Não posso ou não quero? - A Mente é Maravilhosa

Não posso ou não quero?

março 27, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Não posso ou não quero?

“Nestes momentos é impossível tomar uma decisão. Não posso”. É bem provável que, em mais de uma ocasião, alguém próximo tenha proferido estas mesmas palavras. Ou até mesmo você tenha se expressado assim, sentindo um muro que habita em seu interior e que o impede de avançar.

“Não sei se devo terminar o namoro”. “Talvez devesse mudar algumas coisas na minha vida, mas agora não posso”. “Sei que deveria falar tudo o que eu sinto, mas agora não posso.” O que há por trás de todas estas indecisões tão habituais? Nosso dia a dia se move em torno de uma infinidade de inseguranças, que em maior ou menor escala tornam nossa vida mais ou menos fácil.

Hoje queremos falar sobre esta responsabilidade pessoal e emocional que todos deveríamos desenvolver mais adequadamente. Em certas ocasiões não é fácil, mas com algum esforço e valentia podemos conseguir, sendo então, mais conscientes das consequências de nossas próprias decisões.

A diferença entre o ‘não posso’ e o ‘não quero’

Não posso ou não quero?

Com certeza você conhece uma pessoa que quase sempre usa essa expressão: “Não posso”. Se você a convida para sair, se fala com ela sobre seus problemas e quando você diz que talvez seria o momento de fazer uma mudança em sua vida, aparece mais uma vez a expressão “Não posso”.

O que queremos dizer com um “não posso”? Se pronunciamos isso, nos eximimos de nossa própria responsabilidade. É uma maneira de sabotar a si mesmo. Com nossa própria voz, colocamos muros imensos em todo este campo de batalha que é a vida, e nos rendemos.

Se eu não controlo a situação, deixo de ser responsável por tudo o que me rodeia. Um “não posso” é deixar à sorte o rumo da própria vida, das circunstâncias e problemas, e isso é verdadeiramente aterrador. Vamos partir de um exemplo muito comum: “Não posso terminar meu namoro, não quero mais essa pessoa, mas passei muitos anos junto a ela e não posso fazer isso”.

Como fica então nossa autoestima, coerência e integridade? Se não somos leais aos nossos próprios sentimentos e emoções, com atitudes assim, perdemos parte de nossa essência. Com o tempo, virão a frustração, o sentimento de perda e o vazio. Não pense que fazendo escolhas conscientes você estará sendo egoísta.

A responsabilidade emocional

Vejamos agora outro exemplo. O que aconteceria se em vez de dizer “não posso” eu o substituísse por um “não quero” ou um “eu quero”? Neste caso já estamos reconhecendo que existe uma escolha de nossa parte. Nota-se firmeza, determinação, coragem e vontade de mudança. É o que se conhece por “responsabilidade emocional”. Fazendo esse saudável exercício, a pessoa se torna responsável pelo que sente e faz, age com coerência sem prejudicar o livre arbítrio de ninguém, e as consequências de suas escolhas serão genuinamente suas.

A responsabilidade emocional é um pilar essencial da autoestima e da felicidade. Não se trata de livrar-nos dos nossos sentimentos, mas de os aceitarmos como nossos e nos atrevermos a tomar decisões que estejam de acordo com o que sentimos. Assim, atuamos de maneira mais íntegra e corajosa.

Sabemos que nem sempre é fácil agir de acordo com nossas emoções. A vida é um labirinto complexo, no qual temos que lidar com pessoas ruins e momentos ruins, mas vale a pena desenvolver sempre uma autêntica e sincera responsabilidade pessoal.

Existe um exercício muito simples que pode ajudar e consiste em escrever em uma folha de papel todos os seus dilemas e problemas. Para cada uma das opções coloque ao lado um “Não posso” e um “Não quero”. Uma vez feito isso, questione-se a respeito dos sentimentos ali escritos e se eles realmente definem a verdade. Aqui está um exemplo:

“Não quero mais meu companheiro, mas não posso deixá-lo. Não tenho coragem”———- “Não quero deixar meu companheiro”

“Não posso voar de avião, me dá medo”———————– “Não quero voar de avião”

“Meu colega de trabalho me incomoda. Mas não posso dizer isso a ele” ——- “Não quero dizer isso a ele”

“Não posso tomar as rédeas de minhas próprias emoções” —————— “Não quero tomar as rédeas de minhas próprias emoções”.

Questione-se a respeito das afirmações feitas, se essas são realmente verdadeiras, e encontre o que o impede de assumir a responsabilidade emocional sobre sua própria vivência. Identificar o erro é o primeiro passo para a mudança.

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