Odiar uma pessoa nos mantém ligados a ela

27 Dezembro, 2020
É humano odiar alguém que nos causou muito sofrimento. No entanto, este é um sentimento que aprisiona e prejudica ainda mais quem o sente. Descubra como se libertar.

Tendemos a pensar que o ódio é o oposto do amor. Acreditamos que quando alguém nos prejudica seriamente ou nos trai, nossa única resposta é odiar essa pessoa e guardar rancor, pois é o que ela merece. Não percebemos que odiar uma pessoa nos mantém ligados a ela, e que a única forma de nos libertar é perdoar e deixar tudo no passado.

Cada um de nós reage de maneira diferente a uma ofensa, visto que todos temos nossos próprios recursos de enfrentamento. É verdade que, em certos momentos, a raiva pode ser mais funcional do que a tristeza, uma vez que a primeira nos dá impulso e força para seguir em frente.

No entanto, quando esse sentimento é sustentado ao longo do tempo, ele apenas envenena a nossa alma e nos mantém presos àquele passado doloroso.

Mulher preocupada com a mão no rosto

Por que odiamos?

Pense nas pessoas que você odeia ou odiou em algum momento. Elas não são irrelevantes, certo? Com certeza são pessoas que desempenharam ou tiveram um papel importante na sua vida.

O ódio é uma emoção muito intensa que, na maioria das vezes, é causada apenas por um tipo de estímulo muito especial. Odiamos quando nos sentimos atacados, agredidos, violados: quando alguém ataca a nossa integridade física ou psicológica.

Em última análise, para vir a odiar alguém, essa pessoa deve estar em uma posição privilegiada para nos prejudicar. Ou porque laços emocionais importantes nos uniam a ela ou porque, de uma forma ou de outra, ela exercia autoridade sobre nós. Portanto, podemos detestar aquele pai que deveria nos proteger e abusou de nós, aquele professor que deveria nos ensinar e diminuiu a nossa autoestima, ou aquele parceiro que prometeu cuidar de nós e nos abandonou.

O ódio nada mais é do que uma condenação. Quando alguém nos prejudica, nos colocamos na posição de juízes e sentenciamos o outro por seus erros. Acreditamos que ele merece uma punição e desejamos aplicá-la e, como muitas vezes não temos poder sobre essa outra pessoa, o único recurso que temos é odiar.

Odiar uma pessoa nos mantém ligados a ela

Em primeiro lugar, você deve saber que é absolutamente humano nutrir sentimentos de ódio por aqueles que nos ferem de forma significativa. Suas emoções são válidas e você tem o direito de senti-las. É até compreensível que você queira punir essa pessoa. No entanto, a verdade é que, ao odiar, o castigado é você.

Dizem que guardar rancor é como segurar uma brasa em chamas e esperar que a outra pessoa se queime, e isso é totalmente verdade. É você que vive a cada dia com essa escuridão dentro de você, é você que continua revivendo a dor, a traição e a agressão diariamente. Desta forma, você permanece acorrentado àquela pessoa que você tanto detesta, e as ações dela continuam a dirigir e condicionar o seu presente. Você não é livre.

Manter um sentimento tão intenso e negativo ao longo do tempo causa um grande esgotamento emocional. Enquanto você odeia, você ainda está amarrado ao seu inimigo. Você continua a investir seu tempo e a sua energia mental nele em vez de usá-los para curar a si mesmo. Somente quando você aceitar, perdoar e ressignificar a sua experiência, será capaz de quebrar as correntes que ainda te prendem.

Homem preocupado no sofá

Liberte-se

Nem todas as ofensas são igualmente sérias; portanto, em alguns casos, obter a liberdade será mais complicado do que em outros. No entanto, é um esforço que vale a pena e que devemos fazer por nós mesmos. Para fazer isso, o primeiro e essencial passo é aceitar o que aconteceu. Você precisa parar de resistir, parar de pensar obsessivamente que as coisas tinham que ser diferentes porque o passado não pode mais ser mudado. Aceite-o como parte da sua história para poder seguir em frente.

Em seguida, ressignifique a sua experiência. Este termo se refere à habilidade que os seres humanos possuem de interpretar o mesmo evento de maneiras diferentes. Em vez de focar na dor e na injustiça que você sofreu, concentre-se nos aprendizados que aquela experiência lhe deixou, em como te ajudou a amadurecer ou se fortalecer, a dar sentido e significado ao que viveu.

Por último, perdoe. Este passo é o mais complicado de dar porque podemos sentir, ao fazê-lo, que estamos inocentando a pessoa, libertando-a da sua punição ou justificando as suas ações. No entanto, ao perdoar, você se livra do fardo de continuar sentindo ódio. O perdão não é esquecer o passado, é evitar que ele continue infectando a sua ferida emocional.

  • Capella, C., & Gutiérrez, C. (2014). Psicoterapia con niños/as y adolescentes que han sido víctimas de agresiones sexuales: Sobre la reparación, la resignificación y la superación. Psicoperspectivas13(3), 93-105.
  • Luskin, F. (2008). Perdonar es sanar. Editorial Norma.