O que é o envelhecimento ativo?

26 Maio, 2020
O envelhecimento ativo é uma nova orientação para a fase final da vida. Nesse âmbito, falamos sobre as perdas e sobre como cobri-las, mas também sobre a experiência e seu imenso valor; de como cuidar e proteger aqueles que nos deixaram um grande legado.
 

Cada ser humano assume o envelhecimento de forma diferente. Em um contexto em que reconhecemos a influência da cultura, da sociedade, de fatores hereditários e da forma de criação, a Organização Mundial da Saúde enfatiza o envelhecimento ativo. Por quê?

A seguir, falaremos sobre a forma como o envelhecimento foi visto ao longo da história. Também falaremos sobre uma proposta interessante que resgata a ideia de viver o envelhecimento ativamente. Não perca!

“Envelhecer é como escalar uma grande montanha: enquanto você sobe, as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a visão é mais ampla e serena”.
-Ingmar Bergman-

Mulher na terceira idade

História do envelhecimento

O envelhecimento foi concebido de maneira diferente ao longo da história do ser humano, como podemos ver a seguir:

  • Grécia Antiga. Platão, em A República, referiu-se à velhice como uma questão positiva e sublimatória. Aristóteles, em Retórica, a tomou como uma fase de fraqueza e compaixão. Além disso, caracterizou personagens idosos como desconfiados, inconstantes, egoístas e cínicos.
  • Cícero. Via a velhice como a fase da compreensão e da razão. Além disso, falava da importância de nos prepararmos para esta etapa da vida.
 
  • Horácio. Sugeriu que a velhice não era uma fase dourada porque exigia mais adaptações.
  • Idade Média. Naquela época, São Tomás de Aquino sugeriu que a velhice era sinônimo de decadência.
  • Renascimento. Esta era foi caracterizada por uma fuga da morte. Além disso, havia uma visão do idoso como alguém decadente. Muitos diziam que os idosos usavam truques e bruxaria.
  • Século XIX. As primeiras pesquisas científicas causaram uma reviravolta na concepção de velhice.
  • Século XX. Após a Segunda Guerra Mundial, os cientistas passaram a lidar com uma população mais velha. Após derrotar várias doenças infecciosas, graças ao avanço dos protocolos e da tecnologia médica, a expectativa de vida aumentou.

Atualmente, o envelhecimento é uma etapa em que muitos não pensam, com exceção daqueles que cuidam de alguém idoso e dos que estão nessa fase. É isso que vemos na maioria dos países do ocidente, talvez porque vivemos em uma sociedade que nos incentiva a ser jovens por mais tempo e tentamos impedir que nosso corpo envelheça através de produtos, exercícios, cirurgias etc.

Além disso, não se fala muito na morte; é como se não quiséssemos tocar nesse assunto… e o mesmo acontece com o envelhecimento. Em vários países a população idosa é excluída, ocupando os asilos longe do núcleo familiar. Em outras palavras, deixamos de valorizar a experiência de um adulto mais velho e passamos a subestimá-la, sem pensar que algum dia chegaremos a essa idade.

Em alguns locais do oriente, o panorama é diferente. Em países como o Japão, o idoso é visto como alguém honrado devido à sua sabedoria. Por isso, é tratado com respeito e admiração.

 

O que é o envelhecimento ativo?

O envelhecimento ativo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, consiste em otimizar o bem-estar em três níveis:

  • Físico. Trata-se de tudo que tem a ver com o nosso corpo.
  • Social. Consiste nas interações que estabelecemos; por exemplo, uma relação tóxica poderia resultar em um nível pior de bem-estar.
  • Mental. Aqui interessam os aspectos do mundo afetivo e cognitivo do ser humano.

A ideia é que isso ocorra durante toda a vida. Com que finalidade? Para expandir a qualidade de vida, a produtividade e a expectativa de vida saudável na terceira idade.

Isso significa que o envelhecimento ativo enfatiza a saúde de maneira abrangente, levando em consideração todas as etapas pelas quais o indivíduo passa, pois a prevenção pode ajudar a melhorar esses aspectos.

Casal de pessoas mais velhas

Por que o envelhecimento ativo é importante?

Trata-se de um assunto fundamental, pois a ideia do envelhecimento ativo é proporcionar ao ser humano um bem-estar multidimensional na terceira idade. Para fazer isso, teríamos que agir a partir de diferentes setores:

  • Saúde. Não apenas do ponto de vista da assistência, mas também da prevenção.
 
  • Economia. Para que haja estabilidade na velhice, mantendo uma solidez no sistema.
  • Educação. Para a prevenção de doenças e para manter a mente ativa.
  • Trabalho. Muitos pensam que, por serem mais velhos, não podem mais trabalhar. No entanto, existem várias maneiras de fazer isso; basta criar um sistema que se adapte. Essa é outra ideia maravilhosa do envelhecimento ativo.

Na verdade, poderíamos trabalhar em qualquer área, pois a velhice é uma questão abrangente. Além desses aspectos, o envelhecimento ativo propõe mudanças no transporte, moradia e justiça. Assim, poderíamos ter uma população mais funcional integrada à sociedade, valorizando tudo que ela pode nos proporcionar e apostando em atender às suas necessidades.

O envelhecimento ativo é da conta de todos. Envolve a colaboração de vários setores em prol da qualidade de vida em uma fase que pode trazer várias perdas. Não importa quantos anos tenhamos, todos chegaremos à velhice; se cooperarmos, tornaremos o envelhecimento ativo uma realidade. O ideal ao chegarmos a essa idade não é ficar sem fazer nada. Se ainda tivermos habilidades que nos permitam vencer desafios todos os dias, por que não usá-las?

 

Kalache, A., Plouffe, L. / Voelcker, I. (2015). Envejecimiento Activo. Un marco político ante la revolución de la longevidad.

Organización Mundial de la Salud. (2015)Informe mundial sobre el envejecimiento. Recuperado de: www.who.int