Não tema, vivencie o seu medo

· abril 27, 2016

Sentir medo é normal. O cérebro de todos os seres vivos, quando percebe o perigo, reage instantaneamente; em outras palavras, o cérebro ativa instintivamente um sistema de proteção contra possíveis ataques ou situações que podem causar algum desequilíbrio.

Nos seres humanos, a forma de enfrentar o medo é o resultado da confluência de mecanismos instintivos e do aprendizado que adquirimos ao longo da vida. Nesse sentido, podemos dizer que quando enfrentamos uma ameaça, primeiramente é ativado o nosso instinto de sobrevivência, e depois um processo mental aprendido com as experiências que nos levam a agir de uma forma ou de outra.

“O medo é esse pequeno quarto escuro onde os negativos são revelados”.

-Michael Pritchard-

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No entanto, a forma de reagir ao perigo varia de uma pessoa para outra. Algumas agem de forma agressiva, outras ficam imóveis e com a mente em branco, tentando projetar (ou não), uma possível solução para o perigo que estão enfrentando.

Existem também pessoas que têm sangue frio, e são capazes de pensar rapidamente em uma solução para evitar ou enfrentar a ameaça com precisão.

A psique humana é muito complexa e nem sempre sentimos medos de ameaças reais. Muitas vezes nossos medos são apenas fantasias que criamos a partir de experiências traumáticas que estão enraizadas na nossa mente. Isto cria temores de perigos que não existem, mas que podem ser muito invasivos e até mesmo socialmente incapacitantes.

O medo é uma força que podemos transmutar

Existe uma verdade universal: para superar o medo é preciso enfrentá-lo. É muito fácil falar, mas difícil de colocar em prática. Na verdade, o medo é uma emoção poderosa, e se você conseguir transformá-la em uma força interior que lhe permita seguir em frente, se tornará uma pessoa mais segura e livre.

Quando precisar enfrentar uma situação que causa medo e você tem a intenção de superá-lo, questionar a si mesmo pode ajudá-lo. Por que me sinto assim? Quais são as lembranças ou sentimentos que percebo nesse momento? Como reajo e qual é a parte do meu corpo que esconde essa emoção?

As respostas lhe permitirão definir e materializar esse medo, para que você se conscientize e evite que uma situação semelhante se repita. O primeiro passo é perceber por que o medo aparece. Dessa forma, podemos identificar as suas causas e qual é a sua função nas situações que enfrentamos.

Perceber as causas nos permite avaliar se esse medo tem a função de nos proteger ou se é um desequilíbrio imaginário em nossa vida.

Como agir diante do medo?

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A fim de identificar qual é a natureza do medo que você sente, são necessários alguns artifícios:

  • Faça uma pausa para refletir sobre os medos que você sente; simplesmente respire fundo e se acalme, pois desta forma a sua consciência fluirá melhor.
  • Em primeiro lugar, não se sinta culpado por sentir medo. Lembre-se de que isso é normal e de que você pode vencê-lo pouco a pouco.
  • Confie em você mesmo. Lembre-se de que nesse medo existe um aprendizado sobre si mesmo que pode se transformar em um maravilhoso ensinamento.

Não veja o medo como um inimigo. Na verdade, por causa dele, cometemos grandes bobagens , mas também realizamos grandes feitos. Quem tem medo de falhar se esforça um pouco mais. Quem tem medo de perder a liberdade enfrenta muitos perigos para preservá-la.

A coragem é feita de medo. A diferença entre um covarde e um corajoso é simplesmente uma decisão. Isto não quer dizer que o corajoso não sinta medo, mas que decidiu enfrentá-lo em vez de fugir.

Isso não é um processo fácil. Ele é alcançado da mesmo forma como obtemos as grandes realizações na vida: com perseverança, com paciência e passo a passo. O único fator determinante com relação ao medo é que tenhamos realmente o desejo de superá-lo; não existe outra forma de encará-lo.

Aprenda com o medo

Se você lutar contra o medo de forma irracional e sem conhecer a sua motivação, poderá administrá-lo no presente, mas não estará combatendo a raiz do problema, o que fará com que ele volte a qualquer momento. O medo precisa ser analisado. Não se deixe levar por explosões imprudentes sem muita consciência do que está fazendo.

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Como diz o ditado popular: “O medo é uma ação e a coragem é uma reação”. Lembre-se disso nos momentos em que se sentir petrificado, imóvel ou sem coragem para continuar com os seus planos. Caso contrário, você pode se arrepender por dar mais atenção aos seus medos do que aos seus verdadeiros sonhos e desejos.

Não se esqueça de que o medo se expressa física e mentalmente. Podemos combater os sintomas físicos com exercícios de respiração. É um método para perceber e controlar melhor o seu corpo nos momentos de crise.

Mas isso não é o suficiente. Você precisa falar e expressar os seus sentimentos para os outros, escrever ou simplesmente olhar em um espelho e falar consigo mesmo sobre o que está acontecendo. Estes são alguns recursos que podemos utilizar para encontrar o equilíbrio desejado. Não superamos o medo nos escondendo dele; é preciso vivenciá-lo.