O luto dói – A mente é maravilhosa

O luto dói

31, março 2015 em Emoções 4091 Compartilhados

Quem nunca experimentou a traumática experiência de perder alguém querido? As perdas podem ser mais ou menos radicais, desde uma separação de amigos, filhos que se distanciam pelas circunstâncias da vida, um divórcio, ou até a mais radical de todas: a morte. Embora todas as perdas sejam dolorosas e nos tirem o chão, como as vezes elas acontecem de forma misteriosa (e inesperada), nos fazem passar por verdadeiros desafios que representam uma grande oportunidade para obtermos um crescimento pessoal.

Quando o mundo vira de cabeça para baixo

É inevitável que nos apeguemos às pessoas por inúmeras razões: a maior e mais importante delas é o afeto; além disso, nossos entes queridos também satisfazem algumas de nossas necessidades práticas, tornando nossa vida mais fácil e cômoda. Por esse motivo, uma perda implica em ficarmos, simultaneamente, sem importantes pontos de apoio em nossa existência, o que nos faz perder o equilíbrio e viver um difícil e doloroso, porém necessário, período, conhecido como luto.

É preciso dar espaço para o luto, não devemos reprimi-lo, gostando ou não. Ser vulnerável faz parte da natureza humana.

Durante o período de luto temos fortes sintomas de todo tipo: físicos, psicológicos, mentais e sociais: tais como a insônia, falta da energia, resfriados e outras doenças oportunistas, devido à depressão do sistema imunológico; irritabilidade, falta de apetite, perda ou ganho de peso, apatia, problemas de memória e de concentração, ansiedade, abuso de substâncias: tais como álcool, tabaco ou outras drogas; tristeza, raiva, falta de esperança, culpa, isolamento social, baixo rendimento no trabalho, depressão, pensamento de suicídio, entre outros.

A lista é realmente longa, não é? E o pior é que não foram citados todos os “sintomas”, ou seja, ainda poderiam ser adicionados mais alguns. No entanto, a ideia é mostrar a gravidade do assunto para compreender que é preciso ter muita paciência e compaixão com nós mesmos neste difícil período.

Tenha paciência, pois é preciso que esteja claro para você que o luto é um processo normal e necessário. O luto nos permite refletir sobre o significado do acontecimento e, assim, assimilá-lo, para, então, seguir em frente.

E também tenha compaixão, pois a perda de uma pessoa querida não é qualquer coisa, e é normal que nos afete profundamente e que precisemos de um tempo para processar o que aconteceu.

Sendo assim, como cada pessoa é única, a maneira de viver o luto também varia, mas em termos gerais, um luto significativo é superado ao cabo de um ou dois anos.

Superando a ilusão

Embora saibamos que o luto é normal, é preciso evitar que ele se transforme em algo mais sério, que nos impeça de seguir em frente. Então, é necessário, também, que façamos nossa parte e assumamos uma atitude proativa para poder “sair do buraco”.

Algumas estratégias válidas para “ver a luz outra vez” são pedir ajuda prática e apoio emocional aos parentes e amigos, procurar assistência psicológica, participar de grupos de apoio, realizar técnicas de relaxamento, meditação, respiração, oração (caso seja religioso) e fazer atividades físicas.

Porém, além disso tudo, há um segredo para superar o ocorrido, e é justamente fazer-se consciente das ideias que temos sobre a perda do ser querido. Se existe algo que piora e faz do luto uma dor perpétua, é a sensação de vazio, de pensar que sem a pessoa não estamos completos, que precisamos dela para estar bem e, inclusive, sobreviver. Isso acontece quando nos apegamos demais a determinada pessoa em particular, o que faz com que sua ausência seja simplesmente devastadora.

No entanto, esta sensação é uma ilusão, já que absolutamente tudo na vida é temporal e passageiro, e nossa verdadeira felicidade não está fora, mas sim, curiosamente, dentro de nós mesmos. Por essa razão, as perdas, afinal de contas, nos ajudam, pois ao mesmo tempo em que vamos superando esta etapa triste, vamos também valorizando esse imenso tesouro que somos nós mesmos. Ou seja, aprendemos – mesmo com a dor – que podemos viver em nossa própria companhia e que, apesar de tudo, podemos seguir nosso caminho…

Esta essencial e bela verdade, que alcançamos se conseguimos compreender e interiorizar, em toda sua profundidade, permite que superemos qualquer tipo de perda. Tal verdade é sabidamente expressada por Anthony de Mello na seguinte frase: “Tanto o que você busca, como aquilo do qual você foge, está dentro de ti”.

Créditos da imagem: Hartwig HKD

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