Por que os orientais veem a pressão como inimiga?

· março 17, 2018

Para os orientais, a ansiedade por obter algo acaba tornando esse algo mais distante. Esse povo vê a pressão como inimiga, porque ao invés de levar a pessoa a agir, o que ela faz é criar um bloqueio. É uma afirmação que tem bastante sentido, pois é o que vemos e o que experimentamos com mais frequência.

Pensemos, por exemplo, na inquietude que sentimos quando estamos esperando, com grande expectativa e ansiedade emocional, que algo aconteça. Que uma determinada data chegue, que apareça alguém para que nós tenhamos uma relação amorosa feliz, ou que aconteça qualquer evento favorável a nós. Podemos tentar forçar as circunstâncias, mas as coisas têm seu próprio tempo, e colocar pressão no processo não o torna mais rápido em praticamente nenhuma hipótese.

“É ótimo se acostumar com o cansaço e a correria, mas não temos que forçar a barra.”
-Marco Tulio Cicerón-

O que acontece geralmente é que o nível de ansiedade aumenta substancialmente. Um minuto se transforma em uma hora e um dia em uma semana inteira. Ao menos é essa a sensação que nós temos. Cria-se um estado de tanta carga emocional que, em vez de avançar em direção ao que desejamos, acabamos criando as condições perfeitas para que aquilo se afaste cada vez mais.

Pare de forçar e evite ter a pressão como inimiga

Ao pressionarmos qualquer coisa na vida, ao forçarmos as circunstâncias, na realidade acabamos criando o efeito contrário do que queríamos. É como estar navegando e querer que o mar produza grandes ondas que nos levem rapidamente a nosso destino. O barco pode virar.

Desenho de barco com âncora

O que acontece nesses casos é que existe uma imagem mental da situação ideal ou desejada, e o que se pretende é pressionar a realidade para que ela se ajuste a essa imagem, e não o contrário. Primeiro vem o que temos em nossa mente, na frente do que os fatos nos dizem. Essa dificuldade para ver as coisas como são, e não como queremos, pode ser tão forte a ponto de tentarmos pressioná-las para que mudem.

A vida se torna muito mais simples e rica quando deixamos as coisas fluírem. Um dos grandes segredos da felicidade é aceitar a realidade como ela é, e nos adaptarmos a ela. Isso não tem nada a ver com conformismo, e sim com humildade, com renunciar ao egocentrismo que nos leva a querer se impor sobre a realidade que existe, independentemente da nossa vontade ou até da nossa existência.

Praticar o desapego

Uma das formas de aprender a evitar a pressão e deixar a vida fluir é praticando o desapego. Isso não quer dizer que devamos nos tornar apáticos ou desinteressados pela vida, muito pelo contrário. Trata-se de uma atitude que nos convida a aproveitar profundamente o que já temos. O que já está aqui. O que estamos fazendo. Não aquilo que só existe na esfera do desejo.

O que torna a nossa vida mais feliz e prazerosa não é conseguir namorar, ter um trabalho melhor ou ganhar mais dinheiro. O que nos leva em direção à sensação de felicidade e à paz interior é poder aproveitar a vida como ela é. Essa é, inclusive, a atitude que favorece a evolução. É nesse estado que somos mais capazes de amar, de ter um desempenho melhor, e de dar início a uma cadeia de fatos positivos na nossa vida.

Essa é a razão pela qual os orientais veem a pressão como inimiga. A prática do desapego nos ajuda a eliminar o desejo de forçar as coisas. Ajuda a permitir que os processos se desenvolvam por si só, de maneira natural, e encontrem seu próprio ritmo.

Cultivar o mundo interior

Para aprender a deixar a pressão de lado e praticar o desapego, também é necessário cultivar nosso mundo interior. É importante abandonar a obsessão pelo sucesso. Isso, na maioria das vezes, só aumenta a ansiedade e leva à frustração. Temos que eliminar essas ideias que nos induzem a crer que só se conseguirmos alcançar um determinado objetivo externo poderemos, enfim, ser felizes e estar bem com nós mesmos.

Pedras simbolizando equilíbrio

A verdadeira riqueza e o verdadeiro equilíbrio não são alcançados com o que vem de fora. Nosso mundo interior é o que modela a forma como sentimos e como vemos a vida. Se dentro de nós não há a capacidade de apreciar a existência e de nos sentirmos felizes por viver, nenhuma pessoa nem nenhum objeto proporcionará isso.

Colocar pressão e tentar forçar as circunstâncias não é uma opção inteligente. Como afirmam os orientais, com frequência o que se consegue é apenas o efeito contrário. Ou seja, uma frustração, porque a realidade não se dobra aos nossos desejos e vontades. Somos nós que devemos aceitar e seguir a lógica do mundo que existe independentemente de nós.