Além da depressão: os transtornos do humor

outubro 25, 2019
Há um amplo leque de transtornos depressivos sob a nomenclatura de transtornos do humor. Existem diferentes tipos de depressão, como a distimia e o transtorno disfórico pré-menstrual.

Embora a maioria das pessoas pense na depressão, a verdade é que existem diversos transtornos do humor. Escrevemos este artigo para tentar diferenciar e nos aprofundar nestes grandes esquecidos: os transtornos do humor diferentes da depressão maior – a mais conhecida pela população.

De acordo com os dados gerais, uma em cada cinco pessoas – entre 10% e 16% da população geral – vai sofrer de algum transtorno depressivo ou do humor durante a sua vida.

Quase 4% dessas pessoas vão conviver com este transtorno por toda a sua vida – este fenômeno é conhecido como distimia, falaremos mais sobre ele ao longo do artigo.

Também foram identificadas diferenças em função do sexo: há duas mulheres com transtorno depressivo para cada homem. Como grupos da população com alta incidência de transtornos de humor, podemos encontrar os cuidadores e as pessoas que foram maltratadas.

Os transtornos depressivos podem aparecer em qualquer momento da vida – existem, inclusive, os transtornos depressivos infantis. A prevalência concentra-se principalmente entre os 25 e 45 anos, embora o início dos transtornos aconteça por volta dos 20 ou 25 anos na população adulta.

A duração de um transtorno depressivo pode variar dependendo da pessoa e do seu entorno. Há transtornos do humor que duram anos, enquanto outros podem sumir de forma espontânea.

Mulher enfrentando momento difícil

Episódio de depressão maior

O primeiro transtorno do humor que se apresenta é o episódio de depressão maior. Este, junto com o transtorno de depressão maior, são os tipos de depressão mais conhecidos.

O segredo do diagnóstico dos transtornos do humor encontram-se em verificar se eles cumprem os critérios de um episódio de depressão maior e durante quanto tempo.

A característica básica do episódio de depressão maior encontra-se na existência de um período de pelo menos duas semanas consecutivas nas quais a pessoa sofre com um humor reduzido ou deprimido, falta de interesse e pouco prazer pelas atividades de seu dia a dia.

Pode se manifestar através de sentimentos de tristeza, irritabilidade, raiva, etc.

Por sua vez, para que o episódio de depressão maior seja diagnosticado, precisa cumprir com cinco ou mais sintomas da seguinte lista:

  • Humor deprimido;
  • Diminuição do interesse pelas atividades do dia a dia;
  • Perda ou ganho de peso;
  • Insônia ou hipersonia;
  • Agitação ou atraso psicomotor;
  • Perda de energia;
  • Sentimento de inutilidade;
  • Diminuição da capacidade de pensar;
  • Pensamentos suicidas.

Estes são os critérios diagnósticos do DSM-5. O CIE-11 adiciona a perda da autoestima e a presença de dois ou três sintomas básicos na depressão: humor depressivo, perda de interesse e perda de energia.

Ao apresentar dois deles, a pessoa já seria diagnosticada com episódios de depressão leve. Ao ter os três, seria diagnosticada com episódios mais graves.

Transtorno de depressão maior: episódios depressivos recorrentes

O transtorno de depressão maior faz parte de um dos transtornos do humor mais extensos. Este tipo de depressão envolve praticamente todos os sintomas do episódio de depressão maior, mas sua durabilidade muda.

A duração de certos sintomas ou características do transtorno é muito relevante na psicologia, pois o tempo pode fazer a diferença entre um diagnóstico e outro.

Nesse caso, o transtorno de depressão maior será diagnosticado quando houver a manifestação de pelo menos dois episódios depressivos maiores ao longo da história clínica da pessoa.

Entre estes episódios, devem ter se passado pelo menos dois meses seguidos sem que a pessoa cumpra os critérios para um episódio de depressão maior.

O CIE-11 estabelece que nestes dois meses a pessoa não deve apresentar sintomas depressivos. Caso apresente, seria diagnosticada com algo diferente.

Por essa razão, uma pessoa com depressão maior não é alguém que passou os 365 dias do ano com sintomas depressivos. São intervalos entre os quais há momentos nos quais os sintomas não existem; não são contínuos.

Além disso, este tipo de depressão pode ter um padrão sazonal, conhecido como transtorno afetivo  sazonal. Isso quer dizer que há certas depressões mais associadas às mudanças de estação, nas quais os meses de outono e inverno têm um impacto muito grande no humor.

Distimia: a depressão que persiste

A distimia ou o transtorno depressivo persistente é definida como um padrão crônico de alterações de comportamento caracterizado por um humor reduzido. Este humor é vivido de forma contínua, durante todos os dias e com uma duração mínima de dois anos.

Para diagnosticar a distimia, a pessoa tem que viver a maior parte de seus dias com o humor desequilibrado ou deprimido e não passar mais de um mês sem apresentar estes sintomas.

Isso quer dizer que os sintomas depressivos – mencionados anteriormente – e o humor reduzido não acontecem em temporadas, como ocorre com o transtorno de depressão maior.

O DSM-5 combina de alguma forma a distimia com a depressão maior, dizendo que podem ser tratadas de forma conjunta. De fato, a depressão maior pode preceder a distimia.

Mulher com sintomas de depressão

Transtorno disruptivo da desregulação do humor

Esta condição é englobada dentro dos transtornos do humor. Uma das razões dessa inclusão é evitar o perigo potencial das elevadas taxas de crianças diagnosticadas e tratadas erroneamente por transtornos bipolares.

Este transtorno de humor é diagnosticado entre os 6 e os 18 anos de idade, nem antes nem depois. Os sintomas começam a aparecer antes dos 10 anos de idade.

O distúrbio disruptivo de desregulação do humor refere-se a acessos de raiva graves e recorrentes que se manifestam verbalmente ou comportamentalmente.

A intensidade e duração destes acessos de raiva não são proporcionais à situação ou provocação, e não equivalem ao grau de desenvolvimento da pessoa – agem como se fossem mais novos, com menores níveis de gestão emocional.

O principal problema suscitado por este controverso transtorno está relacionado ao estabelecimento de um diagnóstico diferencial claro. Há muitos transtornos que compartilham os mesmos sintomas e, por isso, podem ser confundidos.

Transtorno disfórico pré-mestrual

Inclui uma variedade de alterações emocionais e de comportamento que podem se manifestar em associação com o ciclo menstrual em algumas mulheres. Os sintomas do transtorno disfórico pré-menstrual são:

  • Labilidade emocional intensa (aumento da sensibilidade, mudanças do humor, etc);
  • Irritabilidade e raiva;
  • Humor intensamente deprimido, ideias de auto-depreciação;
  • Ansiedade.

Somam-se, ainda, sintomas secundários como letargia, diminuição do interesse e hipersonia ou insônia. Estes sintomas aparecem na grande maioria dos ciclos menstruais e desaparecem uma semana depois da menstruação. Costumam começar alguns dias depois do início da menstruação.

Conclusões sobre os transtornos do humor

Os transtornos do humor são heterogêneos e não afetam somente pessoas que “estão tristes”.

Embora se movimentem com similaridades, a verdade é que são condições diferentes que podem levar a sofrimentos completamente diferentes e, principalmente, a vários tipos de tratamentos.

Diferenciá-los é de vital importância para decidir a intervenção e impedir o seu avanço.

Conseguir, por exemplo, que um transtorno de depressão maior não se transforme em uma distimia começa por um bom diagnóstico que atenda as demandas de cada pessoa e do sofrimento pelo qual ela está passando.