O olhar induz a estados alterados de consciência?

O olhar induz a estados alterados de consciência?

4, abril 2017 em Curiosidades 389 Compartilhados
O olhar induz a estados alterados de consciência?

A primeira vez que se falou sobre o olhar como sendo um fator que incide na consciência dos outros foi há séculos. Franz Anton Mesmer, um médico e filósofo austríaco, foi quem definiu as bases do que se chamaria de “Teoria do magnetismo animal”. Segundo seus defensores, o corpo humano irradia energia assim como outros corpos. Essa energia, por sua vez, exerce uma influência sobre outros corpos.

Com base nestes conceitos, James Braid, um médico escocês, criou o termo “hipnose” e apontou que “a fixação sustentada do olhar paralisa os centros nervosos dos olhos e suas dependências, que alterando o equilíbrio do sistema nervoso, produz o fenômeno”.

“A alma que pode falar com os olhos também pode beijar com o olhar.”
–Gustavo Adolfo Bécquer–

Um dos métodos de hipnose desenvolvido a partir desta forma de entender a influência foi a “técnica do olhar fixo”. A meio caminho entre a crença e o saber, esta técnica se aplica conversando e olhando ao mesmo tempo fixamente nos olhos da outra pessoa. Assim, vão sendo introduzidas frases sugestivas, para que entremos em um tipo de estado intermediário entre a vigília e o sono que conhecemos como hipnose.

Mais recentemente apareceu um estudo realizado pelo pesquisador Giovanni B. Caputo, da Universidade de Urbino, na Itália, onde aparentemente fica comprovado que o olhar induz a estados alterados de consciência. Esta informação não foi confirmada por outras pesquisas contemporâneas, de modo que apenas a apresentamos aqui como forma de ilustração.

As pesquisas de Caputo sobre o olhar

Giovanni Caputo reuniu 50 voluntários para realizar a sua experiência. No início formou 15 pares. Os membros de cada par se sentavam frente a frente, a menos de 1 metro de distância, e tinham que olhar nos olhos do seu par durante 10 minutos.

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Os participantes do outro grupo ficaram em um cômodo ao lado e realizaram o mesmo exercício, mas não tinham que olhar para o outro, e sim para si mesmos diante de um espelho. No final, ambos os grupos responderam a um questionário que havia sido preparado para a pesquisa.

Segundo as respostas que Caputo obteve, 90% dos que participaram do experimento tiveram experiências de alucinação, em ambos os grupos. Diziam ter visto rostos deformados ou figuras monstruosas. Também apontaram que tinham experimentado a sensação de estar “fora” da realidade. Com base nisso, os pesquisadores concluíram que o olhar induz a estados alterados de consciência.

Outra experiência sobre o tema

Com um objetivo totalmente diferente, a organização Anistia Internacional realizou uma experiência interessante. Partiu de uma afirmação feita pelo psicólogo social Arthur Aron: que olhar uma pessoa durante 4 minutos cria uma proximidade inesperada.

O que a Anistia Internacional fez foi uma pequena experiência com duplas formadas por cidadãos europeus e um refugiado de outro país do mundo. Simplesmente pediu que se colocassem um de frente para o outro e que se olhassem nos olhos durante 4 minutos. O que queriam provar é que muitos preconceitos desaparecerem quando a gente se detém para olhar o outro, por mais diferente que seja.

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Sem exceção, todos os que participaram desta experiência conseguiram se sentir próximos à pessoa que tinham diante de si. Sem exceção também, começaram conversas afetuosas e desenvolveram empatia mútua. Comprovou-se o esperado: não importa de onde você seja, ou que língua você fala, ou qual seja a sua cor de pele. No fim das contas, em você existe um ser humano que eu posso reconhecer.

O enigmático mundo do olhar

Desde sempre o olhar foi fonte de perguntas e de fascinação para o ser humano. Muitos são os mitos associados ao poder do olhar. O mais conhecido é o de “Medusa”, a figura mitológica que transforma em pedra toda pessoa que olhar para ela. Também há o mito de “Tirésias”, o cego que podia ver o futuro.

O olhar tem tanto poder que constrói, por si só, significados. Todo olhar tem uma intenção: às vezes de reconhecer, às vezes de tornar invisível. Quando a gente olha e quando a gente não olha, cria-se um efeito. Os olhares amorosos são “educação” ou “admiração”. Os olhares invejosos dão lugar ao “olho gordo”. Os olhares de ódio matam, ou são como punhais.

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Para onde quer que “olhemos”, o olhar tem influência. Neste sentido, vale dizer que cria ou modifica a consciência de quem é olhado. Ele confronta e leva alguém a se assumir como “visto” ou “ignorado”. Com “descoberto” ou passado por cima. Os olhos, esses espelhos da alma, são uma janela por onde escapamos e por onde entramos no mundo dos seres humanos.

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