A noite escura da alma e o desenvolvimento da identidade

A noite escura da alma

outubro 4, 2016 em Psicologia 15 Compartilhados
Noite escura da alma

“Uma ovelha descobriu um buraco na cerca e escapou por ele.

Feliz por ter escapado, andou errante por muito tempo e acabou ficando desorientada. Um dia, enquanto era perseguida por um lobo, correu e correu… mas o lobo continuou à espreita, até que chegou o pastor, a protegeu e, com muito carinho, a conduziu de volta ao cercado.

E apesar de todo mundo insistir, o pastor se negou a consertar o buraco na cerca.”

“A noite escura da alma” é para alguns místicos um período de tristeza, medo, angústia, confusão e solidão, que é preciso enfrentar para se aproximar de Deus.

Muitos de nós temos, às vezes, a sensação de que quando queremos abandonar um espaço denominado “minha identidade” entramos em outro cheio de dúvidas, de ambiguidades, de incertezas, onde nos sentimos perdidos e pensar com clareza parece complicado demais.

A mente tem a intenção de nos levar de volta ao curral, para que deixemos de explorar e voltemos ao lugar de partida, de onde talvez pensamos que nunca deveríamos ter saído. É a temida resignação, o conformismo de considerar que nossa transformação pessoal não pode ser mais do que uma utopia.

Para evoluir e crescer como pessoas precisamos passar por uma ‘noite escura’, na qual emoções como a ansiedade ou o desespero se apoderam de nós, perturbando nossas mentes e nossos egos. Devemos nos manter como espectadores nesta noite, pois se nos rendermos e abandonarmos poderemos sofrer as consequências das perdas que adquirimos saindo da nossa zona de conforto.

A busca por si mesmo leva implícita a firmeza de continuar sempre em frente, implica aprender a se superar repetidamente para aumentar lentamente os limites da própria identidade. Nós somos os únicos que podemos definir o que queremos fazer de nós mesmos. Os únicos que podem contemplar as coisas de um lugar privilegiado, sendo capazes de ver o que outros não podem observar do chão.

Certamente todos, em algum momento, precisam pular, escapar, se perder, e certamente outras dimensões perturbarão nosso conceito de identidade. Escapar do curral se transformará um uma opção válida, mas não esqueçamos que esta não é a única saída definitiva.

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