Quais são as características das mulheres psicopatas?

Embora haja menos mulheres psicopatas do que homens com transtorno de personalidade psicopática, elas também estão por aí na sociedade. Elas são mais manipuladoras e, em alguns casos, também podem cometer atos violentos.
Quais são as características das mulheres psicopatas?

Última atualização: 26 Maio, 2021

Ted Bundy, Charles Manson, Hannibal Lecter… Quando dizemos a palavra “psicopata”, quase sempre nos lembramos de nomes masculinos. Mas será que também existem mulheres psicopatas? Os estudos e a própria história da criminologia nos dizem que sim, mas seu comportamento é bem diferente do que o mundo do cinema ou da literatura costuma nos mostrar.

Se você caminhar pelas prisões masculinas e femininas, descobrirá que a população carcerária masculina costuma ser o dobro da feminina. Entre os presidiários, boa parte dos que cometeram atos violentos têm um histórico médico notável, no qual o transtorno de personalidade psicopática costuma estar presente.

Um estudo realizado no Departamento de Psiquiatria Forense da Universidade de Tromsø (Noruega) mostra que 30% dos presidiários do sexo masculino atendem ao perfil clínico de psicopata. No caso das mulheres, estima-se que o percentual chegue a 17% . Esses dados já nos dão uma pista de algo que os especialistas nos dizem: a psicopatia aparece em menor grau no gênero feminino.

Agora, há outro fato a considerar que, sem dúvida, é importante. Nem todos os psicopatas cometem atos violentos, nem todos matam ou realizam comportamentos pelos quais são legalmente processados.

Esse distúrbio afeta 1% da população, e a maioria deles circula normalmente entre nós. Eles podem ser nossos médicos, veterinários, advogados, melhores amigos ou parceiros.

Identificar a psicopatia feminina, com suas nuances únicas, pode ser interessante e útil.

Mulher no por do sol

Mulheres psicopatas: traços e comportamentos

Caroline Logan, psicóloga forense da Universidade de Manchester (Reino Unido), conduziu um estudo interessante que descreve as características e comportamentos de mulheres psicopatas. Algo que este trabalho deixa claro para nós é que existem muitos mitos e equívocos.

Frequentemente, nós as associamos com a clássica femme fatale. Figuras fictícias como Annie Wilkies, do livro Misery de Stephen King, contribuíram para trazer à mente a clássica mulher brutal e vingativa. No entanto, algo que a Dra. Logan aponta é que o comportamento das mulheres psicopatas tem um sério impacto especialmente no nível familiar e com as pessoas mais próximas a elas.

Vejamos, portanto, quais são as dimensões mais clássicas que as definem.

Um narcisismo mais discreto

O narcisismo é uma das características definidoras do transtorno de personalidade psicopática. No caso dos homens, é comum que expressem abertamente seu sentimento de superioridade, que não hesitem em se vangloriar, em humilhar os outros, em presumir sua vitória e aumentar seus feitos e virtudes.

Por sua vez, as mulheres psicopatas agem de forma mais velada. Raramente se elogiam ou se gabam abertamente. O que costumam fazer é elogiar os outros, reforçar a autoestima dos outros para, assim, conseguir controlar os que estão ao seu redor.

Elas se percebem como superiores a qualquer pessoa, mas entendem que se tratarem seu parceiro, amigos ou colegas de trabalho de forma positiva e carinhosa, podem conquistar sua confiança e se colocar em uma posição muito favorável para manipulá-los a fazer a sua vontade.

Um tipo de agressividade mais contundente, silenciosa e destrutiva

Se o psicopata masculino recorrer à violência, será por norma comportamental. Por exemplo, é comum que, na infância, iniciem seu comportamento psicopático torturando ou agredindo animais. À medida que envelhecem, essa violência pode se espalhar para as pessoas.

No caso das mulheres psicopatas, a questão funciona de outras maneiras. A agressão não é comportamental, é psicológica. Por exemplo, elas são boas em espalhar boatos. Elas são muito eficazes exibindo a arte da manipulação, chantagem, controle, humilhação… Elas podem desgastar psicologicamente suas vítimas de uma forma quase devastadora.

Mulheres psicopatas

Transtornos emocionais e problemas nas relações afetivas

Estudos e trabalhos tão interessantes como o realizado no Center for Criminological and Psychosocial Research, da Universidade de Örebro, na Suécia, indicam algo característico. As mulheres psicopatas também tendem a sofrer de mais distúrbios emocionais do que os psicopatas do sexo masculino.

Apresentam, em média, uma menor regulação emocional. Elas sofrem mais ansiedade, estresse, depressão… Muito dessa emocionalidade impacta as relações. É comum, por exemplo, que suas relações afetivas sejam violentas e também traumáticas.

Além disso, algo que tornou este trabalho do Dr. Oliver F. Collins relevante é que as mulheres psicopatas costumam ter um histórico de abusos e agressões sexuais.

Mulheres psicopatas que matam

Como apontamos no início, a porcentagem de mulheres psicopatas que cometem atos violentos é muito menor do que entre os homens. No entanto, os dados estão aí. 17% das reclusas por crimes de agressão e/ou homicídio apresentam um transtorno de personalidade psicopática.

O psicólogo Marvin Zuckerman destaca 64 casos de maneira especial. São várias mulheres que, pela gravidade dos atos cometidos, ficaram nos anais da criminologia sob o rótulo de “mulheres psicopatas”. O mais marcante – além de triste – desses relatos é que 44% dessas mulheres assassinaram os próprios filhos.

Estudiosa da psicopatia

É o caso, por exemplo, de Nannie Doss, de Blue Mountain, Alabama. Também conhecida como “Granny Giggling”, essa mulher passou quase 30 anos de sua vida assassinando membros da sua família com arsênico. Ela matou seus 4 maridos, sua mãe, seus filhos e também seus netos. Uma das muitas histórias que nos mostram que a violência não tem gênero, assim como a doença mental.

Pode interessar a você...
O estresse muda a nossa personalidade
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
O estresse muda a nossa personalidade

O estresse muda a nossa personalidade. Você, que antes era tão otimista e confiante, agora se percebe de uma forma muito diferente.



  • Monhonval, P., Linkowski, P., & Leistedt, S. (2011). [The female psychopath: a review]. Rev Med Brux32(3), 158–168.
  • Nesca, M., Thomas Dalby, J., & Baskerville, S. (1999). Psychosocial profile of a female psychopath. American Journal of Forensic Psychology17(2), 63–77.
  • Logan, C. (2011). La femme fatale: The female psychopath in fiction and clinical practice. Mental Health Review Journal16(3), 118–127. https://doi.org/10.1108/13619321111178078