Meu extravasar

· agosto 26, 2016

Meu extravasar não cabe em um copo d’água. Tampouco em dois copos. Não cabe em garrafas grandes, não cabe em um caminhão, não cabe num bairro inteiro, ou em uma cidade específica. Não cabe dentro de mim.

O meu extravasar é dourado e prateado, é infindável, é tudo de uma só vez. É um bocado e uma refeição, é tudo junto, misturado, é dor e amor, é cheio, é vigoroso, não tem dimensão. É um extravasar assim, que derruba as comportas de qualquer represa, que não se prende ou se segura, que corre para o mundo, que escorre por tudo: líquido e denso, matéria ou espírito, quente no frio e gelado no quente. Minhas portas internas que se preparem, porque por onde passa, não tem o que não leve ou que transforme.

extravasar e se libertar

O meu extravasar é de textura gritante

De alma pululante, de alegria esfuziante, é de dor esmagadora, de tudo maior, de lentes de grau dimensional, não é de espírito que quer voar: é de vontade que precisa se libertar. É um anseio que corre pelas veias, que não cabe no mundo, mas que pode SER o mundo. É sentimento vibratório rotacional, fenomenal, descomunal: o abismo é apenas um de seus passos.

O meu extravasar é louco por natureza, sem sentido e sem rumo, arrebenta as amarras e corre sempre para frente, os galhos e as flores esmagados em seus pés impiedosos, em seu insano correr atrás de seu sem saber. É louco e amoroso, é divino e demoníaco, é fome e alimento, não conhece limites para ir ao céu nem arreios de ferro que o prendam dentro de mim.

extravasar

O meu extravasar é anormal. É um psicopata que quer matar, um anjo que quer acalentar. Não tem nome nem parada, não tem classificação no seu sulco eterno intraduzível, no chão do meu coração, onde ele planta cada absurdo, cada sonho maior que o outro, cada desejo sem querer, cada começo sem fim, coragem sem bravura, amor sem hora, vontade sem poder.

Meu extravasar é lindo! Perfeito; ele me bate, ele me agrada, ele me deita. Ele me alimenta, ele me arrasta, ele me acalma, e me incendeia. Ele é o que me restou de ser eu mesma, de saber para onde eu vou e que, mesmo sem saber, sempre vou, sabendo que, no fundo, o meu extravasar sabe exatamente quem eu sou.

E o seu extravasar, como é? Que cores e que dimensões ele tem? Nunca viu? Ah, então precisa ir atrás. Precisa conhecê-lo, apalpá-lo, encará-lo e… deixar extravasar!