Se o destino existe, não existe responsabilidade

Mesmo no mundo moderno, tendemos a atribuir muitos dos eventos ao "destino". Essa palavra tão usada e tão abstrata pode ser perigosa, principalmente quando serve para isentar as responsabilidades.
Se o destino existe, não existe responsabilidade

Última atualização: 08 Setembro, 2021

A maioria de nós já se sentiu tentado a atribuir algumas de nossas conquistas e fracassos ao “destino”. Nada mais fácil do que culpar a fatalidade pelo que nos acontece e pelo que deixa acontecer. É uma fórmula quase mágica, que tudo explica e tudo justifica.

“Teremos o destino que merecemos”.
-Albert Einstein-

Frases como “Se o destino quiser, nos encontraremos de novo “, ou “O destino impediu que tudo corresse bem “, são usadas com frequência. Pensar que tudo está escrito com antecedência é algo que vem à mente quando nos deparamos com coincidências ou situações aparentemente fortuitas, que determinam aspectos importantes de nossas vidas.

O problema é que, se aceitarmos que existe um destino fixo, praticamente tudo o que fazemos não teria sentido. Se algo vai acontecer independentemente do que fizermos, estaremos nos libertando da nossa responsabilidade.

O que é o destino?

Homens com pipas em forma de conchas

Se nos referirmos ao estritamente literal, a palavra destino significa simplesmente um ponto de chegada. O lugar para onde vamos ou o final de uma jornada. No entanto, o destino foi definido de várias maneiras. Filosofia, mitologia, religião e crenças esotéricas atribuíram vários valores a ele:

  • Para a filosofia, o destino tem a ver com a teoria da causalidade. Tudo o que acontece tem uma causa que o gera.
  • Para a mitologia grega e romana, ele era a personificação de uma deusa que tinha o poder de determinar tudo, até mesmo o que deveria acontecer com outros deuses.
  • Para as religiões, também é uma provisão divina. No hinduísmo, um efeito do carma. Nas religiões cristã e muçulmana, uma vontade da Providência.
  • Para o esoterismo, o destino é uma realidade imposta pelas influências das estrelas, ou, em outras ocasiões, um amálgama entre o conceito de carma e a disposição divina.

A verdade é que, desde sempre, os homens se interrogaram sobre o destino: “Para onde vou?”, “Para onde devo ir?”, “Porque não acabo por chegar ao ponto que me propus?” A questão do destino é a questão do sentido da nossa vida. Por isso, é uma preocupação constante que permeia toda a nossa história como seres humanos.

Para que serve o destino?

Mulher com um pássaro na mão

O conceito de “destino”, entendido como predestinação, não teria sobrevivido tantos séculos se não tivesse utilidade. Através da palavra “destino”, as situações mais complexas da vida podem ser explicadas e compreendidas, pelo menos na aparência. O conceito de destino serve, entre outras coisas, para o seguinte:

  • Permite-nos entender a adversidade como uma realidade inevitável, que pode muito bem ser produto de uma punição por nossas más ações, ou de uma prova que, se superada, será posteriormente recompensada.
  • Permite associar sucessos a um forte componente de sorte. O “bem” entra em nossas vidas porque nossa estrela está brilhando.
  • Isso nos permite colocar a responsabilidade pelo que nos acontece em forças externas a nós mesmos. Isso evita possíveis sentimentos de culpa ou, eventualmente, ter que fazer os esforços necessários para chegar aonde queremos.

E a responsabilidade?

O preocupante em aceitar que existe uma predestinação, ou um destino escrito por uma força superior, é que você abre mão do controle sobre a sua própria vida. No início é apenas uma crença, mas com o tempo torna-se um estilo de vida.

Sem nem perceber, você começa a ver o seu sofrimento como uma realidade inacessível. Você se acomoda com a ideia de que não é possível mudar o que acontece com você. Na verdade, seu pensamento não produz ideias de mudança, e você sente que todas as portas estão fechadas.

O mesmo vale para o sucesso. Um verdadeiro triunfo não vem de uma situação fortuita, mas de um trabalho longo e paciente. Mas se você acredita no destino, estará mais ocupado procurando algum fator de boa sorte, em vez de um método para seguir em frente. Se o destino existisse, as prisões não teriam que existir. Como alguém poderia ser julgado por roubo ou morte, se esses atos não dependiam dele, mas de algo que já estava escrito?

Equilíbrio

Na verdade, cada um constrói o seu próprio destino. Embora existam fatores que fogem ao controle individual, sempre existem diferentes alternativas para atuar na mesma situação. Aceitar que tudo está escrito de antemão é renunciar à liberdade e à própria vida.

Imagens cortesia de Christian Schloe

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