Por que não deveríamos fazer uma tempestade por uma infidelidade?

· janeiro 1, 2016

Segundo diversos estudos antropológicos e psicológicos, e de acordo com uma perspectiva evolucionista, a infidelidade no mundo animal é muito mais comum do que imaginamos.

E nós, como seres humanos, também pertencemos a esse mundo animal, por isso os resultados destes estudos nos afetam de algum modo. A seguir, iremos refletir sobre este assunto.

A influência das crenças irracionais no amor

Vivemos em sociedades extremamente artificiais, em todos os sentidos, e sofremos muito por isso.

Ao longo de nossa vida, foram nos apresentando uma série de ideias e crenças que regem nossa maneira de agir no mundo. Muitas dessas ideias são irracionais, carecem de lógica ou são falsas, pois não correspondem à realidade.

As ideias hiper-românticas são um exemplo de crenças irracionais.

Nos ensinam que nós temos uma metade da laranja, que precisamos de um companheiro para estarmos completos, que a pessoa que foi infiel a nós é uma pessoa má, e que a infidelidade ou o abandono é um fato dramático ou terrível.

Todas essas mensagens, junto com certos filmes e canções de amor, vão sendo gravados em nossa cabeça, e nós vamos acreditando até fazer nossas estas ideias.

O problema é que, quando acontece algo desse tipo, nos sentimos incrivelmente mal e o vivemos como se fosse um fato terrível e insuportável, que nos pode levar, inclusive, a cair nas redes de uma depressão e a nos conduzir a sérios problemas.

Para nos desfazer dessas ideias falsas, temos que ser realistas e nos apegar ao natural. Dessa maneira, sofreremos muito menos se alguma vez nos deparamos com essa adversidade.

Temos que refletir sobre o real: quase todos os seres vivos são poligâmicos e não monogâmicos como nos empenhamos em ser.

infidelidade

26% das mulheres e 35% dos homens confessam ter sido infiéis alguma vez em sua vida, e isso é muito mais comum do que imaginamos.

Portanto, não deveríamos qualificar algo que é natural como muito grave ou terrível, e sim como uma pequena adversidade que não deveria significar um mundo, nem sequer causar um término se os outros aspectos do casal funcionam corretamente.

Normalizar o ato de ser infiel

Temos que abraçar a ideia totalmente real de que ninguém pertence a ninguém e ninguém precisa de ninguém.

Se incorporarmos essa ideia à nossa filosofia vital, nos daremos conta de que o impacto emocional de uma possível infidelidade se reduz de forma notável.

Pessoalmente, penso que é pior o engano ou a traição do que a infidelidade em si, pois quem engana acredita que o que está fazendo é errado e toma a decisão de escondê-lo, sem deixar o outro membro decidir com liberdade o que fazer com essa situação.

À margem do engano ou da mentira, se não queremos sofrer tanto por causa de uma infidelidade, devemos ser conscientes de que todos nós somos infiéis por natureza, mas nos controlamos por cultura.

É verdade que ser fiel ao companheiro é algo bonito e admirável e há muitos casais que são fiéis durante toda a vida e vivem felizes, mas isso não quer dizer que não seja resultado da capacidade de autocontrole que temos.

coraçao-partido

Tudo tem uma explicação…

De um ponto de vista biológico, o homem precisa de várias parceiras sexuais para assegurar que seus genes não desapareçam, e a mulher procura a obtenção de bens, a subsistência complementar e a variedade no DNA.

Gostemos ou não, essa tendência segue palpitando em nós como um instinto de sobrevivência, como faz o medo para nos proteger do perigo ou o nojo para evitar intoxicações.

Depois dos quatro primeiros anos de paixão, caímos na monotonia, e a rotina e o desgaste despertam o apetite por algo novo. Mesmo assim, muitas vezes o amor é capaz de derrotar os instintos.

É possível manter a chama acesa e é importante que façamos isso, tendo relações sexuais de maneira regular, inovando na medida do possível para não cair no tédio, e mantendo um contato próximo: dar as mãos, abraçar, dormir juntos… são pequenos detalhes que nos mantêm mais unidos ao nosso companheiro.