Neurogastronomia, comer com os sentidos

· janeiro 28, 2019
Comer é muito mais do que ingerir alimentos, é uma verdadeira experiência sensorial. A neurogastronomia tem muito a dizer a respeito disso.

Quando comemos um prato qualquer, os processos que acontecem em nosso corpo e em nossa mente vão muito além do simples fato de ingerir os alimentos e obter seus nutrientes. Nesse sentido, nasceu uma corrente de estudo relacionada com a neurogastronomia, que se baseia em todos os efeitos relacionados à ingestão dos alimentos.

Diferentemente dos outros animais, na maioria das vezes as pessoas não comem por um ato do tipo instintivo. Isso porque, na hora de comer, entram em jogo os nossos cinco sentidos. Além disso, entram também outros fatores como a memória, as emoções ou as expectativas que se relacionam com os processos mentais que se desenvolvem na hora em que estamos diante de um prato.

As diferenças entre gosto e sabor para a neurogastronomia

Na hora de analisar as bases da neurogastronomia, boa parte da informação vêm do gosto e do sabor. Em primeiro lugar, cabe destacar que o paladar é um dos cinco sentidos, junto do olfato, tato, visão e audição. Sentir o gosto de algo é possível graças à língua e a outras superfícies enervadas da boca.

Por outro lado, quando comemos, outros sentidos também estão participando. É o exemplo da visão e do olfato, ainda que o façam de façam de forma distinta. Eles nos ajudam a perceber cada prato de um jeito diferente.

Além disso, as diferentes modalidades de gosto se combinam para que possamos obter uma grande quantidade de informação sobre a comida. Definitivamente, o gosto é baseado na junção de diversas informações por parte dos receptores nervosos presentes na boca.

Mulher tomando um iogurte

Dessa forma, podemos conhecer o sabor dos alimentos, que é o segundo elemento implicado. Assim, os sabores que podemos perceber são, quando falamos dos sabores básicos, o doce, o salgado, o ácido e o amargo. A combinação desses sabores essenciais dá lugar ao sabor de cada alimento consumido.

Por outro lado, outros elementos também intervêm na forma como percebemos os alimentos. Estamos falando da aparência, da cor, da forma e inclusive da temperatura. Assim, podemos conseguir uma grande quantidade de informação que condicionará o nível de aceitação que mostraremos perante um alimento.

A importância da memória e das emoções

Junto à combinação de sabores e texturas de um prato, há outros fatores que condicionam a nossa disposição a consumi-lo. Várias áreas cerebrais, como as que têm relação com as expectativas, a memória ou as diferentes emoções, participam do processo.

Desse modo, diante de um determinado prato, podemos sentir de uma forma muito rápida como somos invadidos por memórias e lembranças de momentos em que comemos algo similar.

Isso, por sua vez, dará lugar a diferentes níveis de aceitação perante a comida, em função de termos ou não boas recordações sobre aquele prato específico. Dessa forma, a neurogastronomia é um recurso muito explorado na alta gastronomia, na qual os chefs estabelecem relações distintas entre os pratos e seus consumidores.

Os alimentos felizes: o mood food

Além do que está relacionado com o sentido do paladar, os sabores e outros processos mentais, devemos também mencionar um novo conceito, o da cozinha da felicidade ou mood food, derivado da neurogastronomia. Os seguidores dessa tendência afirmam que a cozinha tem um alto nível de influência no bem-estar geral e no humor de cada um.

Por isso que o mood food faz uso de todos aqueles alimentos que fomentam a produção de certas substâncias químicas no nosso cérebro, para aumentar nossos níveis de felicidade. Algumas dessas substâncias são as endorfinas e a serotonina.

Mulher sorrindo comendo salada

No caso da serotonina, falamos de um neurotransmissor que tem como função a transmissão de mensagens dentro do cérebro. Além disso, ele tem relação com o humor e com o apetite. Isso se deve ao fato de que a serotonina dá lugar à produção de um aminoácido conhecido como triptofano, que só podemos conseguir por meio da dieta em alimentos como os peixes, o leite, os ovos ou a soja.

Essas substâncias têm algumas funções muito importantes em nosso sistema nervoso, já que se ocupam do equilíbrio de outros elementos, como a dopamina ou a noradrenalina. Estes são neurotransmissores que, por sua vez, podem se relacionar com sentimentos de angústia ou de ansiedade, podendo conseguir um melhor controle sobre eles.

É por isso que a neurogastronomia é tão importante. O que comemos não só alimenta nosso corpo de energia, mas também pode nos ajudar a lidar melhor com as nossas emoções e aumentar o nosso bem-estar.