O álcool não ajuda a esquecer

dezembro 15, 2018

Embora ainda impere uma crença popular de que o álcool é um bom aliado para esquecer, é hora de desmascarar completamente esse mito. Beber para esquecer é uma ideia terrível e inútil. Além de ser prejudicial, é pouco eficaz para esse propósito. O álcool não ajuda a esquecer as experiências ruins, e sim, como confirma a ciência, as fortalece ainda mais na memória. O que foi vivido está vivido.

O álcool é uma substância química cujos efeitos no organismo variam à medida que o tempo passa. Esse composto atua sobre um grande número de sistemas neurotransmissores e estruturas cerebrais, invalidando nosso sistema nervoso central. Provoca graves problemas a curto, médio e longo prazo. Como ele nos afeta?

Por que somos tão vulneráveis ao álcool

O álcool etílico (etanol) é uma droga que passa rapidamente para o sangue. Além disso, as membranas celulares têm uma permeabilidade muito alta, isto é, grande facilidade para que as moléculas passem por elas. Esse fato faz com que o álcool, uma vez na corrente sanguínea, possa se espalhar facilmente por todos os tecidos do nosso corpo.

Após ser ingerido, o álcool demora entre 30 e 90 minutos para chegar ao sangue. Essa droga acelera a transformação de glicogênio em glicose, que é eliminada mais rapidamente. Com isso, os níveis de concentração de açúcar no sangue diminuem, o que provoca fraqueza e cansaço.

Alcoolismo

Efeito bifásico

Ao ingerir uma bebida alcoólica, os efeitos que ocorrem no nosso corpo não se manifestam imediatamente. Isso acontece porque eles nos afetam de maneira bifásica, ou seja, em duas fases, que podem gerar sintomas totalmente opostos.

A princípio, sentimos relaxamento, alegria, euforia e desinibição. Posteriormente, à medida que vai passando o tempo e dependendo da quantidade e do momento em que ingerimos a substância, podem surgir outros efeitos: visão embaçada, tontura ou problemas de coordenação, entre outros. E por que isso acontece?

O álcool não ajuda a esquecer, mas como afeta o nosso cérebro?

O álcool opera como um poderoso depressor do sistema nervoso central. Isto é, desacelera a atividade do cérebro e da medula espinhal. Atual na formação reticular, no córtex cerebral e no cerebelo, entre outras infinidades de sistemas. Pode-se dizer que seu efeito no nosso cérebro passa por 3 fases:

  • Em primeiro lugar, afeta a parte mais primitiva e anterior, o prosencéfalo. Isso gera um prejuízo para a coordenação motora e o processo de tomada de decisões.
  • Em seguida, o álcool ataca o mesencéfalo. Ocorre a perda do controle das emoções e aumentam as chances de perder a consciência.
  • Por fim, atinge o tronco cerebral e a frequência cardíaca, a temperatura corporal, o apetite e a consciência. Nesse momento, o estado de coma pode acontecer.

Como vemos, o consumo excessivo de álcool de maneira pontual provoca a perda de consciência. Se a ingestão for extremamente alta, é possível, inclusive, ocorrer a morte por intoxicação etílica ou uma parada cardiorrespiratória.

O erro em considerá-lo antidepressivo

Quando se sentem deprimidas, muitas pessoas recorrem a essa droga para deixar de vivenciar essa sensação de profunda tristeza. Ao receber a ação de um inibidor cerebral, a pessoa deixa de estar consciente de seu estado de ânimo. Experimenta um estado em que não sente dor, nem pena, nem raiva. Isso torna o álcool uma droga atraente, especialmente para as pessoas emocionalmente vulneráveis.

Recentemente, um estudo publicado pela revista Translational Psychiatry assegurou que a ingestão excessiva dessa substância não só não ajuda a apagar as lembranças, mas as registra ainda mais. Isso quer dizer que beber álcool de forma moderada não é conveniente para o organismo, mas acima disso, sabe-se cientificamente que nem sequer serve para o que algumas pessoas acreditam, fazendo com que a ingestão de álcool compense ainda menos.

Beber não é a solução. Não ajuda você a solucionar seus problemas, nem a resolver todos os seus conflitos. Nem ao mesmo lhe dá forças ou coragem para tomar as rédeas de sua vida. Pelo contrário. Amparar-se na bebida só prolonga o sofrimento. E não apenas o seu, mas também o das pessoas ao seu redor.

Homem viciado

Consequências da ingestão de álcool a longo prazo

Os efeitos de longo prazo do álcool em nossos organismos são verdadeiramente catastróficos. Ao consumi-lo frequentemente, os efeitos se espalham por todos os órgãos do corpo.

  • No cérebro, pode ocasionar lesões nos lobos frontais ou, até mesmo, diminuir o tamanho e o volume desse órgão.
  • O álcool dificulta a absorção da tiamina (vitamina B1), que age na oxigenação cerebral e no metabolismo da glicose. Isso pode levar à encefalopatia de Wernicke ou, em última instância, à síndrome de Korsakoff.
  • A esses danos cerebrais graves é preciso adicionar os efeitos aos nervos periféricos, cujas consequências podem ser irreversíveis.
  • O álcool impede o aprendizado de novas informações e o bom funcionamento visual-espacial.
  • É comum provocar distúrbios de sono graves.
  • Diminui o desejo sexual ou causa infertilidade e disfunção erétil.
  • Provoca uma perigosa desidratação que faz o corpo deixar de produzir glóbulos brancos e vermelhos. Isso pode levar à anemia, juntamente com alterações na memória de duração variável.
  • Aumenta a pressão arterial, o que, por sua vez, pode ocasionar graves danos ao músculo cardíaco, enfraquecendo-o. Assim, perde-se a capacidade de bombear sangue adequadamente a todas as partes do corpo.
  • O etanol irrita os órgãos a ponto de poder causar câncer no estômago, laringe, esôfago e pâncreas, além de várias doenças como a hepatite ou a cirrose.

Apesar de tudo isso, o álcool é considerado uma droga legal em boa parte do mundo, exceto em estados islâmicos. Portanto, ao considerar como essa substância psicoativa afeta o cérebro e os órgãos, é sua responsabilidade consumi-la com moderação.