Nesta vida, não há prorrogações

· novembro 28, 2015

A morte é, na atualidade, um tema bastante tabu. Pelo menos nas sociedades ocidentais, tentamos evitá-la por todos os meios: os cemitérios se constróem afastados da cidade, os velórios já não se fazem na casa do defunto durante vários dias como antigamente, e quando indevidamente temos que falar sobre ela, tentamos não mencioná-la ou escondê-la com frases do tipo “sinto pelo seu pai”.

Negar a morte não é a solução de nada; é justamente o contrário, pode ser um problema. Em primeiro lugar, porque o fato de não ter a morte presente faz com que não sejamos conscientes de que só vamos viver uma vez e que, realmente, isso se acabará algum dia.

Acreditamos que somos imortais, que a vida é muito longa e isso não é verdade todos vamos desaparecer. Não sabemos quando nem como, mas esta é a realidade e é maravilhoso que assim seja.

O problema de pensar que somos imortais ocorre porque deixamos de viver intensamente, deixamos de fazer coisas que queremos por medos irracionais. Deixamos passar o tempo e quando nos damos conta, aí sim, a morte está perto e possivelmente, já é tarde, pois não há outra oportunidade.

Nesta vida, não há prorrogações

Não há outra vida para começar de novo

Portanto, pensar na morte como um fato inevitável e natural põe todos nossos problemas em perspectiva e nos distancia emocionalmente deles.

As coisas deixam de ter tanta importância como damos a elas porque somos conscientes de que algum dia, esses problemas que hoje nos atormentam deixarão de existir, e ninguém se lembrará deles. Ninguém se lembrará das dívidas que hoje não podemos pagar, nem do namorado que nos deixou por outra. De fato, ninguém – ou quase ninguém – lembrará de você dentro de cem anos.

Devemos aprender a ver a morte como algo natural e não como algo macabro, aterrorizante ou místico. Se pensarmos bem, nos daremos conta de que morrer faz parte do ciclo da vida: nascemos, crescemos, nos reproduzimos e morremos. E isso é assim com todos os seres vivos, portanto é um fato natural ao qual teremos que nos apegar e aceitar sem questionamento algum.

Os seres humanos acreditam que temos algo assim chamado de “alma” devido às nossas diferenças com outros seres vivos. Somos a espécie mais evoluída, temos sentimentos muito complexos, somos capazes de raciocinar, pensamos de maneira muito elaborada, etc. mas isso não é mais do que produto da evolução, de um cérebro complexo muito evoluído.

Tudo o que pensamos, tudo o que sentimos, tudo o que somos está inserido em nosso cérebro e ao morrer, ele se apaga para sempre. Deixamos de ser, deixamos de existir. Abraçar esta perspectiva científica e natural pode ser muito desesperador e pode, inclusive, nos gerar sentimentos de pânico, mas certamente, é a melhor forma de começar a aproveitar nossa vida, a dar a ela todo o sentido que queremos lhe dar sem medo de nada e a partir de agora!

Se vamos  morrer dentro de pouco tempo, temos que temer a quê? Se o pior que pode acontecer em uma situação é que acabe morrendo, e isso já se sabe que algum dia ocorrerá, de que você tem medo?

Nesta vida, não há prorrogações

Além disso, a morte faz com que sejamos conscientes de que todos somos iguais: pessoas mortais, de carne e osso, que um dia deixarão este mundo. Alguns serão mais recordados que outros, mas nada mais.

Pensar assim nos faz ver que não há ninguém superior a ninguém, que somos simplesmente seres humanos que têm um começo e um fim, que nascemos e morremos. Dá na mesma que sejamos brancos, negros, heterossexuais, homossexuais, ricos ou pobres: o destino é o mesmo para todos.

A conclusão mais acertada que podemos tirar dessas reflexões é: Chega de besteira! Chega de medos! Você não se dá conta de que nada é tão importante? Não vê que ao lado da morte não há nada terrível?

Agora, sim, você está vivo, agora o mundo, sim, está aos seus pés. De todas as pessoas que puderam ter nascido e não o fizeram, você é um afortunado por ter nascido e saber o que é viver.

Nesta vida, não há prorrogações

Tome a vida como se fosse um jogo ou como uma peça de teatro. Saia para brincar, saia para agir, faça o que quiser fazer, sem medo de não fazer o correto ou o que “deveria” ser, sem medo do que os outros dirão, sem medo de nada, porque não há nada a temer.

Hoje você está vivo, amanhã não se sabe… Não há prorrogações e não há tempo a perder!

A realidade é que já estamos morrendo. A vida é fulgaz e passará muito rápido…faça com que valha a pena!