meia-Noite em Paris é visualmente incrível. Jogos de luzes e sombras transformam uma Paris contemporânea em uma Paris de 1920. Além disso, o filme recria muitos lugares icônicos dos anos 20, onde se reuniam grandes pensadores e artistas.

Sem dúvida, Meia-Noite em Paris vai te fazer querer arrumar as malas e pegar o primeiro voo com destino à França.

A trama de Meia-Noite em Paris

Gil Pender é um escritor de Hollywood. Embora seu trabalho tenha lhe permitido prosperar financeiramente, não é suficiente para o seu espírito. Gil deseja algo mais que não encontrou em sua vida atual.

Quando ele e sua esposa viajam a Paris, Gil tem vontade de viver a cidade de forma romântica. Caminhar pelas ruelas e beber vinho sob as estrelas, por exemplo. No entanto, sua esposa Inez tem outros planos.

Uma noite, quando Gil sai para caminhar à meia-noite, Paris dá a ele uma oportunidade incrível. De alguma forma mágica, Gil é transportado para a Paris dos anos 20. Lá, ele conhecerá todos os grandes artistas do momento, se tornará amigo de Hemingway e conhecerá Salvador Dali e Pablo Picasso.

Cena de 'Meia-Noite em Paris'

Meia-Noite em Paris, idealizando um sonho

Enquanto está nos anos 20, Gil vive um sonho que nunca pensou que poderia experimentar. Sempre desejou conhecer pessoalmente aqueles artistas que tanto admirava. Um pouco antes de sua “viagem no tempo”, Gil tinha idealizado os anos 20, os quais chamava de Época Dourada.

Gil imagina essa época como o mais elevado momento nas artes, na literatura, e na cultura em geral. Nessa época fantástica, Gil vai conhecer uma jovem encantadora: Adriana.

Gil se apaixona por Adriana e pelo que ela representa: a vida cultural da época que ele idealiza. No entanto, Gil só se dá conta de que está vivendo um sonho quando ele e Adriana são transportados para o passado.

Da mesma forma que Gil conseguiu chegar nos anos 20, Adriana e Gil são enviados para 1890. Lá, conhecem Toulouse-Lautrec, Paul Gaugin e Edgar Degas. Quando Adriana confessa que essa é sua época preferida, os três pintores riem desdenhosamente. Os três pensam que a época de ouro aconteceu muito antes.

Só nesse momento Gil percebe que está vivendo uma nostalgia. Também percebe que todos nós já sentimos isso de alguma forma. Afinal, o presente é confuso, e temos a impressão de que o passado não só era melhor, como também era mais simples e feliz.

Dois tipos de nostalgia

No filme, Gil Pender parece experimentar dois tipos de nostalgia:

  • O primeiro tipo é a nostalgia histórica. Aqui ele deseja um momento do passado no qual não viveu;
  • O segundo tipo de nostalgia é a nostalgia pessoal. Está ligada as nossas próprias experiências e lembranças.

Assim, é o primeiro tipo de nostalgia que leva Gil a desfrutar de suas viagens pela Paris do passado. No entanto, é a nostalgia pessoal que o motiva a voltar ao presente.

Paul Bates diz, em um determinado momento do filme, que a nostalgia não é nada além de uma negação do doloroso presente. A nostalgia é ter saudade de um passado (recente ou distante), e essa saudade surge quando a pessoa está inconformada com o presente.

A nostalgia pode ser interpretada como um mecanismo de defesa que permite negar as más experiências (ao menos momentaneamente). Na verdade, a nostalgia é uma fantasia, geralmente idealizada.

Por outro lado, a nostalgia só pode ser superada efetivamente quando reconhecemos que foi idealizada. É necessário começar a entender a época que desejamos como um momento que também teve partes ruins.

Assim, Gil pôde reconhecer que os anos 20 também tiveram momentos negativos, e que o presente não é sempre ruim.

Paris

Voltar ao presente

Meia-Noite em Paris não só retrata a nostalgia como um sentimento de valor negativo, mas revela que o passado não é nada além de uma fantasia. Ao mesmo tempo, nos oferece no passado uma pequena válvula de escape.

Não nos beneficiamos em nada vivendo em épocas que já passaram. Entretanto, podemos transformar nossas vidas e nos aproximar daquilo que nos traz felicidade, aquilo que estava presente em nossas fantasias.

No caso de Gil, ele decide voltar ao presente, mudar para Paris e começar sua vida como romancista. As fantasias e a nostalgia podem nos ajudar a identificar os aspectos com os quais estamos inconformados. Somente ao identificá-los conseguiremos mudar nossas vidas na direção que desejamos.