O mito de Dionísio, o deus alegre e fatal

fevereiro 13, 2020
O mito de Dionísio é diferente dos outros, pois não mostra a faceta trágica extrema de alguns personagens da mitologia. Pelo contrário, ele é um deus associado à diversão, à vitalidade e a estados de êxtase, causados ​​tanto pelo vinho quanto pela paixão.

O mito de Dionísio – também conhecido como Baco na mitologia romana – fala de um semideus muito alegre que estava sempre pronto para festejar. Ele era considerado o deus da fertilidade e do vinho, e também o inspirador da loucura ritual e do êxtase.

Existem duas versões básicas sobre a sua origem, e ambas são muito bonitas. A primeira versão da origem do mito de Dionísio é a que diz que ele era filho de Zeus, deus dos deuses, e Perséfone, a rainha do Submundo.

Hera, a esposa ciumenta de Zeus, só queria matar a criança. Para conseguir isso, ela usou os Titãs, que atraíram o menino mostrando-lhe alguns brinquedos. Ele os seguiu e então os Titãs o mataram, esquartejaram, cozinharam e engoliram.

Zeus, que amava muito esse filho, se vingou lançando um raio fulminante sobre os Titãs. Ele notou que o coração de Dionísio não havia sido devorado, então o usou para revivê-lo.

Diz a lenda que, das cinzas dos Titãs, surgiu a humanidade. Como os Titãs devoraram Dionísio, os humanos carregam dentro deles tanto o aspecto dionisíaco quanto o titânico.

“O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão. É amargo e útil como o conselho do filósofo. É permitido às pessoas e proibido aos tolos. Empurre o estúpido para a escuridão e guie os sábios a Deus”.
-Avicena-

Outra versão do mito de Dionísio

Outra versão do mito de Dionísio

A segunda versão do mito de Dionísio, e talvez a mais popular, começa com uma linda princesa chamada Sémele.

Zeus se apaixonou por ela à primeira vista e assumiu uma forma humana para poder visitá-la. Ele logo a conquistou e depois a seduziu. Então, ela ficou grávida e Zeus confessou quem ele realmente era.

Nessa versão, também se fazem presentes os ciúmes de Hera, a esposa de Zeus. Quando soube da infidelidade do marido, ela também adotou uma forma humana e apareceu diante de Sémele como uma enfermeira.

Ela induziu a princesa a confessar quem era o verdadeiro pai da criança. Hera, então, insinuou que Zeus poderia não ser quem ele disse que era, plantando dúvidas e preocupações na mente de Sémele.

Para ter certeza, Sémele pediu a Zeus que aparecesse diante dela como deus, ao invés de um mortal. O deus do Olimpo havia prometido a ela que sempre concederia todos os seus desejos e, portanto, não poderia recusar o pedido.

Então, ele se transformou em relâmpago e trovão, o que fez a princesa morrer carbonizada. Dionísio, que estava em seu ventre, foi salvo quando Zeus o colocou em sua perna.

Um deus feliz

O mito de Dionísio conta que Zeus confiou seu filho aos cuidados de Ino, que era irmã da princesa morta, e de seu marido. No entanto, Hera, que ainda estava com ciúmes, usou a astúcia para tentar enlouquecer esses pais adotivos.

Zeus decidiu transformar Dionísio em um cabrito e o confiou a Hermes, que, por sua vez, o entregou às ninfas para criá-lo.

Dionísio cresceu graças ao cuidado das ninfas e de Sileno, um velho gentil que quase sempre estava bêbado, mas tinha o dom da profecia. Ao lado dele, das ninfas, dos sátiros e das ménades, Dionísio se tornou um homem.

Dionísio era um jovem bonito, muito alegre e dinâmico. Foi ele quem descobriu o cultivo da videira e a forma de produzir o vinho. Percorreu muitos lugares ensinando os segredos da arte do vinho.

Durante suas viagens, Dionísio viveu grandes aventuras. A mais conhecida ocorreu quando ele estava na costa: piratas o sequestraram e queriam pedir um resgate, porque pensavam que ele era um príncipe. No entanto, não imaginavam o que aconteceria com eles.

Jardim de ninfas

O mito de Dionísio e o culto à diversão

Quando os piratas tentaram amarrar Dionísio, nenhuma de suas cordas permaneceu amarrada. O deus, então, se tornou um leão e imitou o som de muitas flautas, o que deixou seus captores loucos.

Em pânico, eles se jogaram no mar e Dionísio os transformou em golfinhos. De acordo com a lenda, esses animais são piratas arrependidos, e é por isso que ajudam sobreviventes de naufrágios.

Dionísio se casou com Ariadne ao sentir pena depois que ela foi abandonada por Teseu em uma ilha. Quando ele terminou de ensinar aos homens como fazer vinho, pediu para ir ao Monte Olimpo. Dionísio aparece em inúmeras histórias da mitologia e foi um deus bem apreciado entre os gregos.

Seu desejo de visitar o Monte Olimpo foi concedido, mas antes de ir ao encontro dos outros deuses, conta o mito de Dionísio que ele desceu ao submundo para buscar sua mãe, Sémele, que acabou se tornando uma constelação.

Dionísio é associado a festas, à diversão, aos estados de êxtase, ao teatro e aos prazeres.

Detienne, M. (2009). Dioniso a cielo abierto. Un itinerario antropológico en los rostros y las moradas del dios del vino. Lingua, 16, 00.