O que é a hipersonia e qual é a sua origem?

18 Maio, 2020
A hipersonia é um daqueles problemas que são negligenciados ou pouco valorizados por muitos, ainda que sua influência no rendimento possa ser muito negativa. Neste artigo, falaremos sobre o que pode causá-la e quais são as intervenções que demonstraram ter mais sucesso.

Estima-se que a hipersonia afete aproximadamente de 4 a 6% da população. É uma queixa comum que muitas vezes não é completamente identificada… nem mesmo por aqueles que sofrem com ela. Geralmente é confundida com cansaço ou fadiga, e sua origem pode ser muito diversa. Por isso, para atingir o objetivo na intervenção, o melhor ponto de partida é uma avaliação precisa.

Apesar de muitas pessoas terem conseguido normalizar a presença dessa sonolência excessiva em suas vidas, as consequências são importantes. Com frequência surgem problemas de concentração e de memória.

Além disso, ocorrem alterações de humor e uma grande interferência nas atividades diárias. A seguir, tentaremos aprender mais sobre essa condição neurológica e suas possíveis causas.

Mulher trabalhando com sono

Em que consiste a hipersonia?

A hipersonia também é conhecida pelo nome de sonolência diurna excessiva. Falamos de um estado fisiológico que promove o sono em horários ou momentos inadequados do dia. Assim, a pessoa experimenta uma sensação subjetiva de sono durante o dia, o que dificulta seu funcionamento normal. Para chegar ao diagnóstico de hipersonia, é necessário que esse sintoma ocorra diariamente, por pelo menos três meses.

Nem sempre é fácil identificar o que exatamente está acontecendo. Muitas pessoas podem pensar que estão excessivamente cansadas sem ter muita certeza a respeito do motivo. Para facilitar a detecção da hipersonia, devemos pensar em que grau nos sentimos sonolentos em situações como:

  • Assistindo televisão.
  • Andando como passageiro em um carro em trajetos de uma hora.
  • Sentado em um espaço público, como o cinema ou uma palestra.
  • Lendo um livro.
  • Descansando sentado depois de comer.

Se você costuma ter uma forte sensação de sono nessas situações, pode estar diante dessa síndrome. No entanto, as causas que a provocam são variadas e podem diferir significativamente de uma pessoa para outra. Assim, será importante explorar a origem para poder prevenir e aliviar suas consequências.

Qual é a origem da hipersonia?

Quantidade ou qualidade de sono insuficientes

Para funcionar corretamente durante o dia, todos precisamos ter períodos de descanso noturno suficientemente longos e restauradores. Quando, de forma crônica, dormimos menos tempo do que o recomendado, a privação do sono cobra o seu preço. Assim, a hipersonia pode ser encontrada naqueles que tendem a dormir cinco horas ou menos por noite, continuamente.

Isso pode ocorrer devido a problemas de insônia como consequência de um estilo de vida em que a pessoa decide restringir suas horas de sono por motivos profissionais ou sociais. Assim, é difícil se levantar pela manhã e elas podem sentir súbitas crises de sonolência durante o dia.

Da mesma forma, se o sono noturno for interrompido ou fragmentado, não será suficientemente restaurador. Pessoas com insônia de manutenção, síndrome das pernas inquietas ou distúrbios respiratórios podem acordar em vários momentos durante a noite. Isso promove a consequente diminuição da qualidade do sono e o aparecimento da hipersonia.

Mulher dormindo no sofá

Transtornos primários do sono

Vários transtornos têm a hipersonia como um de seus principais sintomas. Por exemplo, a narcolepsia geralmente começa com sonolência diurna excessiva à qual, mais tarde, outros sintomas são adicionados, como cataplexia, paralisia do sono e alucinações hipnagógicas.

Da mesma forma, transtornos como a hipersonia idiopática e a síndrome de Kleine-Levin ocorrem com esse sintoma. Neles, há um aumento considerável no total de horas de sono, bem como acessos mais ou menos irresistíveis de sono diurno.

Outras causas

Entre as múltiplas causas de sonolência diurna excessiva também podemos encontrar encefalopatias, traumas ou demências. Inclusive, este pode ser um sintoma de episódios depressivos ou ser causado pelo consumo de certos medicamentos.

Trata-se, em suma, de um sintoma comum a inúmeras condições orgânicas, neurológicas e psíquicas. Sua presença dificulta a vida funcional e satisfatória de quem sofre com ele, já que suas funções cognitivas e seu estado emocional podem ser alterados.

Se você acha que você ou alguém próximo pode se encontrar nessa situação, é importante consultar um médico. Em alguns casos, esse sintoma nos alertará para a presença de outras condições que requerem intervenção. Em outros, simplesmente nos convidará a sermos mais cuidadosos e regulares com nossos padrões de sono.

  • Echeverría, A., Uribe, E. M., Álvarez, D., & Giobellina, R. (2000). Valor de la escala de somnolencia de Epworth en el diagnóstico del síndrome de apneas obstructivas del sueño. Medicina60(6), 902-6.
  • Erro, M. E., & Zandio, B. (2007). Las hipersomnias: diagnóstico, clasificación y tratamiento. In Anales del sistema sanitario de Navarra (Vol. 30, pp. 113-120). Gobierno de Navarra. Departamento de Salud.