O mito de Ártemis, a deusa da natureza

11 Julho, 2020
O mito de Ártemis se refere a uma deusa diferente das outras, que não se envolvia nos casos amorosos de ninguém, nem permitiu que humanos ou deuses se aproximassem dela. Gostava de andar livremente pela floresta na companhia dos animais.

O mito de Ártemis é um dos mais antigos da Grécia. Estamos falando de uma das deusas mais reverenciadas da antiguidade, que representa uma forma indócil e ativa da figura feminina. Por essa razão, o culto a essa deusa era, acima de tudo, próprio das mulheres. Inclusive, homens que queriam participar das suas celebrações eram punidos.

No mito de Ártemis aparecem duas facetas da deusa. Uma é a das mulheres que não toleram nenhum contato com homens e evitam a sua presença. Outra é a deusa da caça, que usa um vestido largo para caminhar pelos campos e está sempre cercada por animais. De qualquer forma, é curioso que ela seja amiga dos animais e, ao mesmo tempo, promova a caça.

Existem várias histórias da mitologia em que essa deusa intervém, quase sempre para reforçar os seus domínios. A única figura masculina que tem alguma relevância no mito de Ártemis é Órion. Enquanto alguns autores dizem que ela o amava, outros o veem apenas como um companheiro de caça e aventura.

“Deuses? Talvez existam. Não o afirmo nem nego, porque não sei nem tenho os meios para sabê-lo. Mas eu sei, porque é isso que a vida me ensina diariamente, que se existirem, não se importam nem se preocupam conosco”.
– Epicuro de Samos –

Templo na Grécia

O mito de Ártemis: a origem

Como ocorre com outros personagens, existem várias versões do mito de Ártemis. De qualquer forma, em todas elas, diz-se que ela era filha de Zeus e Leto que, por sua vez, era filha de dois titãs.

Hera, a esposa de Zeus, descobriu o romance entre seu marido e Leto e descobriu que ela estava grávida. Por isso, Hera decidiu persegui-la implacavelmente, não deixando ninguém a ajudar. Dessa maneira, ela conseguiu levá-la a uma ilha deserta para dar à luz. Além disso, proibiu a sua filha Ilítia, deusa dos partos, de assistir Leto naquele momento.

Portanto, Leto sofreu muita dor e o parto foi adiado por nove dias. No final, os deuses se comoveram com o seu sofrimento e permitiram que Ártemis nascesse e ela mesma, recém-nascida, ajudasse a mãe no nascimento de seu irmão gêmeo, Apolo.

Os desejos de Ártemis

O mito de Ártemis diz que, quando a deusa tinha apenas 3 anos, pediu ao seu pai, Zeus, que lhe concedesse nove desejos. Estes foram: permanecer sempre virgem; ter muitos nomes; ser a “Doadora da Luz”; ter um arco e flechas e uma túnica até o joelho; contar com sessenta filhas de Oceano, todas com 9 anos de idade, para que fossem seu coro; 20 ninfas como donzelas para cuidar dela; governar as montanhas e ajudar as mulheres nas dores do parto.

Todos os seus desejos foram atendidos e Ártemis passou a infância aprendendo a arte da caça e se preparando para viver na floresta. Ela se tornou muito zelosa de seus domínios e implacável com aqueles que entravam em sua terra ou tentavam contestar as suas virtudes.

Uma das histórias mais conhecidas é a de Acteon. Ele era um exímio caçador que, sem pretender, viu a deusa nua em um rio enquanto ela se banhava. Embora as ninfas tenham corrido para cobri-la, elas não chegaram a tempo. Ártemis, muito zangada com essa intromissão, transformou Acteon em um cervo e instou os seus próprios cães para que o devorassem.

O mito de Ártemis

A deusa sem amor

Dizem que Órion se tornou seu companheiro de caça e que acompanhou Ártemis por muito tempo em suas excursões à floresta. Apolo, temendo que Órion tirasse a virgindade de sua irmã, criou um plano para se livrar dele. Ele disse a Gea, a deusa da terra, que Órion era um caçador vaidoso e orgulhoso e ela enviou um escorpião para matá-lo.

Tentando fugir do escorpião, Órion começou a nadar em direção a uma ilha. Enquanto isso, Apolo disse a Ártemis que a pessoa que fugia ao longe era um desconhecido que havia tentado estuprar uma de suas ninfas. Depois, pediu que ela disparasse uma de suas flechas… e a deusa atirou. Quando ela percebeu que havia matado Órion, pediu ao pai para transformá-lo em uma constelação.

Muitos homens e deuses queriam ter Ártemis como mulher, mas ela não concedeu esse desejo a nenhum deles. Ela teve que atacar vários deles pessoalmente com as suas flechas ou com a ajuda dos animais.

Bolen, J. S. (2015). Artemisa: el espíritu indómito de cada mujer. Editorial Kairós.