Como a música das lojas de roupas nos influencia?

12 Fevereiro, 2021
Como a música das lojas de roupas nos influencia? Qual a relação dela com o neuromarketing sensorial? A música pode fazer com que compremos mais? Descubra!

Você já percebeu alguma vez que, quando entramos em uma loja de roupas, a sensação é de estar numa discoteca? Não, não é um engano… A música está no máximo, é rítmica e animada, atual e estridente. Por quê? Tudo isso tem a ver com o neuromarketing sensorial. Afinal, como a música das lojas de roupas nos influencia?

Por acaso ela faz com que compremos mais? De que jeito? O tipo de música tem a ver? Quais tipos costumam ser os mais escolhidos? Vamos desvendar os mistérios dessa prática cada vez mais comum entre as empresas de moda, principalmente a moda jovem.

Jovem em loja de roupas

Como a música das lojas de roupas nos influencia?

De acordo com Sánchez (2015), “a música faz parte de todos os elementos que formam a dimensão humana e social, às vezes sem termos consciência disso”. A verdade é que a música das lojas de roupas influencia o humor, o que, por sua vez, influencia a decisão de compra.

Cada vez mais as empresas apostam no marketing sensorial (ou neuromarketing sensorial), ou seja, aquele que afeta diretamente os nossos sentidos, estimulando o desejo de compra. Neste tipo de marketing, há técnicas direcionadas a estimular nossa audição (neste caso, através da música).

Portanto, a música nas lojas geralmente não é escolhida ao acaso. Isso porque o tipo de música (por exemplo, uma música mais animada) estimula a impulsividade na hora de comprar. De que modo a música que toca nas lojas de roupa nos influencia? Ela faz isso ao limitar o nosso autocontrole, afetando as nossas emoções e o nosso humor, além de, definitivamente, fazer com que compremos de uma forma mais ou menos impulsiva.

“O autocontrole não é fazer o que sinto, mas escolher o que faço com o que sinto.”
-Anônimo-

Só música de festa?

As músicas animadas e estridentes não são as únicas que ouvimos nas lojas de roupas. Isso também depende do target, do público-alvo específico daquele negócio.

É por isso que, para o público jovem, são utilizadas músicas mais festivas. Entretanto, para o público mais velho, muitas empresas optam por músicas mais relaxantes, tranquilas e que promovem um estado de calma e relaxamento. Logicamente, tudo depende do tipo de cliente, do tipo de roupa, etc. Com isso, queremos dizer que a marca se adapta ao cliente para impulsionar suas vendas.

“Quem ouve música sente que a solidão, de repente, é povoada.”
-Robert Browning-

A saturação dos sentidos

A música alta sobrecarrega nossos sentidos e isso faz com que reflitamos menos nas hora de tomar decisões (neste caso, de compra). Uma música alta, rápida e animada pode fazer com que tenhamos mais impulsividade na hora de comprar. Quando nossos sentidos estão sobrecarregados, não temos tanta margem para refletir ou pensar, porque a atenção do sistema cognitivo fica saturada, “sem espaço para mais nada”.

Nas lojas de roupa, em específico, muitas vezes a música é projetada especificamente para os jovens, que tendem a ser mais impulsivos do que os mais velhos. Dessa forma, para pessoas que já são naturalmente impulsivas, a música tem ainda mais efeito sobre as decisões de compra impulsivas e descontroladas. Obviamente, a música influencia cada pessoa de forma diferente, mesmo que, em geral, seu efeito tenha semelhanças em todos os casos.

A estimulação do prazer provocada pela música nas lojas de roupas

Além de estimular a impulsividade na hora da compra, a música também favorece uma experiência sensorial muito agradável no interior da loja. Quando nos sentimos bem na loja, é provável que passemos mais tempo nela (o que aumenta a probabilidade de compra).

Sendo assim, a música pode melhorar o humor, dissipar preocupações e nos estimular a comprar (mais). Além disso, a associação entre a loja de roupas (ou qualquer outro tipo de loja) e uma experiência positiva, somada ao bom humor, faz com que nos tornemos clientes fidelizados que geralmente retornam.

Casal olhando roupas

Neuromarketing sensorial: arte ou manipulação?

Já vimos como o tipo de música influencia o comportamento de compra. É possível entrarmos desanimados, indecisos ou distraídos em uma loja e a música nos fazer entrar em contato com alguma emoção; geralmente, com comportamentos impulsivos ou com aquela “necessidade” de comprar, que acaba fazendo com que tomemos a decisão de compra.

Como já foi dito, o neuromarketing sensorial fala de tudo isso, uma vez que estuda, consome e aplica os conhecimentos da neurobiologia dos sentidos. Para isso, ele investiga a percepção sensorial em profundidade, analisando como a estimulação dos sentidos influencia a decisão de compra.

O fato é que, na realidade, eles nos “manipulam”. Embora seja uma técnica totalmente legal, saber disso pode nos ajudar a ser mais cautelosos na hora de comprar coisas das quais não precisamos, para fazermos compras mais responsáveis.

Arte ou manipulação? Até onde vão os limites do marketing? De qualquer forma, seu poder é inquestionável.

  • Chebat, J.C. y Michon, R. (2003). Impact of ambient odors on mall shoppers emotions, cognition, and spending, a test of competitive causal theories. Journal of Business Research, 56: 529-539
  • Morena, A. (2016). Neuromarketing y nuevas estrategias de la mercadotecnia: análisis de la eficiencia publicitaria en la diferenciación de género y la influencia del marketing sensorial y experiencial en la decisión de compra. Universidad Complutense de Madrid.
  • Valencia, J.P. (2016). Influencia de la música publicitaria en la experiencia de compra. Trabajo de grado de pregrado (Publicista). Universidad Católica de Manizales, Facultad de Ciencias Sociales, Humanidades y Teología.