Não sejamos um para o outro - A Mente é Maravilhosa

Não sejamos um para o outro

outubro 21, 2015 em Emoções 0 Compartilhados
Não sejamos um para o outro

Sinto muito, mas você não é minha felicidade. Não, você não é, por isso me libero. Eu me recuso a colocar a minha vida emocional em suas mãos. Se você fosse minha felicidade, sua ausência seria meu “acabou-se” e eu viveria no fio na navalha. Não quero tentar tornar-me dona de você, não vá comigo, não me interessa.

Meu bem-estar e minha realização pessoal dependem basicamente de mim; os demais contribuem, mas o processo interior que está configurado em meu ser não virá de fora, não será prestado. É questão de estética. Não só quero melhorar, quero fazê-lo com a inspiração do artista, como uma obra da qual eu me sinta orgulhosa.

Que chato é assumir-se pela obra do outro.  Que tarefa difícil, para não dizer impossível! Prefiro respirar por mim mesma, andar sem muletas e ser como sou. Não quero pertencer a você e nem que você pertença a mim. Andemos juntos, se tivermos vontade… mas não sejamos aqueles que ‘nasceram um para o outro’, por favor.

O bem-estar psicológico ou a tentativa de ser feliz requer um compromisso pessoal e intransferível. Não é algo que nos é presenteado, que se compra ou se possui por decreto: é intransferível. E como eu não estou à venda, e espero que você também não esteja, temos a oportunidade de ser livres.

Você não define a minha existência e nem eu a sua; se fosse assim, não poderíamos viver um sem o outro. Você não é minha felicidade, por sorte, nem sou eu a sua dona. A melhor relação que podemos ter é não pertencermos um ao outro. Aquele que não possui o outro o respeita, e isso é beleza, ternura e desapego.”

 Texto adaptado de Walter Riso

Não sejamos um para o outro

A melhor relação que podemos ter é a de não pertencer. Isto é, ser e existir. Quero encontrar-me contigo, mas em outro ponto emocional. Não quero que sejamos um para o outro, nem o amor de nossas vidas. Não quero necessitar você, quero preferir estar com você.

Não quero amar cegamente, não quero fechar meus olhos. Quero abri-los e ver dois seres completos, diferentes e não dependentes, entregando sua paixão, vivendo momentos e colaborando na vida.

Transformando-nos em seres completos

Não quero que nos transformemos nem que nos necessitemos. Quero deixar para trás as metades da laranja. Você pode ser uma laranja, um limão ou um melão. Você pode ser o que quiser, não serei eu quem lhe pedirá para mudar. O importante é que caminhemos juntos.

Também não precisamos andar sempre de mãos dadas. Às vezes o amor acaba, não quero me ver espremendo e tirando seu suco. Por essa razão, se quiser tomar sol, tome. Se quiser descascar sua pele, descasque. Não há nada o que falar.

Por isso, não somos um, somos dois. Também não nascemos um para o outro; é melhor que não sejamos isso. Eu sou para mim e você é para si mesmo.

Não sejamos um para o outro

Todos temos um amor para a vida inteira

Todos nós temos um amor para toda a vida: nós mesmos. Somente quando eu me amar sem restrições, sem inseguranças e sem complexos, conseguirei fazer o mesmo com você.

Se, para estar contigo, tenho que renunciar a mim mesma, a coisa não vai funcionar. As pessoas se queixam de não serem amadas, mas na realidade o que acontece é que não sabem amar.

Vivemos na ânsia de suprir nossas carências e não nos damos conta de que o verdadeiro amor é o que sentimos por nós mesmos. Por essa razão, não quero que nos idealizemos; nosso amor não nos salvará, não resolverá nossos problemas e não nos oferecerá estabilidade emocional.

Ninguém pode amar por você, nem crescer por você, nem sorrir e respirar. Só você tem o poder de salvar a si mesmo e de criar um amor saudável, e esta é a maior felicidade do mundo.

Créditos da imagem: La Mecánica del corazón

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