Conhecimento social: você sabe do que trata este conceito?

O que é o conhecimento social?

Janeiro 18, 2018 em Psicologia 118 Compartilhados
conhecimento social

Qualquer um de nós, através de uma observação superficial, consegue ver que os fenômenos sociais têm uma natureza muito diferente da dos fenômenos físicos. Além disso, não só os enxergamos diferentemente, como também agimos de maneira distinta em relação a eles. Mas o que realmente é o conhecimento social? E como construímos esse conhecimento na nossa mente? Muitos psicólogos tentaram encontrar respostas para essas perguntas ao longo da história.

O estudo sobre o conhecimento social é um campo de pesquisa muito amplo e de grande relevância. Isso acontece porque o interesse nesse campo de estudo é variado e pode ser considerado a partir de muitos pontos de vista (psicológico, educativo, epistemológico, …). Neste artigo, vamos falar de dois aspectos específicos: a construção das representações da realidade social e a natureza dos fenômenos sociais.

Construção do conhecimento social

Um aspecto essencial do conhecimento social é entender como ele é construído. As pessoas, ao observar o funcionamento do mundo, constroem representações ou modelos que explicam o que percebemos. Isso nos serve para dar um sentido ao que acontece fora de nós e para criar modelos próprios, muito úteis como quadro de ação.

Na verdade, as representações tornam possível antecipar o que vai acontecer e agir em consequência disso. É simples deduzir o grande valor que tem a nossa capacidade de criar e ajustar modelos válidos. Por exemplo, como entendemos uma representação do funcionamento da eletricidade e o mal que pode nos fazer em algumas situações, descartamos a ideia de colocar o dedo na tomada.

Bailarina ao lado de flor

Um aspecto fundamental da espécie humana é seu ambiente social. Graças à vida em sociedade pudemos nos adaptar a um ambiente hostil, apesar das deficiências naturais do ser humano. Por isso, é lógico pensar que devemos ter um grande repertório de modelos sociais que nos permita saber como agir no nosso dia a dia no contexto social.

Dentro dessas representações ou modelos da sociedade, que é o que se denomina conhecimento social na psicologia, podemos encontrar três grandes categorias:

  • O conhecimento dos outros e de si mesmo. Através da experiência com os outros vamos criando modelos que nos permitem conhecer as pessoas e a nós mesmos. Conhecer a mente dos outros, ou seja, saber como pensam, nos ajuda a prever suas ações. Os estudos sobre a chamada “teoria da mente” podem se enquadrar nessa categoria.
  • O conhecimento moral e convencional. O indivíduo vai assimilando as regras ou normas que regulam as relações que tem com os outros. Conhecê-las permite se adaptar à comunidade e conviver com os outros. Nesse sentido, o psicólogo Lawrence Kohlberg estudou o desenvolvimento da moral no ser humano.
  • O conhecimento das instituições. Um aspecto essencial do conhecimento social é entender os papéis que as pessoas ocupam dentro de uma sociedade. Aqui falamos das representações que temos sobre como se comporta um comerciante, um chefe, um representante político, etc. Isso nos ajuda a realizar qualquer ato social sem necessidade de saber como é a pessoa com a qual estamos lidando, devido ao fato de que sabemos o papel que ela deve desempenhar.

Natureza dos fenômenos sociais

Embora pareça óbvio que existem diferenças entre um fenômeno físico e um fenômeno social, deixar explícitas essas diferenças se torna complicado. Você pode definir os acontecimentos físicos como objetivos e independentes do indivíduo e os sociais como subjetivos e dependentes, mas em uma perspectiva sócio-construtivista essa distinção é desprovida de sentido.

Uma tentativa de entender como estão compostos os fenômenos sociais é o que nos propõe o filósofo John Searle. Para explicar as representações sobre o mundo social, ele nos apresenta três elementos: (a) as regras constitutivas, (b) a atribuição de funções e (c) a intencionalidade coletiva.

Assim como um jogo é composto por regras, Searle afirma que as instituições também são. E a importância dessas normas é que sem elas não poderiam existir nem os jogos nem as instituições.

Por exemplo, para jogar xadrez há um regulamento que nos diz o que podemos e o que não podemos fazer. Se essas normas não existissem, o jogo não teria sentido algum. Pois a mesma coisa acontece com as nossas instituições. Elas existem na medida em que dizemos que existem. Um exemplo claro é o dinheiro. Há regras que dizem quanto vale cada nota e em quais condições elas podem ser trocadas. Se as regras não existissem, o dinheiro seria apenas metal ou papel.

Notas de dinheiro voando da cabeça de homem

Ao falar da atribuição de funções, nos referimos à intenção de atribuir funções aos objetos ou às pessoas. Dizemos que as cadeiras são feitas para se sentar e os garfos para auxiliar a comer. Mas essas não são propriedades intrínsecas dos objetos. A função é imposta pelo ser humano. Essa atribuição é, em grande medida, coletiva, o que produz um conhecimento compartilhado socialmente em relação à função das pessoas e dos objetos na sociedade.

E por fim, é importante entender o papel que a intencionalidade coletiva desempenha. Esta significa a tentativa do ser humano de compartilhar crenças, desejos e intenções, o que nos permite agir dentro de um contexto no qual a cooperação é possível, conseguindo, assim, conviver em uma sociedade adaptativa e segura para todos os indivíduos.

O conhecimento social nos ajuda a entender e saber como agir dentro da sociedade. Seu estudo tem grande valor agregado e nos permite agir em muitos níveis. Por exemplo, no que tange à educação, entender isso serve para saber quais modelos ou medidas pedagógicas devemos tomar na hora de criar uma sociedade mais justa e cooperativa.

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