O castigo de nascer perverso

· março 5, 2015

A definição de “perversão” apresenta incontáveis dificuldades. Inicialmente, o termo foi associado de maneira equivocada a supostos “desvios sexuais”. Este conceito está excluído atualmente. A psiquiatria adotou os temos “disfunções” e “parafilias” para casos relacionados a situações sexuais. Pode-se comprovar que nos manuais de diagnósticos de transtornos mentais (DSM-IV y CIE 10) desvincula-se a denominação de perversão de parafilias ou disfunções sexuais.

Como pensa uma pessoa perversa

Uma pessoa perversa se vê diante de pensamentos obsessivos e destrutivos ao considerar que as atitudes humanas não são sinceras. Evidentemente, é uma condição anormal da personalidade, na qual o “perverso/a” desenvolve sentimentos de destruição em relação a seus semelhantes através de pensamentos e atos de caráter maldoso. Inúmeros estudos científicos indicam que a conduta perversa costuma ser congênita, mas afirmam que a falta de afeto em etapas precoces (na infância), propiciam a formação de uma mente de características perversas.

O perverso desenvolve uma personalidade conflitiva, suas fantasias sempre são conscientes, e sempre trata de prejudicar, humilhar e maltratar outras pessoas. Nos casos em que está associada a uma perversão sexual (melhor descrita como parafilia), é imprescindível para o perverso um cenário em que possa desenvolver seu desejo de destruição e de realizar atividades com conotação obscena, ou transpor a este lugar as humilhações recebidas de maneira real ou fictícia durante as etapas da infância e adolescência. Quando a vítima do perverso é submetida e humilhada, este experimenta sensações de triunfo, dominação e superioridade. Necessita, definitivamente, sentir-se vingador, e não vítima.

À margem dos casos de parafilias, a psicanálise interpreta a perversão como uma categoria das estruturas nosográficas: perversão, neurose e psicose. Um perverso desenvolve uma conduta em certa medida psicopática, que se manifesta desde a infância até a idade adulta, tanto em âmbito familiar, quanto no profissional, etc. Apresentam traços de agressividade e egoísmo, com uma escassa ou nula comunicação com seu entorno. Manifestam-se como não-adaptados e impulsivos, ao mesmo tempo que buscam perfeição em todos os seus propósitos.

O aumento da crueldade destes sujeitos, segundo os psiquiatras, costuma estar associado a uma isolamento emocional, o qual é alimentado por ressentimento social ou afetivo, ódios, fracasso econômico, etc.

Não existe cura para uma mente perversa

Para uma pessoa perversa, não há volta atrás: não é contemplada a possibilidade de cura. O processo começa por fazer o perverso entender que padece de uma patologia e segue com tratamento farmacológico, institucional e com a reeducação das emoções. Com a correspondente orientação profissional, este será o caminho a seguir.

Imagens radio-diagnosticadas do cérebro indicam que nos perversos patológicos algumas zonas relacionadas às emoções apresentam graus de deterioração, motivo pelo qual se propõem antidepressivos e antipsicóticos como parte do tratamento.